terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dois pesos, duas medidas

António José Seguro não necessitou de uma reunião da Comissão Política para nos dizer, há cerca de 15 dias, que se o Governo não recuasse em relação à TSU o PS apresentaria uma moção de censura. Passados alguns dias, o Governo acabou por recuar na TSU. Curiosamente, confrontado agora com as moções de censura apresentadas pelo PCP e pelo BE -- repito, não existindo neste momento alterações à TSU em cima da mesa -- mesmo assim Seguro necessita de ouvir a Comissão Política do PS para definir o sentido de voto do partido...
É confrangedor que o PS, um partido do arco de poder, necessite de ouvir a Comissão Política para decidir o seu sentido de voto em relação às moções de censura apresentadas pelo PCP e pelo BE. Mais. É constrangedor ver o PS, que negociou e assinou o acordo com a troika, demorar mais do que três segundos a demarcar-se do PCP e do BE.
António José Seguro necessita de ouvir a Comissão Política? Não sabe imediatamente, em nome do sentido de Estado, qual é o seu lado da barricada?
O PS agora é um partido anti-europeísta? Quer a troika fora de Portugal? Se não é anti-europeísta e não quer a troika fora de Portugal, como pode ter dúvidas sobre o seu sentido de voto? O bom senso está a ser corroído pela táctica política?