30.9.07
Hoje é um dia tão bom como qualquer outro
[1421] -- Este blogue termina aqui.
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[ADENDA, 1.1.2008]
Agora escrevo aqui.
Crónica de um desastre anunciado
[1420] -- A ler os diversos textos da série «ornithorhynchus paradoxus» de José Pacheco Pereira (Abrupto, ontem e hoje).
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Ler também «o partido deles», Paulo Tunhas (Diário de Notícias, 30.9.2007: 7).
À espera
[1419] -- Manuela Ferreira Leite espera que «o partido continue no mesmo caminho a que sempre habituou os portugueses».
Não sei ao que é que o PSD habitou os portugueses. Em bom rigor, o PSD já habituou os portugueses a caminhos muitos distintos.
Ferreira Leite tem a obrigação de saber muito bem o que está ao virar da esquina. Mais. Sabe muito bem que coisa não vai lá com falinhas mansas, ou com tentativas mais ou menos inócuas de amarrar Luís Filipe Menezes.
Ferreira Leite conhece este filme. Sabe como ele termina.
«Obra feita» (II)
[1418] -- «O passivo da autarquia é dos maiores do país (232 milhões de euros) e em 2006 Gaia excedeu os limites da sua capacidade de endividamento em 11 milhões de euros. (...) Gaia é um bom exemplo de uma gestão que descurou os seus limites e apostou no crédito.»
«Menezes, a obra e as suas dívidas», Manuel Carvalho (Público, 30.9.2007: 44).
A factura, claro, será paga pelas gerações futuras.
Conhecemos este filme. Sabemos como ele termina.
29.9.07
«Obra feita»
[1417] -- Durante a campanha para as directas, directamente ou através dos seus apoiantes, Luís Filipe Menezes destacou inúmeras vezes a obra feita em Gaia. «Luís Filipe Menezes tem obra feita», frisou, por exemplo, o seu número dois, Marco António Costa.
A «obra feita» foi elevada à condição de trunfo principal e explorada de forma exaustiva. A «obra feita», porém, tem um lado negro e convenientemente ignorado. Gaia ultrapassou em 2006 os limites de endividamento previstos na lei em 11,9 milhões de euros (Sol/supl. Confidencial, 29.9.2007: 20). Pior do que Gaia, imagine-se, só Lisboa.
Conhecemos este filme. Sabemos como ele termina.
O dia seguinte...
[1416] -- ...começou formalmente hoje. A sua presença não se notará porventura durante um período de nojo. Depois Menezes sentirá o sabor do seu próprio veneno...
Implicações
[1415] -- O PSD na sua imensa cegueira entalou Cavaco Silva. A partir de agora a cooperação estratégica seguirá a bom ritmo.
Guronsan
[1414] -- Optou-se pela opção de Guronsan que exige maior consumo. O PSD escolheu o caminho mais longo. So be it.
28.9.07
Há dias em que...
[1413] -- ...só me apetece colocar um ponto final no blogue. Este é um deles.
[1413] -- ...só me apetece colocar um ponto final no blogue. Este é um deles.
Acabou? (II)
[1412] -- Caro Pedro Correia, penso que está muito enganado e que ao contrário do que afirma, para o bem e para o mal, depois de sexta-feira, tudo ficará sensivelmente na mesma. Não subscrevo na íntegra a leitura de Pedro Sales, mas o seu texto toca em diversos pontos relevantes, dos quais destacaria a rigidez do sistema político e partidário, por um lado, e a ausência de um consenso quanto a eventuais alternativas no que se refere ao posicionamento ideológico e programático, por outro. Acrescentaria apenas um dado adicional ao texto de Pedro Sales: uma ruptura da dimensão que o Pedro Correia vaticina não ocorre tendo por base um acto eleitoral intrapartidário. Só uma hecatombe legislativa, porventura, seria o gatilho para tornar os seus desejos -- e os de Francisco Almeida Leite -- realidade.
O PSD, lamento informar, está aí para lavar e durar. Com os seus defeitos e virtudes. (Tal como o PS.) No sábado o PSD acordará com uma tremenda ressaca. A minha única dúvida é a quantidade de comprimidos de Guronsan que vai ser necessário tomar. Dito de outra maneira, a incógnita está no tempo que demorará a recuperação. Um pormenor que não é despiciendo e para o qual, aqui sim, o resultado de sexta-feira será relevante.
27.9.07
China in Africa: friend or foe for the EU?
A palavra Monsanto
A entrevista do ano
[1408] -- Pelos comentários que tenho lido nos blogues -- João Villalobos, por exemplo -- já percebi que perdi a entrevista do ano! Pedro Santana Lopes bateu com a porta na entrevista à SIC Notícias?
Muito bem. Refira-se que à SIC Notícias não lhe ficava mal a apresentação formal de um pedido de desculpas a Santana Lopes.
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[Adenda, 2:08]
«Um caso de regulação dos media», Joaquim Vieira (Observatório da Imprensa, 27.9.2007).
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Veremos se aprenderam a lição. Se a graça se voltar repetir veremos se o visado na altura reage como Santana Lopes, reforçando o processo de imposição de um novo paradigma.
Acabou?
[1407] -- Caro Pedro Correia, garanto-lhe que não é vontade de embirrar consigo, esta súbita e recorrente atenção que ultimamente aqui lhe tenho dedicado a si em particular. Muito simplesmente temos uma visão diferente do actual momento político. Adiante. Quando acabei de ler o seu texto catastrofista dei comigo a lembrar-me do que se escreveu a seguir à derrota de Pedro Santana Lopes. Não faltou quem decretasse a sua morte política, lembra-se? Suspeito, aliás, que teria alguma graça repescar alguns dos artigos que foram publicados na imprensa na altura...
O meu ponto é muito simples. A proximidade temporal está a desfocar-lhe a análise, levando-o a dar uma importância excessiva a factos que o tempo se encarregará de colocar no devido lugar e nas devidas proporções. Note que não me coloco num plano superior, como se não cometesse também por vezes o mesmo erro. Muito simplesmente, as suas notícias da morte do PSD parecem-me francamente exageradas. Isto, claro, assumindo que percebi o seu texto e o seu «este PSD».
P.S. -- Mais uma coisa: essa sua tese de que o PSD vale hoje 15% não lembra a ninguém. Menezistas incluídos.
Comentário selectivo
[1406] -- 1. Portugal subiu três posições no ranking do Banco Mundial relativo ao ambiente de negócios, colocando-se agora na 37ª posição, numa lista que avalia este particular em 178 países (TSF, 26.9.2007).
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José Sócrates, claro, não resistiu a um comentário de auto-elogio: «estes resultados devem-se às reformas feitas pelo Governo em termos de informação empresarial simplificada, fim das escrituras obrigatórias e fim das declarações negativas», e acrescentou que «[esta subida] é muito positiva para a imagem internacional [de Portugal]».
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2. Portugal desceu duas posições no ranking da Transparency International relativo ao índice de percepção de corrupção, colocando-se agora na 28ª posição, numa lista que avalia este particular em 180 países (Lusa via PD, 26.9.2007).
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José Sócrates não comentou...
26.9.07
Sobre as directas
[1405] -- Pensava eu que era óbvio que it takes two to tango.
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Não é por nada, mas arrumar o assunto colocando tudo e todos no mesmo saco não me parece correcto. Vale a pena lembrar que responsabilidades partilhadas não significa, nem de perto nem de longe, responsabilidades iguais?
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Alguém, por mero acaso, se deu ao trabalho de ler as moções de estratégia dos candidatos?
P.S. -- A moção de Marques Mendes está aqui. Não consegui encontrar a de Menezes.
Bom senso e estratégia

[1403] -- «[D]o not show your cards unnecessarily unless you have a good reason for doing so and you are also confident that you can alter your subsequent play in such a way that revealing your cards will not hurt you.»
Sim, também não tem gravitas. Yet...

[1403] -- «[D]o not show your cards unnecessarily unless you have a good reason for doing so and you are also confident that you can alter your subsequent play in such a way that revealing your cards will not hurt you.»
Sim, também não tem gravitas. Yet...
25.9.07
«Cada vez mais imprevisíveis» (II)
[1401] -- Caro Pedro Correia, os resultados são imprevisíveis desde o início. Não são, se não se importa, «cada vez mais imprevisíveis». O seu «cada vez mais» é um juízo de valor que não me parece ter sustentação nos factos. Evidentemente, posso estar enganado, mas a verdade é que não há sondagens -- que eu saiba --, não há nada, que mostre que o suposto fosso -- assumindo que existe -- entre Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes tem vindo a diminuir à medida que se aproxima o dia das eleições.
P.S. -- Acho que faz muito bem em almoçar, beber um café, whatever, com quem muito bem entende, seja como jornalista ou como cidadão. Eu, pelo menos, é o que faço: de vez em quando almoço e/ou bebo um café, com políticos dos mais diversos quadrantes. Imagine que de vez em quando até almoço e/ou bebo um café com jornalistas dos mais diversos órgãos de informação. Enfim, também almoço com outras pessoas, mas julgo que não lhe interessa. Em todo o caso, se é esse o seu ponto, terei muito gosto em almoçar consigo um destes dias. You have the number.
Prazo flexível, trapalhada monumental?
[1400] -- O Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do PSD decidiu que os militantes do PSD/Açores poderão pagar as quotas até ao dia das eleições directas.
Guilherme Silva tinha uma enorme batata quente nas mãos, mas ninguém esteve interessado em lhe facilitar a vida. Assim sendo, dificilmente o CJN conseguiria agradar a gregos e troianos.
Admito que a decisão possa ser juridicamente inatacável. Não sou jurista, nem conheço os estatutos do PSD e, portanto, não sei. O que sei é que a decisão final é sempre política. Ora, de um ponto de vista político, a decisão de Guilherme Silva parece-me errada.
O problema está no formato?
[1399] -- «[O] formato de eleições directas impede na sua essência um processo de reflexão e debate, porque centra a escolha na personalidade dos candidatos.»
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O formato não impediu a reflexão e o debate nas eleições directas que envolveram João Soares, José Sócrates e Manuel Alegre em Setembro de 2004. O PS não tem nenhuma especificidade que esteja ausente no PSD. Por outras palavras não há nenhuma característica que possibilite reflexão e debate num caso e inviabilize no outro.
O problema não está no formato, mas sim no contexto.
It's true, isn't it?
[1398] -- «With great power comes great responsibility.»
Peter Parker/Spider-Man
Bem sei que a citação não tem gravitas, mas isso não lhe retira relevância.
Peter Parker/Spider-Man
Bem sei que a citação não tem gravitas, mas isso não lhe retira relevância.
Um terço dos votos (II de II)
[1397] -- Vale a pena, talvez, (re)lembrar como surgiu a informação de que a Madeira valia um terço dos votos nas eleições directas do PSD e que esteve na base de inúmeros juízos de valor que se fizeram sobre a ida de Luís Marques Mendes a Chão da Lagoa:
«Segundo dados da direcção do PSD, até sábado passado [21 de Julho], dia do Conselho Nacional (CN), eram cerca de 33 mil os militantes que tinham quotas em dia e podiam votar. Destes, dez mil estão na Madeira, garante a estrutura regional. Mesmo sabendo-se que muitos militantes ainda vão pagar as quotas e que o universo eleitoral ainda vai crescer, Jardim controlará entre um terço e um quarto dos eleitores.»
«Mendes apoiado por (quase) todos», Filipe Santos Costa e Ricardo Jorge Pinto (Expresso, 28.7.2007: 2).
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Alguém no PSD/Madeira induziu o Expresso em erro. Aparentemente, este não foi detectado porque os jornalistas do Expresso não confirmaram se a informação fornecida pela estrutura regional era correcta. Mais. Por sua conta e risco decidiram fazer um exercício de futurologia e advinhar que no final do prazo de pagamento das quotas a Madeira corresponderia a entre um terço e um quarto dos votos. O resultado final está à vista.
24.9.07
Água mole em pedra dura
[1396] -- «A grande mistificação das contas públicas!...», António Pinho Cardão (Quarta República, 24.9.2007).
«Cada vez mais imprevisíveis»
[1395] -- Segundo Pedro Correia, os resultados das eleições directas no PSD são «cada vez mais imprevisíveis».
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São?
Seria útil explicar duas ou três coisas. O que mudou e quando na previsibilidade? Quais foram os factos que introduziram maior imprevisibilidade?
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Não sei se há actualmente maior ou menor previsibilidade e Pedro Correia também não o clarifica. Mas tendo em conta aquilo que tem sido noticiado na comunicação social, assumindo que não me escapou alguma coisa de extremamente relevante, não vejo nenhuma razão para a previsibilidade ser hoje menor do que era há um, dois ou três meses atrás.
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A tese da crescente imprevisibilidade, sobretudo nesta recta final, percebe-se facilmente a quem interessa.
Um terço dos votos (I de II)
[1394] -- Em Julho deste ano, Luís Marques Mendes foi à Festa da Autonomia, em Chão da Lagoa. A sua presença na Madeira motivou inúmeras críticas. Uma delas salientava que o líder do PSD se tornara voluntariamente «refém» de Alberto João Jardim. Afinal, «o líder do PSD/Madeira val[ia] cerca de um terço dos votos militantes» e Marques Mendes, oportunisticamente, não fora capaz de resistir ao canto da sereia madeirense.
Hoje, surpresa das surpresas, leio que «na recta final da campanha para a eleição directa do presidente do PSD, contabilizam-se cerca de 60 mil militantes com direito a voto no continente e pouco mais de dois mil na Madeira».
Alguém poderia ter a delicadeza de me esclarecer se os dois mil votos da Madeira -- um terço muito imperfeito, segundo as minhas contas... -- continuam a fazer de Marques Mendes «refém» de João Jardim?

