sexta-feira, 5 de julho de 2013

Com ou sem Portas?

A Presidência da República esclarece hoje que Cavaco Silva não exigiu a presença de Paulo Portas no Governo. As notícias que surgiram ontem apontavam nesse sentido, mas não referiam a sua fonte. Há duas ou três explicações possíveis. Primeira: de facto, o Presidente não fez tal exigência e a Presidência não foi a fonte. Alguém exterior à Presidência procurou utilizar Cavaco Silva para encostar Paulo Portas às cordas. O suspeito óbvio é o primeiro-ministro, ou alguém em S. Bento, com ou sem o seu conhecimento. Já ontem, aliás, tinha aqui referido que a posição de Cavaco Silva seria seguramente vista com bons olhos por Passos Coelho.
Segunda: o Presidente não fez exigências de nomes, mas terá porventura feito exigências de cargos. Portas não tem de estar forçosamente no Governo; quem tem de estar é o líder do CDS, o actual ou um sucessor. Neste caso, a Presidência faz o esclarecimento de modo a evitar funcionar como seguro de vida de Portas. Uma vez mais, saber quem foi a fonte das notícias de ontem seria fundamental. Neste caso, a origem poderia estar no Largo do Caldas.
Terceira: Cavaco Silva até teria feito essa exigência, mas não gostou da fuga de informação e recusa ser peão de terceiros, pelo que recuou publicamente na exigência. É uma explicação possível, mas parece-me a menos sólida.
Poderão existir outras explicações -- nomeadamente a mais simples, i.e. a exigência não foi mesmo feita --, mas estas são, de momento, as que me ocorrem. Já ontem tinha referido a um amigo que as notícias não citavam Cavaco Silva na primeira pessoa e que, em teoria, poderia haver um desmentido. Aconteceu, ainda que o mesmo não seja totalmente esclarecedor.
Uma coisa é certa. A notícia foi transmitida de forma concertada a diversos jornais. Alguém quis passar essa mensagem. Sinal de que o risco de desinformação é elevado e que por estes dias tudo deve ser lido com a devida cautela.
Enfim, não me vou repetir pela milésima vez sobre os jogos políticos em que os jornalistas se deixam envolver, nunca denunciando as fontes que manifestamente gozam com o seu trabalho e a sua credibilidade.