quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Remodelação

Não é ainda 'a' mas 'uma' remodelação.
A Adolfo Mesquita Nunes em particular desejo as maiores felicidades políticas no cargo.

O Estado do Bosque

José Tolentino Mendonça, O Estado do Bosque (Assírio & Alvim, 2013).

Uma dúvida

Resolvido que está o futuro imediato da RTP, este negócio (fantasma) avança ou continua em banho maria?

Frequent flyer program [2]

Em 2012, a actividade em Angola e Moçambique representou cerca de um terço dos resultados reportados pelo BPI (34,7%). Com exemplos práticos, e são muitos, percebe-se melhor, não é?

Frequent flyer program [1]

Julgo que não há destino que nos últimos anos tenha sido mais frequente na rota dos representantes do Estado português. Nada contra, evidentemente.
P.S. -- Sempre a crescer.

Da unidade [4]

Na altura de maior tensão política, em Setembro do ano passado, PSD e CDS criaram a já esquecida Comissão de Coordenação da Coligação. O PS, pelos vistos, vai constituir também uma comissão de coordenação interna, cuja concretização efectiva ocorrerá através de uma moção conjunta.

Da unidade [3]

"Neste momento o que está a ser discutido são propostas, são ideias. Não houve nenhuma discussão sobre cargos e sobre pessoas", disse Carlos Zorrinho.
Uma pergunta: alguém conhece uma única proposta ou ideia que tenha sido discutida nos últimos dias? Alguém tem assistido a outra dicussão que não seja de cargos e de pessoas? Além da sua preocupação com a 'união', que propostas ou ideias defendeu António Costa até ao momento?

você está aqui [3]

O que o sr. Lopes pensa do mérito
"É preciso sem delongas atalhar
o colega que acaba de chegar.
Vejo-o muito entusiasmado.
Parece um tipo interessante
(com talento
educado) por isso é preciso
apagá-lo. Não podemos dar-lhe espaço
para expor novas ideias.
O que iria ser de nós caso o
seu esforço vingasse?
Façam o que for preciso. Afoguem-no
entre papéis. É urgente enfiar-lhe
a bata branca
quantos antes."

Da unidade [2]

Eis os efeitos práticos da unidade. No fundo, pura mercearia.
Confirma-se, por outro lado, que as contas sobre quem são os vencedores e os vencidos não são assim tão lineares como poderá parecer à primeira vista.

Espaço dos crentes

Ameixoeira, Lisboa (Janeiro de 2013 [Clicar nas imagens.]).

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Da unidade [1]

O que fazia falta ao PS era unidade. Os tolos, como eu, poderiam pensar que aquilo que fazia falta eram propostas. Mas não. O que faz falta é unidade...
António Costa, pelos vistos, entende que o PS está desunido. Curiosamente, na equipa de António José Seguro surgem diversos elementos que fizeram parte do anterior Governo socialista e/ou integraram as equipas de ministros e secretários de Estado. Não estão ao lado de Seguro os ultras de José Sócrates. É a esses que Costa se refere?
Em todo o caso, a falta de unidade não foi o argumento lançado para fragilizar Seguro. O que se apontava era a sua falta de eficácia enquanto líder do PS na oposição. Com a tal unidade, a sua ineficácia será resolvida como que por milagre?
Começo a ficar cínico com a idade. O apelo à unidade soa-me a pouco mais do que uma manobra para preservar quotas de influência e lugares nos órgãos do PS.

Portugal e Mali: abordagem erradamente minimalista [3]

Como conjugar a decisão portuguesa de se manter à margem da intervenção francesa no Mali com isto?
Pura e simplesmente, não tem muito sentido.

António Costa vai a jogo? [2]

Afinal, pelo menos para já, António Costa não avança com a sua candidatura à liderança do PS. É o pior dos mundos, pelo menos no curto prazo, para António José Seguro.

O coreto

Setúbal (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

você está aqui [2]

Verdadeiros inimigos
"Estou em idade de ter verdadeiros inimigos.
É quase inevitável. Parece-me mesmo
normal. Já erro
pela cidade há demasiado tempo. Estranho
 era que ninguém tivesse reparado
em mim. É esta a idade de ter
verdadeiros inimigos
é sabido que possuo predicados invulgares
(...)
é fácil que sobrevenha quem sinta invídia
de mim. Cheguei à idade de ter verdadeiros
inimigos (prometo
alimentá-los com novos conseguimentos:)
apenas reclamo para mim um
direito natural."

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

António Costa vai a jogo? [1]

Uma boa notícia para os militantes do PS, independentemente de se preferir António Costa ou António José Seguro. E é também uma boa notícia para o PSD que ganha mais uns meses de folga...

Sempre a arrastar os pés

E o custo dessa medida, já agora, não interessa nada, pois não?

Sobre a análise económica

Pior do que as falhas de análise política, é o que se passa no domínio da economia. Chega a ser hilariante a análise instântanea que a comunicação social apresenta, por exemplo, das sessões da bolsa e das oscilações no preço das acções. As subidas e as descidas de valor têm sempre uma explicação racional. Análises que por vezes à hora do fecho da bolsa já foram desmentidas pelos factos, o que leva a nova explicação para explicar a explicação desmentida...

Outros tempos

Queluz (Janeiro de 2013 [Clicar nas imagens.]).

Autárquicas 2013

As eleições autárquicas não vão ser fáceis para o PSD. Isto dito, veremos se se confirmam os prognósticos mais pessimistas. Fáceis ou difíceis, nos próximos meses poderão tornar-se numa distracção útil do ponto de vista do Governo.

Sobre a análise política

Alguém se lembra de algum analista ter admitido o regresso de Portugal aos mercados antes de Setembro de 2013?
Esta questão obriga-nos a reflectir sobre o comentário, nos media tradicionais e nas redes sociais. O que falhou? O que levou a que ninguém tivesse antecipado, em devido tempo, o que aconteceu na semana passada?
Pessoalmente nunca me passou pela cabeça que em Janeiro de 2013, ainda que em condições muito sui generis, Portugal estivesse de regresso aos mercados. Repito, ainda que se reconheça que não foi um regresso pleno aos mercados, como foi possível ninguém antecipar o que se passou?
Não tenho uma resposta. Mas retiro para mim uma lição ciclicamente aprendida e posteriormente esquecida de novo: sabemos sempre menos do que aquilo que pensamos que sabemos. Importa, por isso, moderar as certezas e tentar manter alguma humildade. Afinal, mais tarde ou mais cedo, "tudo é para embrulhar peixe".

Crise? Mas qual crise?

Não há nenhuma. É tudo paz e amor.

você está aqui [1]

Natureza-morta com mosca (2011)
"Junto ao
ralo do urinol na cave do Mauritshuis está
uma mosca pintada. Quem sabe terá escapado
de uma natureza-morta de
exposta no piso 2. Numa tela flamenga uma mosca
nunca pousa pelas melhores razões
(é efémera a natureza
breve e
decadente é a vida) se
a tentasse enxotar dos frutos representados
logo um guarda me diria
para recolher o dedo. Aqui
atinjo-a com gosto (o jacto
ainda eficaz) enquanto imagino os guardas
um par de pisos acima
perguntando pela morte a cada
tela da sala. Se eu lhe apontar mesmo às asas
duvido que
volte a voar."

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A crise no PS

Francisco Assis, se eu tivesse dúvidas, voltou a mostrar como se deve estar na política.

Pobre país o nosso

Tantos sábios por metro quadrado, todos confortavelmente na bancada a mandar postas de pescada, e tão poucos executantes. Haja paciência.

Espaço público

Setúbal (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

D. Sebastião socialista

António José Seguro e António Costa é como televisão a preto e branco e televisão a cores, dizia ontem Marcelo Rebelo de Sousa. Será verdade? António Costa teria sido mais eficaz do que António José Seguro no último ano? O que é que leva alguém a acreditar nisso?
Mais importante. O que é que leva alguém a pensar que Costa -- e não Seguro -- é o homem certo para conduzir o PS a uma vitória eleitoral nas próximas legislativas? O que é que ele tem que Seguro não tenha? Carisma? Currículo? Conhecimento dos dossiers?
Nada como fazer o teste e sujar as mãos na massa. É nas batalhas eleitorais que se desfazem as dúvidas.

As velhas técnicas

Ir a um local. Adaptar o discurso à audiência. Dizer aquilo que querem ouvir. Nada de novo, portanto.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Jaime Neves

É isto mesmo.

De regresso a bom porto

Setúbal (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

Passos: crise não acabou

O Primeiro-Ministro defendeu que é preciso afastar "a ideia de que está tudo feito e de que a crise acabou".
Exactamente. Este ano ainda vai ser muito difícil. Aliás, o ano só agora começou. A crise está longe de estar terminada. Há ainda muita reforma, muita medida dura, para aprovar e executar. Estamos longe de poder tirar o pé do acelerador. Por isso, convém não deixar crescer muito as expectativas.
Na prática, o que Passos Coelho disse será óbvio, porventura, mas não deixa de ser um alerta oportuno.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Um mar de oportunidades

É isso mesmo.

Também fomos ao mercado

Mercado do Livramento, Setúbal (Janeiro de 2013 [Clicar nas imagens.]).

Portugal e Mali: abordagem erradamente minimalista [2]

Agora é a vez de Carl Bildt anunciar que Estocolmo disponibilizará um avião de transporte para auxiliar a intervenção militar francesa no Mali. A Suécia junta-se, deste modo, à Alemanha, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, EUA, Holanda, Itália e Reino Unido. Incompreensivelmente, Portugal permanece à margem. Além de constituir um erro, esta auto-exclusão começa a ser política e diplomaticamente incómoda. Muito francamente, não percebo. Não é seguramente por motivos financeiros, como justificou Pedro Passos Coelho em Paris há alguns dias, que Portugal não envia, por exemplo, um mísero C-130 para prestar apoio logístico por algumas semanas. Alguém está a ver mal o filme. O que se passa no Mali interessa-nos muito. Muito mesmo.

Encerrados para obras

Pedimos desculpa pelo incómodo. Prometemos ser breves.

Cozinha Velha

"Cozinha Velha", MNE, Lisboa (Janeiro de 2013 [Clicar nas imagens.]).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

De acordo

José Pedro Aguiar-Branco tem toda a razão.

Demissão

Paulo Júlio demitiu-se do cargo que ocupava e a meu ver fez bem. O secretário de Estado estava politicamente fragilizado por motivos óbvios. Ao demitir-se Paulo Júlio separa aquilo que tem de ser separado. A seu tempo se clarificará nos tribunais aquilo que tem de ser clarificado. É assim que as coisas funcionam num regime democrático consolidado.
Acresce que o essencial do seu trabalho está feito. Nessa medida, a sua demissão nem coloca especiais problemas.

Notícias... [4]

...da oposição à oposição. Sim, bem sei, que neste caso é diferente.

PS e RTP: o vazio como proposta

Mais uma intervenção totalmente ao lado. Uma vez mais, o PS nada tem de substantivo para dizer aos portugueses, neste caso sobre o futuro da RTP. O que é ser a favor do "reforço do serviço público", feito de "forma optimizada e com gestão de recursos"? Alguém sabe o que é que estes jogos de palavras querem dizer?

A generosidade política é bonita de se ver...

António Costa deixou para António José Seguro a decisão sobre a data mais adequada para realizar o Congresso do PS. Um gesto generoso da sua parte. Estou certo que Seguro também deixa para Costa a decisão sobre a sua eventual recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Igualmente generoso...

Pifou

Não encontro outra explicação racional para tanto disparate.

Azulejo [3]

ISG, Lisboa (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Informação é poder

António José Seguro não esclarece quando será o congresso do PS e António Costa não revela se se recandidata à Câmara Municipal de Lisboa. Carlos Zorrinho, por sua vez, também nada diz porque, enquanto líder parlamentar, não tem que ter opinião.
A milenar arte da gestão do silêncio é por estes dias fortemente praticada por alguns, mas não por todos,  no Partido Socialista. Os interesses dos diversos actores não são simétricos e, como não poderia deixar de ser, o silêncio será interrompido mais tarde ou mais cedo.
A guerrilha vencerá?

O regresso aos mercados [3]

Julgo que ninguém no seu perfeito juízo defende que o tão falado regresso aos mercados resulta, única e exclusivamente, das medidas adoptadas pelo Governo. Podemos até discutir o 'grau' de mérito do Governo, mas o que não podemos dizer é que o Executivo não tem mérito absolutamente nenhum. Salvo, claro, se nos apetecer fazer uma figura ridícula, o que aliás não seria a primeira e julgo que não será a última vez.

Faites vos jeux

Tendo como pano de fundo os momentos de excessiva -- embora compreensível -- euforia que se estão a viver esta semana, recordo o que aqui e aqui escrevi em Novembro de 2012. Tudo continua em aberto.

Superando as limitações

Praia do Creiro, Arrábida (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

O seu a seu dono

O mérito a quem ele é devido.

Portugal e Mali: abordagem erradamente minimalista

Na sequência da intervenção militar francesa no Mali, o Governo português emitiu um comunicado em que reconhecia que a mesma constituía "um contributo importante para evitar a tendência de desestabilização naquela região". Pessoalmente teria preferido uma declaração de apoio mais explícita, até porque se reconhecia existir uma "ameaça real à paz e segurança internacionais", mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros optou por um registo mais cauteloso e algo lacónico.
Mais importante, a ausência de qualquer contributo português para o esforço militar francês é para mim motivo de total discordância. Em visita a Paris esta semana, Pedro Passos Coelho relegou o contributo português para a EUTM no âmbito da formação militar que será prestada às Forças Armadas malianas e escudou-se nas nossas "dificuldades económicas" que "não nos deixam fazer uma intervenção ao nível militar", i.e. enviar "efectivos militares".
Vamos por partes. Portugal, desde que aderiu à União Europeia, quer nesse palco, quer no âmbito da NATO, tem procurado manter à sua escala uma presença constante em missões e teatros de operações, o que lhe tem permitido afirmar-se como um produtor de segurança internacional. Esta orientação tem sido seguida por sucessivos governos, PS e PSD, e não levantou até hoje -- excepto no caso do Iraque -- qualquer tipo de divisão política interna. Esta participação em geografias tão distintas como o Kosovo, Afeganistão ou Timor-Leste tem sido crucial para afirmar a credibilidade portuguesa e tem reforçado as nossas credenciais quando nos candidatamos a órgãos de instituições internacionais, como por exemplo, o Conselho de Segurança da ONU. A política externa portuguesa tem, portanto, um interesse indiscutível naquilo que se passa no Mali e na intervenção militar francesa. Interesses vários -- de afirmação da nossa política externa enquanto produtor de segurança, de afirmação da vertente africana da nossa diplomacia, de combate ao terrorismo e ao narcotráfico, de estabilização da África Ocidental e do Magrebe, enfim, a lista poderia continuar -- justificam a nossa atenção na região do Sahel.
Mas há mais. Portugal não pode pedir/exigir a solidariedade dos seus parceiros europeus e não retribuir na medida das suas capacidades quando eles precisam, como era -- e é -- agora o caso da França.
Ora, o leque de opções não era entre participar mais à frente na EUTM ou enviar agora efectivos militares. Países da nossa dimensão -- e, portanto, do nosso campeonato (deixo de lado a Alemanha, Itália, e Reino Unido, entre outros) --, optaram por soluções intermédias. A Dinamarca disponibilizou um Hercules C-130 e a Bélgica dois C-130, bem como dois helicópteros A-109 para evacuação médica. Havia, portanto, outras soluções potenciais na palete de opções e que nos teriam permitido marcar presença, por todas as razões e mais alguma (por interesse próprio e por solidariedade europeia), mesmo tendo em conta as nossas dificuldades económicas.
Optámos, a meu ver erradamente, por uma solução minimalista. Não se trata de "ambições imperiais ou de potência regional" para relembrar palavras recentes (e erradas) de Nuno Morais Sarmento a propósito da dimensão da nossa rede diplomática, mas sim de actuar no sentido de salvaguardar os nossos interesses e a nossa influência. Ao contrário do que uma leitura mais desatenta possa levar a pensar, o que se passa no Mali é do nosso interesse. E precisamente por isso é que deveria ter merecido da nossa parte outro tipo de contributo. Infelizmente não foi essa a leitura que prevaleceu.

Em política não há coincidências

Pois não.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Nem fácil, nem rápido

É isso mesmo.

Momento à Marcelo

Numa altura em que a pressão política se atenuou um pouco, Pedro Passos Coelho tem uma janela de oportunidade de algumas semanas para fazer a tão aguardada remodelação governamental.

Canção da Vida [3]

"Devias querer vida em vez de palavras. Devias saber que as palavras não choram, não riem. Devias, sobretudo, aprender que estás só, nenhuma palavra poderá viver ou morrer no teu lugar. Escreveste na mensagem que me enviaste: eu não vou poder ser feliz. Senti que estavas a trocar vida por poesia e nem a dor consegui ouvir. A violência do erro tudo calava e do grito que desesperado lançavas, nem dor nem poesia restavam."
Jorge Roque, Canção da Vida (Aveno, 2012): 36.

O regresso aos mercados [2]

Já aqui escrevi que o regresso aos mercados poderia vir a ser um ponto importante na alteração da percepção do ciclo político em curso. O PSD e o CDS, por razões óbvias, têm todo o interesse em fazer prevalecer essa leitura. Jorge Moreira da Silva, vice-presidente do PSD, por exemplo, realçou ontem que os acontecimentos em curso traduzem um momento de viragem na nossa situação económica e financeira. Em sentido contrário, claro, o PS procura atenuar a relevância do que está a acontecer, e António José Seguro tenta salientar que o "regresso aos mercados não é a [sua] principal prioridade".
Governo e oposição têm a exacta noção do que está a acontecer e, como não poderia deixar de acontecer, adaptam as suas estratégias e o seu discurso em função das circunstâncias. A batalha é desigual, como sempre. E como sempre, serão os vencedores quem escreverá a história.
Como também já aqui escrevi, tudo continua em aberto.

Notícias... [3]

...da oposição à oposição.

Uma batalha

Uma boa análise.

Vista entrecortada

Praia do Creiro, Arrábida (Dezembro de 2012 [Clicar na imagem.]).

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Canção da Vida [2]

"Dizes-me que escrever é sempre um desejo de eternidade. A velocidade da tua certeza, esse sempre manejado como pluma, faz-me sorrir (só os jovens, de facto, podem ser deuses, têm de morrer depois para prosseguir). Ainda assim respondo-te: talvez, mas não é assim que o sinto. Escrever é para mim um desejo de viver mais agora. Uma fúria, uma fome, um fósforo, uma gasolina. Quanto à eternidade, temos as contas acertadas: nada me deve, nem eu a ela. Quites, como se diz."
Jorge Roque, Canção da Vida (Aveno, 2012): 11.

Mais tempo [4]

O jornalista, imagino que por ignorância e não por má-fé, mistura mais tempo ao nível dos empréstimos com mais tempo no âmbito da consolidação das contas públicas. Outro Nicolau Santos. A vontade de malhar no Governo é tanta que até ficam cegos. O resultado final é um belo serviço.

Mais tempo [3]

Comparem-se as declarações iniciais de Eurico Dias, apesar de tudo minimamente aceitáveis, com as de António José Seguro. Se bem percebo, o líder do PS é politicamente pouco sério. Sejamos claros. O que o PS pedia era mais tempo para cumprir o programa de assistência económica e financeira (PAEF), i.e. o programa de austeridade acordado a troika (as metas do défice orçamental, por exemplo), e não propriamente mais tempo para pagar os empréstimos. Não era a sua reivindicação crucial, pelo menos, e nunca foi este o cavalo de batalha com o Governo, como está agora a querer fazer crer.
É evidente que António José Seguro está a distorcer os factos de acordo com as suas conveniências com o intuito de criar uma 'vitória' onde ela não existe. O líder do PS sente que o terreno político lhe está a escorregar por debaixo dos pés e ensaia uma desastrada fuga para a frente. É a vida.

Ajudar Seguro

A análise de António Costa parece-me profundamente simplista. Há demasiados 'ses' que ficam por equacionar, demasiadas variáveis e dinâmicas que fazem da sua leitura um exercício pouco útil.

Mais tempo [2]

Sem nada de relevante para dizer, resta ao PS agarrar-se ao que pode e neste caso queixar-se de que o Governo fez o pedido com um mês de atraso. Parece anedota mas é verdade.

Mais tempo [1]

Sim, mais tempo para pagar os empréstimos. Não, não é mais tempo para cumprir as metas acordadas com a troika.
António José Seguro disse no outro dia que desejaria a saída o mais rápido possível dos representantes da troika de Portugal, logo imagino que o PS está de acordo em ter mais tempo para pagar os empréstimos, mas o mesmo tempo para cumprir aquilo que foi acordado com a troika...

A indústria da crise ainda entra em crise...

Há, por estes dias, uma autêntica indústria da crise. Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, prevê uma crise entre PSD e CDS por causa das eleições autárquicas no Porto. Em contrapartida, pelos vistos, ninguém prevê dias de sol entre PSD e CDS por causa das eleições autárquicas em Lisboa. Há critérios cujos critérios são um mistério...

Azulejo [2]

ISG, Lisboa (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que aconteceu ao culto do precioso silêncio?

"Regresso aos mercados deve ser feito de forma sustentável", disse Fernando Ulrich. Como é óbvio, acrescento eu. "Seria mau que nos precipitássemos e depois ficássemos excluídos outra vez", afirmou o presidente do BPI. Evidentemente, acrescento eu, uma vez mais. Uma dúvida: Ulrich tem algum dado que aponte no sentido de uma eventual precipitação? Aparentemente não, uma vez que pensa que o "Ministério das Finanças está muito bem entregue". Em suma, pouco mais do que conversa de café, a acreditar na descrição que nos apresenta a comunicação social. Saia, portanto, um caffè macchiato para a mesa do canto.

O meu colete de forças é cor-de-rosa [3]

Uma das -- poucas -- bandeiras políticas de António José Seguro, ao abrigo do colete de forças cor-de-rosa, e que ele voltou a citar na última entrevista ao DN/TSF, pura e simplesmente não passa em Bruxelas, tal como se percebe a partir das palavras Olli Rehn. O comissário europeu procurou ser o mais cuidadoso possível, mas é evidente que Seguro leva um valente murro político no estômago. Não basta atirar propostas para o ar. É preciso fazer o trabalho de casa, incluindo em Bruxelas.

Canção da Vida [1]

"Caem-lhe as peças de xadrez do tabuleiro derrubadas por movimentos involuntários do braço. Ouvem-se no andar de baixo a embaterem no soalho e calarem-se num som trémulo, quase um lamento. Ele apanha-as e volta a colocá-las nos lugares de que se lembra. Sabe que erra os lugares, em particular quando cai mais do que uma peça. Sabe também que não importa. Como não importa quem ganha ou quem perde, ele ou o outro que com a sua mão joga do outro lado. Importante é não parar de jogar. Cansar a noite, cumprir a vida, deitar-se para amanhã recomeçar."
Jorge Roque, Canção da Vida (Aveno, 2012): 33.

Wishful thinking

O desejo do PS que ocorra uma crise é como o amor: fogo que arde sem se ver...

Azulejo [1]

ISG, Lisboa (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

Uma coisa é certa

Com uma ou outra fonte de discórdia pontual, no essencial Portugal não se pode queixar dos seus parceiros europeus.

Listen very carefully, I shall say this only once! [8]

Rajaram Panda, "Shinzo Abe's Return: What Does it Mean for India?" (IPRIS Viewpoints, No. 115, January 2013).

domingo, 20 de janeiro de 2013

O meu colete de forças é cor-de-rosa [2]

Regresso à discussão das cores do colete de forças. Se for Primeiro-Ministro diminuirá os impostos sobre o rendimento do trabalho?
Resposta de António José Seguro: "não estou em condições de prometer isso".
Pois não. O líder do PS não está em condições de fazer alguma coisa de diferente naquilo que é estrutural. E esse é o seu grande problema.

Rude

"Azar com a casa às costas: um homem
no lugar da morte, um homem meio árvore
fora do calendário do perdão, um livro
com milhares de lutas tatuadas..."
Rui Baião, Rude (Averno 2012): 71.

Notícias... [2]

...da oposição à oposição:
i (Clicar na imagem.)

Falar verdade

António José Seguro reedita, numa versão soft, o argumento da verdade. É um caminho altamente perigoso e que pessoalmente não gosto. O líder do PS afirma ter uma regra de ouro: "não prometer nada que não possa vir a cumprir". Em nome de um contrato de confiança, diz Seguro, e da reconquista da credibilidade, acrescento eu. Uma batalha terrível. Curiosamente, no plano partidário, quando lhe perguntam se as directas no PS devem ser antes ou depois das eleições autárquicas, o líder do PS quer fazer-nos crer que "não pens[ou] nesse assunto". Repito, não pensou no assunto. Um brincalhão...

Um dia chuvoso

Arrábida (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

O meu colete de forças é cor-de-rosa

Mais uma entrevista de António José Seguro, mais um esforço imenso para marcar diferenças políticas onde, no essencial, elas não existem. O líder do PS necessita, evidentemente, de se diferenciar das políticas seguidas pelo Governo e por isso não perde uma oportunidade para o tentar fazer. As circunstâncias externas, porém, são pouco sensíveis às necessidades partidárias e eleitorais de Seguro. Com a troika estamos todos num colete de forças, mas o líder do PS diz-nos, como se isso fosse importante, que quando for Primeiro-Ministro o seu colete de forças será cor-de-rosa, ao contrário do de Pedro Passos Coelho que é cor-de-laranja, e que isso fará toda a diferença. Seguro tem a secreta esperança que, no meio da discussão cromática, os portugueses nem se apercebam que com um ou com outro continuarão a envergar um colete de forças. A alternativa de Seguro é isto. Felizmente, digo eu, de certo modo. As circunstâncias mais não lhe permitem. Seguro pode escolher a cor desde que não dispa o colete forças. É a vida.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Chatham House Rule

No que consiste, afinal?

Fonte

Universidade Lusíada, Lisboa (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Notícias... [1]

...da oposição à oposição.

Malditos mercados

(Clicar na imagem.)

O regresso aos mercados [1]

"Os desembolsos previstos no âmbito do programa suportado pela troika deverão estar concluídos dentro de muito pouco tempo. Precisamos de levar mais longe a estratégia, que já iniciamos, de regresso aos mercados", frisou Pedro Passos Coelho.
Será para mim uma boa surpresa se se confirmar o eventual êxito no regresso de Portugal aos mercados. Há seis meses atrás parecia-me um objectivo algo distante, muito dependente da conjuntura europeia. Era uma meta possível, mas de concretização difícil e incerta. Evidentemente, trata-se apenas de mais um passo, entre outros, no regresso à normalidade, mas em todo o caso é uma etapa muito importante e que muitos receavam que não fosse possível. A necessidade de um segundo resgate parece estar, por isso, mais distante.
Estamos muito longe de poder declarar vitória, ainda por cima numa altura em que o ano de 2013 está apenas a começar. E com ou sem regresso aos mercados, este ano será terrivelmente difícil. Os números do desemprego, da recessão, entre outros, não enganam: o ano em curso será muito duro.
Isto dito, o regresso aos mercados, assumindo que se concretizará e que será um regresso efectivo e não para inglês ver, será eventualmente um ponto importante na alteração da percepção do ciclo político em curso. Veremos, a seu tempo.

Vuluptuosa fragrância da recessão

Segundo Tavares Moreira.

Chafariz

Praia do Creiro, Arrábida (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sol na eira e chuva no nabal

"Desejaria que o mais cedo possível os representantes da troika saíssem de Portugal", afirmou hoje António José Seguro. Estamos a falar do mesmo António José Seguro que defende igualmente que precisamos de mais tempo?
Seguro quer mais tempo, juros mais baixos, uma austeridade "inteligente", "necessária mas não prioritária", "não excessiva", e, ao mesmo tempo, quer que a troika saia o mais cedo possível de Portugal?
Eis uma autêntica quadratura do círculo. Tudo isto me parece muito pouco sério do ponto de vista do discurso político. É evidente que Seguro está longe de estar preparado para liderar uma alternativa ao actual Governo. O líder do PS quer sol na eira e chuva no nabal? Seguro quer livrar-se da troika o mais rapidamente possível, mas não quer assumir os custos políticos dessa opção? Andamos a brincar?

Seguro, conta comigo (e com ele)

(Clicar na imagem.)

A escutar...

...com atenção.

Poderia dizer outra coisa?

Evidentemente, não poderia dizer outra coisa, ainda que a meta seja totalmente irrealista. Felizmente, as aspirações pessoais, pelo menos por agora, ainda não pagam impostos...

Sintonia

Não percebo nada disto. Passos Coelho e Hollande em sintonia? Então não era apenas com Seguro que Hollande estava em sintonia? Agora deixou de estar em sintonia com Seguro, ou passou a estar em sintonia com ambos? Ou será que a comunicação social nos vende sempre simplificações de realidades que na verdade são mais complexas?

Eleições antecipadas?

"Parece-me quase impossível que não haja [eleições antecipadas]", afirmou esta semana Freitas do Amaral. Freitas do Amaral disse não ser provável que o Primeiro-Ministro se demita ou que o CDS quebre a coligação, mas entende que é provável que o Presidente da República acabe por dissolver a Assembleia da República. Em suma, a tese de Freitas do Amaral é esta: haverá eleições antecipadas, não como consequência de uma moção de censura ou da demissão do Governo por implosão, mas por iniciativa presidencial, ainda que reconheça que o PS não está preparado para governar.
Dito por outras palavras, e deixando de lado o próprio entendimento que o Presidente tem do seu papel à luz da Constituição, ainda que Aníbal Cavaco Silva tenha dito explicitamente na sua mensagem de ano novo que entende que Portugal "não está em condições de se permitir juntar uma grave crise política à crise económica, financeira e social em que está mergulhado", Freitas do Amaral considera que será o Presidente quem desencadeará a crise política, ainda por cima sabendo que o PS não está preparado para governar. Freitas do Amaral, portanto, julga que o Presidente é um total irresponsável...
A outra hipótese que explicaria a convocação de eleições antecipadas seria a implosão do Governo. Freitas do Amaral, porém, afasta este cenário dizendo que o CDS "não tem coragem para isso". Vamos por partes. Há um ponto de alta tensão devidamente identificado e que será a negociação entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas do Orçamento do Estado (OE) para 2014. Acontece que, em teoria pelo menos, o OE para 2014 já não será tão difícil e tão exigente como o OE de 2013 e, por conseguinte, será mais fácil de negociar. Dito de outra maneira, não é por falta de coragem do CDS que a coligação tenderá a manter-se, mas sim porque os factores de tensão na segunda metade da legislatura tenderão a diminuir à medida que a própria conjuntura portuguesa for melhorando. Tão simples como isto.

Bacalhôa, rules...

Vila Nogueira de Azeitão (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ainda sobre a comissão de reforma...

...do Estado e sobre os títulos dos jornais, haveria muito para dizer sobre quem fica sozinho. É o PSD e o CDS que ficam 'sozinhos', ou será antes o PS?
O PS fica 'acompanhado' por quem? O PS que é um partido do arco do poder, ao contrário do BE e PCP, fica na companhia de que partidos do arco poder?
Em suma, não deixe que a realidade estrague uma boa estória?

Reforma do Estado social

Que o Primeiro-Ministro tenha de situar o debate neste plano é algo que diz muito sobre a qualidade do mesmo. Pedro Passos Coelho é obrigado a centrar a mensagem no básico: "defender o Estado social implica reformá-lo".
E pronto, não saímos desta guerra política absurda entre aqueles que dizem defender o Estado social e que por isso não lhe querem tocar e aqueles que entendem, a meu ver de forma acertada, que a defesa do Estado social passa inevitavelmente pela sua reforma. Ou seja, nem chegamos a discutir no espaço público aquilo que deveríamos estar a discutir -- aquilo que verdadeiramente interessa -- e que são as opções possíveis no âmbito da reforma do Estado social.
As opções não são seguramente consensuais. O 'episódio' ADSE revelou bem as linhas de fractura no interior do PS, mas elas existem também, embora menos notórias, no interior do PSD. Infelizmente o PS remeteu-se a uma posição de cadeira vazia, estratégia que nunca deu bons resultados.
O debate, com as limitações aqui referidas, entre outras, seguirá de qualquer modo o seu caminho, com ou sem PS. E a seu tempo o PS será confrontado com a responsabilidade pela sua ausência num momento crítico. É a vida.

A toupeira neoliberal

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Um erro

O líder da bancada parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, assegurou que os socialistas não vão participar na comissão eventual proposta pela maioria PSD/CDS para debater a reforma do Estado.
Julgo que o PS faz mal. O PS não é o BE ou o PCP. É um partido do arco de poder e, por isso, tem de estar presente em todos os processos, ainda que a sua posição seja de oposição frontal.
Percebo que o PS não se queira comprometer com a reforma do Estado que está a ser seguida pelo Governo. Dito isto, não se percebe a atitude radical do PS, uma espécie de política de cadeira vazia, compreensível apenas em partidos de protesto. Não creio que esta posição contribua para credibilizar a liderança do PS. Um erro, portanto.

Remodelação?

Sim, claro.

Picar o ponto

Já cá só faltava este artista...

Na universidade

Universidade Lusíada, Lisboa (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Apertem os cintos de segurança

Pedro Passos Coelho disse recentemente, com alguma razão, que era necessário começar a pensar no pós-troika. Sem dúvida, mas até lá ainda muita água vai correr por debaixo das pontes.

Banco com vista para o mar

Praia do Creiro, Arrábida (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

Assunto arrumado

"A maioria dos funcionários públicos são eleitores do PS", refere José Lello como ponto de partida -- e de chegada... -- para rejeitar a posição assumida por Álvaro Beleza. Como diria António Guterres, a partir desta observação, bom, é "fazer as contas"...
P.S. -- Rodrigo Moita de Deus 'apanhou' na perfeição o dia do PS.

O mundo está perigoso

Um alto quadro do Grupo Espírito Santo (GES) constituído arguido?
Uma grande surpresa, para mim pelo menos. José Maria Ricciardi não foi acusado de nada e, evidentemente, como no caso de qualquer outro cidadão, usufrui da presunção da inocência até prova em contrário. Isto dito, não me recordo de uma ocasião no passado em que um quadro de topo do GES tenha sido constituído arguido. Nessa medida, diria que estamos a percorrer território novo. Um bom sinal.

Sempre ele [2]

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Oposição instantânea [3]

O PS acusa o PSD de querer criar um fait divers. Espelho, espelho meu...

Listen very carefully, I shall say this only once! [7]

Sean Goforth, "Is Brazil Mexico Thirty Years On?" (IPRIS Viewpoints, No. 114, January 2013).

Oposição instantânea [2]

Recentemente critiquei aqui o facto de o PS aproveitar uma oportunidade fácil para tentar encostar Pedro Passos Coelho às cordas e, desse modo, tentar marcar uns pontos. O que é válido para uns é igualmente válido para outros: acho este tipo de exercício completamente inútil.

PS e ADSE

Entendam-se, se faz favor. Muito complicada a posição de Álvaro Beleza, neste momento.

Falta algum fio?

Setúbal (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

O momento ideal

Marcelo Rebelo de Sousa considera que este é o momento ideal para fazer uma remodelação governamental. Confesso que já perdi a conta ao número de momentos certos para uma remodelação que já foram apontados por si nos últimos meses...
Na verdade, trata-se de uma hipótese, entre outras possíveis. Não é 'o' momento. É 'um' momento, entre outros. Não virá mal ao mundo se se esperar mais algum tempo. Uma coisa é certa, a remodelação é necessária.
Uma dúvida: não é a primeira vez que Marcelo Rebelo de Sousa sugere, entre outros, o nome de Nuno Morais Sarmento para integrar o Governo de Pedro Passos Coelho. Confesso que fico na dúvida se pretende facilitar, ou dificultar, essa possibilidade. Fico igualmente na dúvida se Morais Sarmento lhe agradece a repetida referência pública.

Um desejo para 2013

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domingo, 13 de janeiro de 2013

À espera da Primavera

Setúbal (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

Boa moeda

Vítor Cunha.

Sempre ele

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Uma dúvida

Mário Soares é um dos grandes defensores do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Quando digo defensor quero dizer que é um grande opositor das reformas em curso que considera um "grande ataque ao SNS". Hoje o que está em causa é "salvar o SNS", tem dito Soares no último ano e meio. Salvar, para Soares, é o mesmo que dizer que quer manter tudo na mesma. Nas suas intervenções e nos seus artigos, Soares nunca destaca a necessidade de melhorar a qualidade do SNS, e muito menos revela qualquer abertura para que se reveja a forma como são prestados os serviços de saúde em Portugal.
Ontem, Soares teve de ser internado num hospital. Curiosamente optou por um hospital privado. Está no seu direito, como é óbvio. Em todo o caso, a sua opção coloca uma questão importante: o que é que o levou -- ele que é um acérrimo defensor do SNS -- a preterir os serviços de um hospital público?

Vivem em que planeta?

Alguns militantes e simpatizantes do PSD têm a (não muito) secreta esperança que o Governo de Pedro Passos Coelho não termine o seu mandato. Acreditam que o impulso decisivo para a sua demissão, porventura, até poderá vir do interior do próprio PSD. Enfim, não vou discutir as razões deste desejo, ou se ele constitui uma aspiração legítima. Aquilo que considero interessante é o facto de existir quem pense que o impulso pode vir do interior do PSD. Estamos a falar do mesmo PSD que se candidatou às eleições legislativas de 2005 liderado por Pedro Santana Lopes, ou estarei enganado?

TPC

Esta semana demos todos a nossa opinião sobre o relatório do FMI. Na próxima vamos todos lê-lo.

Pardon my Portuguese

Pedro Correia tem toda a razão.

O convento

Convento da Arrábida (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

sábado, 12 de janeiro de 2013

Com elites destas... [2]

Mota Amaral afirma que há "alertas" que "é preciso deixar no momento certo e na hora certa". Alguém poderia, por favor, listar quantos "alertas", "no momento certo e na hora certa", fez Mota Amaral nos últimos 18 meses?
Como diria o outro, o que tu queres seu eu. Haja paciência. Com elites destas...

Do you feel lucky?

Praia do Creiro, Arrábida (Dezembro de 2012 [Clicar na imagem.]).

Com elites destas... [1]

Como é que Adriano Moreira pode dizer que Passos Coelho está a perder "legitimidade" por estar a aplicar um programa "bem diferente" do que apresentou nas eleições legislativas de 2011? Valerá a pena recordar que o PSD na altura foi acusado de se apresentar com um programa eleitoral que basicamente era decalcado do memorando da troika?
A partir do momento em que assumiu funções, Pedro Passos Coelho não tem feito outra coisa que não seja implementar o que está definido no programa de assistência económica e financeira. Como é que Adriano Moreira pode dizer que se está a aplicar um programa "bem diferente"?
Mais. O que leva alguém com a sua experiência a querer fazer o papel de idiota útil? Qual é a vantagem em fragilizar o actual Governo naquilo que é mais importante, i.e. a sua legitimidade política, numa altura em que não existe qualquer benefício em precipitar novas eleições legislativas?
Por último, mas não em último, não me recordo de José Sócrates ter submetido à consideração dos eleitores em 2009 muitas das medidas -- neoliberais... -- que iria aplicar até 2011. Onde estava nessa altura Adriano Moreira? Na altura não proferiu declarações semelhantes sobre a falta de legitimidade de José Sócrates. Porquê os dois pesos e as duas medidas?
Haja paciência. Com elites destas...

[Adenda]
Evidentemente.

A semana estragada

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Carrossel [7]

Sondagem do Expresso desta semana. (Clicar na imagem.)

Miragem

Tróia (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).

Há muita falta de memória...

...na política e nos políticos, disse um dia Jorge Coelho, num contexto que agora pouco interessa para o caso. É verdade. Há falta de memória na política interna, mas também na política internacional e nas relações entre Estados. Vale a pena, por isso, recorrer a quem tem memória. Francisco Seixas da Costa, por exemplo, que lembra como Jean-Claude Juncker tem sido um aliado de Portugal.

Cavalos

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Um homem de fé

João Cardoso Rosas (JCR) começa a tornar-se num caso de estudo. Em Julho de 2007 dizia sem pestanejar que "o PS de Sócrates restaurou a credibilidade das instituições e encetou um processo reformista consequente". Em Junho de 2009 ainda referia que "no consulado de Sócrates, a esquerda que está no PS, embora mantendo o liberalismo, afastou-se do seu socialismo. Esta mudança foi interessante e permitiu ao PS uma grande vitória eleitoral, assim como uma governação reformista e modernizadora". São conhecidas as caras e os nomes deste consulado que, segundo JCR, "restaurou a credibilidade das instituições e encetou um processo reformista consequente", e que foi responsável por "uma governação reformista e modernizadora". Além de Sócrates, naturalmente, o seu braço direito era Pedro Silva Pereira. Parte da sua equipa -- oriunda do seu gabinete, seus ex-ministros e ex-secretários de Estado -- encontra-se desde 2011 no Parlamento. Curiosamente, JCR interroga-se sobre "o que estão lá a fazer" os "fiéis de Sócrates na primeira fila" da bancada parlamentar do PS. JCR compreende, naturalmente, a perplexidade dos portugueses perante tal facto, e pergunta: "Não há nenhuma empresa que os contrate, nenhuma universidade que os queira?". Confesso que não se percebe a ingratidão de JCR perante aquela que era a equipa maravilha…
Mas falemos também de Pedro Passos Coelho, segundo JCR. Em Abril de 2010 dizia que "Passos Coelho tem desde há muito um discurso liberal (…) interessante e inovador no contexto português. PPC é um típico liberal de direita, na medida em que defende as liberdades individuais e a minimização da intromissão do Estado na vida das pessoas, tanto em termos económicos como em termos sociais e culturais". Certo. Em Julho de 2011 acrescentava que "o Governo é certamente liberal em termos económicos. (…) O Governo continua a ser liberal em relação ao modo como vê as restantes funções do Estado, especialmente na área social. (…) Note-se, no entanto, que este não é um Governo que advogue a versão mais extremada do liberalismo anti-igualitário a que se chama "libertarismo". (…) Na verdade, a visão dominante no Governo é mais liberal-conservadora do que libertarista. O liberalismo deste Governo fica reduzido à esfera económica e social e é conjugado com uma postura conservadora em matéria de costumes, tal como defende o CDS".
Não era a 'escola' liberal que JCR perfilhava, como se percebe, mas ainda assim era "interessante e inovador", de matriz essencialmente "liberal-conservadora", mas longe da "versão mais extremada do liberalismo anti-igualitário".
Entretanto, a opinião de JCR sobre Passos Coelho, tal como acontecera em relação a Sócrates, mudou drasticamente. Hoje, o liberalismo-conservador deu lugar a uma caricatura. O liberalismo de Passos serve "apenas para atacar os direitos dos trabalhadores em nome da liberdade económica, (…) [e] também para defender os interesses do capital". Ou seja, o discurso liberal "interessante e inovador" de Passos Coelho, tal como aconteceu com Sócrates, é uma profunda desilusão para JCR, embora por razões distintas. Aqui chegados, um conselho da minha parte: fixem bem as caras dos assessores, ministros e ex-ministros de Passos Coelho. Quando chegar o momento JCR provavelmente também perguntará o que estão a fazer na primeira fila da bancada parlamentar do PSD…
Uma coisa é certa. Apesar das desilusões políticas que vai acumulando, JCR é um homem de fé, uma vez mais disposto a apostar -- no bom sentido, evidentemente -- num novo cavalo. Será desta, ou não há duas sem três?

Os bons alunos devem ser recompensados

"Propus, no caso de Portugal, um reajustamento no que toca às condições financeiras e orçamentais que acompanham o ajustamento", afirmou Jean-Claude Juncker. O presidente do Eurogrupo afirmou ter "muitas interrogações sobre o ritmo de ajustamento que tem sido aplicado a alguns países da zona euro" e defendeu a existência de um sistema de recompensa para os países europeus que estão a cumprir os objectivos com que se comprometeram, dando como exemplo Portugal. "Um país que cumpre, actualmente, não é recompensado", disse Juncker.
Confesso que não sei se este tipo de declarações é positivo ou negativo. Será útil se contribuir de forma efectiva e eficaz para pressionar a União Europeia no sentido de premiar Portugal pelo seu desempenho. Não o conseguindo, o efeito é o contrário, na medida em que torna ainda mais difícil a situação do Governo português perante o seu eleitorado.
Jean-Claude Juncker está a falar apenas para o boneco, ou há qualquer coisa mais substantiva nas suas declarações?

O menino das bolachas

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Moedas anda a ler os relatórios errados

Carlos Carreiras pediu a demissão do secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro. Carlos Moedas considerou o "relatório [do FMI] muito bem feito, muito bem trabalhado". Segundo Carreiras, "um membro de um qualquer Governo que tem a 'inteligência' de produzir uma afirmação desta natureza, perante um relatório com este teor, só pode ter uma atitude -- abandonar as funções governativas, deixar a política e assumir que aspira a ser consultor técnico".
Estou inteiramente de acordo com Carreiras. Começa a ser altura de Moedas, essa 'inteligência', ler aquilo que realmente vale a pena e que é bem feito. Se não fosse muito incómodo, talvez fosse altura de o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro começar a prestar atenção aos diversos relatórios que o Instituto Francisco Sá Carneiro (IFSC) tem vindo a elaborar desde que Carreiras assumiu a sua liderança. Regra geral, esses sim, são relatórios bem feitos, bem trabalhados, muitos úteis como suporte aos processos de decisão governamentais.

Sereia

Almada Forum (Janeiro de 2013 [Clicar na imagem.]).