quarta-feira, 28 de agosto de 2013

No reino da fantasia

Um conjunto de deputados do PS quer saber o que pensa fazer o Governo quanto ao que está a acontecer na Síria. Poderia ter-lhes dado para pior, eventualmente para solicitar um esclarecimento sobre uma matéria que tivesse alguma utilidade. Bem sei, bem sei, estou a colocar a fasquia num patamar elevado. Na verdade, bem vistas as coisas, não invejo a posição de António José Seguro. Aquilo que ele tem de aturar.
Pedro Passos Coelho, enfim, entre diversas questões sobre o orçamento que lhe foram colocadas à margem de uma visita à ANPC, acabou por dizer umas palavras de circunstância, porventura menos redondas do que pretenderia, mas ainda assim suficientemente vagas para permitir a elasticidade que for necessária. O primeiro-ministro, que pouco ou nada se pronunciou sobre política externa nos últimos dois anos, parece um peixe fora de água a falar da Síria -- aliás, um assunto sobre o qual Portugal tem muito a dizer e é escutado com muita atenção.
Entretanto passou mais um dia. Com um pouco de sorte, talvez amanhã possamos abordar um conjunto de questões sobre Marte que requerem a atenção urgente dos deputados do PS, bem como do Governo. Olé.

P.S. (1) -- Palavras de circunstância menos redondas do que desejaria porque quando afirma que Portugal privilegia o multilateralismo percebe-se, imagino que sem querer, algum desconforto na ausência de uma resolução do Conselho de Segurança.
P.S. (2) -- A última vez que me lembro de ter escutado Passos Coelho abordar um tema de política externa portuguesa foi em Paris, sobre o Mali, na altura assumindo uma posição a meu ver totalmente errada.