sábado, 31 de agosto de 2013

Allez, allez, Sporting allez [3]

Duas partes do jogo totalmente distintas, com um resultado final que acaba por se aceitar. Na sequência do excelente início de época, com o empate alguns sportinguistas terão ficado com um travo amargo na boca, o que na verdade não se justifica. Não sendo um resultado excelente, o empate com o Benfica não deixa de ser positivo. Mais importante, a equipa, sobretudo na primeira parte, teve momentos de futebol de grande qualidade. Há muito tempo que não se via o Sporting ter períodos de jogo assim. Allez, allez, Sporting allez...

Vendedor de banha da cobra

António José Seguro prometer reverter a enésima medida potencial do Governo. O que o líder do PS nunca esclarece, aliás de forma pouco séria para um eventual primeiro-ministro, é como compensaria a despesa que não corta. O líder do PS deve ter uma máquina de fazer dinheiro no quintal, de certeza absoluta.

Vamos lançar piropos ao BE?

Nada como discutir os verdadeiros problemas nacionais. Um grande obrigado ao Bloco.

Em destaque [21]

Kaiser Chiefs, Employment

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A fusão

Confirmou-se. Rodrigo Costa foi preterido, como era previsível.

Em destaque [20]

Jesse Norman, Edmund Burke: Philosopher, Politician, Prophet (William Collins, 2013).

A tirania das audiências

Se Alberto da Ponte quer tanto aumentar as audiências da RTP sugiro que coloque Manuela Moura Guedes no lugar de Cristina Esteves a entrevistar José Sócrates todas as semanas.
Duh...

Quem pediu uma teoria da conspiração?

As saudades que eu já tinha de uma teoria da conspiração. O "Governo fez de propósito para desencadear mais uma decisão de inconstitucionalidade", com o intuito de "criar uma inibição do TC em relação a leis muito mais importantes que vêm aí, como a lei da redução das pensões do sector público".
Muito bem. Até iria mais longe: a decisão de alargar o horário de trabalho no Estado para as 40 horas seguiu a mesma lógica, só que nesse caso o Presidente da República não alinhou com o Governo. Oops. Esperem lá. Aníbal Cavaco Silva foi -- e continua a ser -- parte activa na teia maligna urdida pelo Governo? Ele cooperou com o Governo -- num caso, mas não no outro (não liguem a esta inconsistência, a teoria é boa na mesma) -- com o objectivo de criar uma inibição do Tribunal Constitucional?

P.S. -- Interessante a tese da inibição. Não sei se os membros do TC -- que não são pressionáveis -- admitem que poderão ser inibidos, mas isso fica para uma outra altura. Aquilo que agora queria destacar é o seguinte: o legislador tudo fez para criar um modelo que salvaguardasse os elementos do TC de pressões e inibições, mas descuidadamente não se lembrou da possibilidade de poderem vir a existir situações de "inconstitucionalidades propositadas". Meus amigos, abrem-se aqui novas avenidas para a reflexão jurídica.

Linchamentos morais

A propósito de António Borges, por Luís Aguiar-Conraria.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Se ele o diz... [2]

Segundo Cunha Vaz, Pedro Lomba foi recrutado porque escrevia nuns blogues e dizia mal do Governo. Isto é uma imensa maldade. Ele nunca disse mal do Governo. Mais. Ainda antes de Pedro Passos Coelho ter conquistado a liderança do PSD, nos primórdios portanto, Pedro Lomba defendeu por diversas vezes as qualidades pessoais e políticas do actual primeiro-ministro. De outro modo, em nome da coerência (e não é caso único), é óbvio que não aceitaria integrar um Governo liderado por alguém de quem discordava, ou sobre quem não tinha boa impressão pessoal e política.

Chumbou...

...e, tanto quanto percebo, chumbou bem.

Placa giratória

Sem colocar em causa a idoneidade e a integridade da nova secretária de Estado, que isso fique muito claro, confesso que me faz um pouco de confusão esta recorrente placa giratória, governo após governo, entre o Ministério das Finanças (e organismos sob a sua tutela), os bancos e o Banco de Portugal. Como se não houvesse pessoas qualificadas para exercer funções políticas no domínio das finanças fora desse triângulo. O problema é tanto mais preocupante porque o país é pequenino. Mas, enfim, devo ser eu que estou a ver mal a coisa.

Se ele o diz... [1]

...quem sou eu para contestar...

Influências políticas

A entrevista de Daniel Proença de Carvalho, como não poderia deixar de ser, chamou-me a atenção. Subscrevo as notas oportunas de Tavares Moreira.

António Patriota

Francisco Seixas da Costa mantém um dos espaços mais interessantes da blogosfera portuguesa. Ciclicamente conta pequenas histórias, algumas vividas por si, outras por terceiros, que são de leitura obrigatória. Como esta sobre António Patriota, por exemplo.

Em destaque [19]

Alabama Shakes, Boys & Girls

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

No reino da fantasia

Um conjunto de deputados do PS quer saber o que pensa fazer o Governo quanto ao que está a acontecer na Síria. Poderia ter-lhes dado para pior, eventualmente para solicitar um esclarecimento sobre uma matéria que tivesse alguma utilidade. Bem sei, bem sei, estou a colocar a fasquia num patamar elevado. Na verdade, bem vistas as coisas, não invejo a posição de António José Seguro. Aquilo que ele tem de aturar.
Pedro Passos Coelho, enfim, entre diversas questões sobre o orçamento que lhe foram colocadas à margem de uma visita à ANPC, acabou por dizer umas palavras de circunstância, porventura menos redondas do que pretenderia, mas ainda assim suficientemente vagas para permitir a elasticidade que for necessária. O primeiro-ministro, que pouco ou nada se pronunciou sobre política externa nos últimos dois anos, parece um peixe fora de água a falar da Síria -- aliás, um assunto sobre o qual Portugal tem muito a dizer e é escutado com muita atenção.
Entretanto passou mais um dia. Com um pouco de sorte, talvez amanhã possamos abordar um conjunto de questões sobre Marte que requerem a atenção urgente dos deputados do PS, bem como do Governo. Olé.

P.S. (1) -- Palavras de circunstância menos redondas do que desejaria porque quando afirma que Portugal privilegia o multilateralismo percebe-se, imagino que sem querer, algum desconforto na ausência de uma resolução do Conselho de Segurança.
P.S. (2) -- A última vez que me lembro de ter escutado Passos Coelho abordar um tema de política externa portuguesa foi em Paris, sobre o Mali, na altura assumindo uma posição a meu ver totalmente errada.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sem mandato do Conselho de Segurança?

Não é claro, para mim pelo menos, se os EUA estão preparados para intervir militarmente na Síria sem uma resolução do Conselho de Segurança. Espero que não, pelo menos por agora. Não há nada de novo na actual situação no que se refere às tensões no Conselho de Segurança. Já estivemos em situações semelhantes no passado recente -- a 'novidade' (e que novidade) é a utilização de armas químicas. Mas importa lembrar que no passado um exercício semelhante na sua componente de política internacional e de diplomacia não correu bem. É certo que os alinhamentos diferem do que aconteceu com a deposição de Saddam Hussein, por exemplo, mas a oposição russa não deve ser encarada levianamente.
Não é para mim claro que os EUA esgotaram todos os instrumentos diplomáticos e políticos junto da Rússia, o aliado central do regime sírio. Goste-se ou não, passar por cima de Moscovo não me parece prudente, isto apesar das atrocidades que o regime sírio tem vindo a cometer.
Em suma, parece-me ser um acto de elementar sensatez procurar por todos os meios a legitimação junto do Conselho de Segurança de uma intervenção militar na Síria. Caso contrário, iremos abrir uma vez mais a Caixa de Pandora.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Pim, pam, pum

Não contactar previamente a Presidência da República. Afinal, ninguém quer correr o risco de ficar sem notícia. Porém, uma vez contactada a Presidência, ou tendo sido contactados pela Presidência, impõe-se que se prolongue a polémica até onde for possível. Assim se preenche mais um dia noticioso. Amanhã logo se vê o que é que se arranja. Arranja-se sempre qualquer coisa quando se faz grande jornalismo de investigação.

Conversa da treta [2]

" A Internet foi, como já se disse, o veículo escolhido para todo o tipo de insultos e festejos. Até podemos aceitar que esta plataforma se torne uma espécie de mesa de café dos tempos modernos. A forma livre e desabrida como se fala na Internet é normal, é natural, faz parte da natureza humana. Coisa diferente é permitirmos que ela se transforme numa espécie de lixeira ou sarjeta da opinião. Isso não é tolerável nem saudável para a liberdade e para democracia."
Continua o festival de hipocrisia. Quem escreveu este editorial no Diário de Notícias toma-nos a todos por parvos, de certeza absoluta. As caixas de comentários do DN online são um nojo, i.e. em linha com a tal lixeira ou sarjeta da opinião, algo que, como faz questão de lembrar, não é tolerável ou saudável para a liberdade e a democracia. Ou seja, como se está a admitir implicitamente, a direcção editorial do DN tem sido conivente com algo que contribui para degradar a liberdade e a democracia em Portugal. A coisa é tão ridícula que até coloca um disclaimer antes do acesso aos caixotes do lixo. A indignação, portanto, é inconsequente e politicamente correcta, nada mais do que isso. Se a direcção editorial do DN estivesse minimamente preocupada com o lixo que abunda nas caixas de comentários do DN online, se o levasse mesmo a sério, nesse caso já teria tomado medidas. Mas como não são, por regra, os jornalistas que estão na linha da frente a levar com a merda toda em cima a coisa é-lhes relativamente indiferente.

domingo, 25 de agosto de 2013

Conversa da treta [1]

Paulo Baldaia caracteriza o 'comentário' que prolifera nas caixas de comentários na Internet como pornográfico e um autêntico campeonato de insultos. Como se sabe, não poderia estar mais de acordo. Acontece que Baldaia não é um mero elo anónimo e impotente na hierarquia do jornalismo em Portugal. Como director da TSF tem poder para actuar. O que fez até agora para eliminar o lixo que abunda nas caixas de comentários da TSF online? Ou será que a sua indignação é meramente retórica?
Na verdade, Baldaia convive bem com esse lixo que sabe existir nas caixas de comentários porque ele não é um alvo preferencial. Salvo casos muito circunstanciais, não é a sua reputação e o seu bom nome que são enxovalhados. (Curiosamente, num passado não muito distante Baldaia deu mostras de grande sensibilidade -- totalmente legítima, refira-se -- quando esteve em causa a sua reputação e a sua integridade profissional.)
Bem sei que o seu artigo era sobre o circuito e o poder do comentário em Portugal e não directamente sobre as caixas de comentários dos media online. Acontece que ando sem muita paciência para estas indignações da treta, ainda por cima de alguém que tem responsabilidades acrescidas e poder efectivo para mudar alguma coisa. Se quisesse.

Em destaque [18]

Loucos à solta

Morreu António Borges, mas não é sobre isso que quero escrever. Repare-se nos comentários que são deixados na notícia pelos cidadãos anónimos. Salvo algumas excepções, no essencial é tudo gente sem bom senso, para ser simpático, doida e desequilibrada, se quiser ser mais realista. Os jornais entendem que este lixo acrescenta valor ao seu produto, imagino que por um lado em nome de uma falsa noção de participação democrática alargada, e por outro muito simplesmente para maximizar os números de pageviews que depois serão apresentados a futuros anunciantes. Tão trogloditas são uns, como os outros.

Jornalismo de investigação

Do princípio ao fim. Tinha qualquer coisa para acrescentar sobre essa coisa antiga dos factos e da sua confirmação, mas entretanto esqueci-me. Fica para uma próxima oportunidade.

Pessoa normal

A propósito da pessoa normal, o que encontraria alguém -- digo alguém porque da comunicação social não espero tanto trabalho -- se se desse ao cuidado de rever todas as intervenções de Pedro Passos Coelho nos últimos dois anos? Quais os temas dominantes na hierarquia dos assuntos referidos pelo primeiro-ministro? O que é que recebeu pouca ou nenhuma atenção nas suas declarações públicas?
Regresso, inevitavelmente, ao seu gabinete e à necessidade de o rever.

Os sete magníficos

Acompanho Pedro Correia na estupefacção. Mesmo tendo em conta as circunstâncias excepcionais em que Portugal se encontra e a importância das decisões a tomar, a rapaziada não viu motivo relevante para mudar as suas rotinas e a sua vidinha. Assim, apenas sete magníficos iluminados tomarão decisões que, seja qual for o seu sentido, vão mexer com o nosso destino comum.
P.S. -- O Jornal de Negócios que não se esqueça de os colocar na lista dos mais poderosos da economia portuguesa.

sábado, 24 de agosto de 2013

Allez, allez, Sporting allez [2]

Início de campeonato a correr muito bem, seguramente acima das expectativas mais optimistas. Prontos para o derby da próxima semana, como é óbvio.
Foto: Francisco Leong (AFP via Público).

Confirmam-se as ambições presidenciais...

...de Manuel Carvalho da Silva?

Spin machine [2]

Ainda a propósito da máquina de spin do CDS, uma vez mais o Expresso e Filipe Santos Costa -- sempre ele -- são uma fonte única. Hoje, por exemplo, além da fotografia na capa em pose de reflexão profunda, ficamos a saber que Paulo Portas está instalado numa sala octogonal que -- caro leitor, prepare-se... --  "por pouco não é a 'sala oval'". Delicioso.
Mas há mais, muito mais, em dois artigos que, como sempre, são extremamente simpáticos para Portas. Com artigos destes nem vale a pena escrever press releases. Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba têm muito que aprender.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O 'banho' lusitano

Em São Tomé e Príncipe há uma prática clientelar muito visível nas campanhas eleitorais, conhecida localmente como 'banho'. Trata-se de uma prática politicamente condenável, típica de países subdesenvolvidos e de democracias imaturas, diriam alguns observadores. Algo a que Portugal, uma democracia consolidada, está imune, acrescentariam outros. Uns e outros não conhecem seguramente Luís Filipe Menezes.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Estágio obrigatório

Os defensores acríticos e acéfalos do Sistema Nacional de Saúde deveriam ser obrigados a frequentá-lo pelo menos uma vez a cada seis meses. Nos hospitais, em particular, deveriam ser obrigados por lei a um internamento anual de uma semana para aferirem in loco a qualidade do serviço.
Pessoalmente, tal como no caso da Justiça, só tenho pena de quem cai nas suas malhas e em particular daqueles que não se conseguem defender.
Infelizmente nem todos podem optar pelo sector privado.

Listen very carefully, I shall say this only once! [21]

Bruno Oliveira Martins, "Disclosed: EU Vulnerability. Taking US Mass Surveillance Seriously after the Snowden Affair" (IPRIS Viewpoints, No. 132, August 2013).

Pequenos raios de luz [6]

Mais um. E outro.

Em destaque [17]

Nassim Nicholas Taleb, Antifragile: Things that Gain from Disorder (Allen Lane, 2012).

Onde está o Crivelli?





Tal como Luís Aguiar-Conraria, também andei por Londres muito recentemente. Infelizmente, da National Gallery apenas consegui ver a fachada e o mais próximo que estive foi na Waterstones em Trafalgar Square. Portanto, quanto a quadros de Crivelli, zero...
Porém, com os cumprimentos dos meus dois filhos de onze de sete anos, em contrapartida vi esqueletos de dinossauros no Museu de História Natural, vi um filme em 3D no Museu da Ciência, fiquei a conhecer as áreas para crianças dos principais parques públicos, andei vezes sem conta no primeiro piso de autocarros, fui ao London Eye, passei nas imediações do Big Ben em múltiplas ocasiões, claro, e como não poderia deixar de ser fui também à Hamleys. Acresce que comi em McDonald's um número de vezes que não quero recordar. As melhores refeições, na opinião dos meus filhos. Obviamente, o render da guarda também fez parte da minha ementa londrina.
Fazendo um balanço provisório, os meus filhos dizem-me que andar de avião foi talvez aquilo que mais gostaram. Na próxima meto-os numa avioneta em Tires a dar voltas durante meia-hora. Julgo que me fica mais barato.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Questões de ADN

Como tem acontecido por diversas vezes ao longo deste Verão, na parte final da tarde tenho ido à Praia da Figueirinha na Serra da Arrábida. Se ainda tivesse dúvidas, elas teriam sido dissipadas: há uma estirpe de tuga que tem uma costela de javardo e uma falta de civismo que deve estar inscrita no ADN. Esta estirpe de tuga desconhece, por exemplo, a utilidade dos caixotes do lixo, ou as regras básicas de convivência em sociedade. Se comer um pêssego deixa o caroço na areia, porventura para ver se no próximo ano nasceu um pessegueiro. Se fumar dez cigarros legará aos vindouros as beatas, todas convenientemente plantadas no areal. Se trouxe uma embalagem de iogurte líquido ou de água deixará a tampa no local, eventualmente até a própria embalagem se nesse dia se sentir especialmente generoso. Esta estirpe de tuga é capaz de passar o dia na praia a jogar à bola, mas é geneticamente incapaz de dar alguns passos até ao caixote do lixo mais próximo.
Por razões que me parecem óbvias, creio que a Fundação Champalimaud deveria estudar urgentemente o seu ADN. Não porque ele esteja em vias de extinção, mas, receio, precisamente pela razão contrária.

Portugal, UE e o Egipto: o que fazer? [2]

Como seria de esperar, prevaleceu o mínimo denominador comum e a reacção mais limitada possível.

Em destaque [16]

Portugal, UE e o Egipto: o que fazer?

Rui Machete participa hoje na reunião do Conselho de Negócios Estrangeiros da UE para analisar a situação no Egipto. Em cima da mesa parece estar a possibilidade de se rever as relações com o Egipto. No essencial, rever não se sabe muito bem o quê, diga-se de passagem. Nas páginas do Financial Times, Gideon Rachman olhava ontem para o problema a partir do ângulo certo: daquilo que o Egipto necessita, em primeiro lugar e com maior urgência, é de estabilidade. É altamente provável que as diversas sensibilidades no seio da UE olhem para o que se está a passar no Egipto a partir de diferentes perspectivas e tenham visões muito distintas sobre aquilo que deve ser a abordagem europeia. O que significa que a UE muito provavelmente procurará um mínimo denominador comum, que passará por, entre outras coisas, reprovar a espiral de violência e criticar tanto os militares como os radicais islâmicos, fazer um apelo à estabilização política e ao regresso à transição democrática assim que possível, e ameaçar voltar ao assunto em nova reunião se tal se justificar. Em suma, um statement político sem grandes consequências substantivas imediatas e com o qual os militares egípcios podem conviver sem grandes dificuldades, mesmo que alguns programas de apoio da UE sejam suspensos.
Quanto a Portugal, estou certo que alinhará pelo diapasão minimalista. E ainda bem.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Um novo programa para a Grécia

O calvário grego continua imparável e durará ainda muitos e longos anos. Não é esse seguramente o caminho que queremos para Portugal. E é por isso que o nosso percurso é muito estreito. Prudência e realismo, precisa-se.

domingo, 18 de agosto de 2013

Pressão? [2]

Claro que é legítima. Não tenho a certeza se será, ou não, uma boa estratégia, mas é obviamente legítima.

sábado, 17 de agosto de 2013

Pressão?

Sim, talvez seja. Mas é também -- e sobretudo? -- um exercício de enumeração das consequências. A cada um as suas responsabilidades. O Tribunal Constitucional não é uma instituição apolítica e os seus elementos não são nomeados a partir do vácuo.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A propósito das caixas de comentários...

...que o Público, num esforço meritório, mas que antecipo inglório, tenta moderar, disciplinar, civilizar, regresso a Jorge de Sena e a um dos seus poemas citados no seu livro de entrevistas (p. 239):
"[Há gente] que está por cima e há outros mais abaixo
danados só de não estarem em cima"
Julgo que explica com relativa simplicidade por que motivo as caixas de comentários dos jornais online são infrequentáveis, e estão condenadas a sê-lo para sempre, incluindo as do Público.

Festa do Pontal

Conhecidos que foram os dados da economia portuguesa relativos ao segundo trimestre, de certo modo ganha acrescida importância -- ou melhor, maior visibilidade -- o discurso de amanhã de Pedro Passos Coelho na Festa do Pontal.
Como diz o provérbio, prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

E agora?

Pergunta Tavares Moreira. Bem, muito realismo e os pés bem assentes no chão, como é óbvio.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Contentamento descontente...

...é o do PS que treme que nem varas verdes com receio de que a economia recupere e que isso lhe estrague as hipóteses de êxito nas próximas eleições legislativas.

Em destaque [15]

"[A] gente quando ensina aprende muito. Às vezes até vamos ler coisas que nunca tínhamos lido, pela simples razão de que precisamos de tê-las lido", salienta Sena numa entrevista concedida em 1972 (p. 236).
Totalmente de acordo. Tenho lido muita coisa pela razão apontada por Sena. E, já agora, acrescento: quando escrevemos aprendemos muito, na medida em que o exercício da escrita ajuda/obriga a sistematizar argumentos. Por vezes, o ponto de chegada pouco ou nada tem que ver com aquilo que inicialmente se pensou que seria. Há argumentos que ficam pelo caminho, outros que entretanto se fazem de convidados. Inevitavelmente, no final sabe-se sempre mais e tem-se uma noção mais exacta daquilo que não se sabe. Mas tal como no ensino, aprende-se muito.
Jorge de Sena, Entrevistas 1958-1978 (Guimarães, 2013) [edição de Mécia de Sena e Jorge Fazenda Lourenço].

O fim da espiral recessiva?

Ninguém sabe. É ainda muito cedo para antecipar o que poderá acontecer no terceiro trimestre. Isto dito, na frente externa, as boas notícias de hoje tornam mais difíceis do que já eram as negociações com a troika. Por essa e por outras razões, no plano interno, o bom senso aconselha alguma prudência na gestão política destes dados.

[Adenda]
A interrogação correcta, no título, é a actual e não "o fim da recessão?" como, por lapso, estava originalmente.

Pequenos raios de luz [5]

Um desempenho trimestral da economia portuguesa acima de todas as previsões.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Em destaque [14]

Os National actuarão em Portugal em Novembro. Uma concerto a ter em conta?
Para já oiço o CD que lançaram este ano.

The National, Trouble Will Find Me

Um Estado com duas faces

O Estado português revela um empenho e um zelo em receber aquilo que lhe devem que é a todos os títulos notável. Infelizmente, quando se trata de pagar o empenho e o zelo é muitíssimo menor. Nesse capítulo não há cruzamento de bases de dados, ou investimento para melhorar a eficácia do sistema. Vamos longe, vamos, com esta atitude.

A lista

Como tem acontecido nos últimos anos, uma vez mais o Jornal de Negócios está a publicar diariamente um ranking dos mais poderosos em Portugal. Trata-se de um exercício subjectivo, que evidentemente não é para ser levado muito a sério, mas ainda assim que vou seguindo com alguma curiosidade. O ranking, mais do que a verdadeira hierarquia de poder em Portugal, inevitavelmente difícil de aferir, oferece-nos um instrumento que permite perceber uma determinada percepção do poder.

Palavras duras

Mas longe de constituírem uma injustiça.

BANIF: dar o exemplo [2]

Ontem, pela primeira vez desde que as acções do aumento de capital do BANIF estão a ser transaccionadas, os títulos fecharam a subir. Será que os brilhantes administradores anteriormente referidos aproveitaram uma vez mais a oportunidade para fazer mais uns cobres?
Afinal, a vidinha custa a todos e a sua confiança no futuro do banco não é à prova de bala. Como diz o povo, mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.
P.S. -- Uma dúvida: os editorialistas e os comentadores dos jornais de economia, sempre tão duros com os políticos, pronunciaram-se sobre isto, ou o assunto não lhes mereceu três segundos da sua preciosa atenção?

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Rui Machete, a FLAD e os EUA [2]

A propósito de baixa política, vil e soez, vale a pena ler o que escreveu Correia de Campos. Começa a ser curioso que a defesa de Machete, por assim dizer, surja pela mão de pessoas do PS, ou próximas do PS, e não por figuras relevantes do PSD. Na linha de Churchill, diria que essas estão no campo dos inimigos e não dos adversários.
P.S. -- António Capucho, uma vez mais, é patético, e a memória aconselha uma certa dose de paciência.

Em destaque [13]

Gary Clark Jr., Blak and Blu

domingo, 11 de agosto de 2013

Allez, allez, Sporting allez

Prontos para iniciar a época 2013/2014...
Foto: Rui Gaudêncio (Público).

Em destaque [12]

João Pedro George, O que é um escritor maldito? (Verbo, 2013).

Se o primeiro-ministro...

...estivesse a desempenhar funções oficiais nada haveria para dizer. O protesto seria totalmente legítimo. Estando de férias, o protesto ultrapassa a fronteira do razoável, como qualquer pessoa com um mínimo de bom senso percebe.

Vil e soez

"Quando o PS voltar ao Governo, se essa lei ainda estiver em vigor, será uma das primeiras leis que nós revogaremos para devolver essa parte dessas pensões e dessas reformas aos portugueses que a merecem", disse António José Seguro.
Quem governa está permanentemente a estabelecer equilíbrios entre diferentes prioridades. Seguro, obviamente, pode dar primazia a um mix diferente do actual Governo. Pode e deve, uma vez que o PS se deve afirmar como alternativa governativa. E se o PS ganhar as próximas eleições legislativas terá legitimidade política para rever as prioridades, como é óbvio (ainda que altamente constrangido pelo quadro externo e pela situação do país).
Dito isto, é politicamente pouco sério dar as boas notícias e omitir as más. Diria até que é desonesto. Seguro afirma que revogará a lei. Certo. Está no seu direito. Mas os bens são escassos. Para o fazer terá de incorporar no seu Orçamento do Estado esse acréscimo de despesa. Logo, o PS vai aumentar impostos ou cortar na despesa? Muito concretamente, que despesa específica pensa o PS cortar?
A alguém que repudia a política vil e soez exige-se total seriedade política nas promessas que faz. Total transparência. Se o actual -- e os futuros governos -- têm obrigatoriamente de colocar a despesa do Estado em níveis sustentáveis, como é que Seguro se propõe alcançar esse objectivo?

sábado, 10 de agosto de 2013

Spin machine

Nenhum jornal se compara ao Expresso -- again, sorry... -- se se quiser ler o spin puro e duro do CDS. O leitor, se tiver paciência, consulte as notícias assinadas por Filipe Santos Costa (FSC) -- o último ano é suficiente -- e depois diga-me se não concorda comigo. Friendly, mais friendly não há...
O artigo desta semana -- co-assinado por FSC -- é particularmente delicioso. Cito: "Ao que o Expresso apurou, Paulo Portas, que estava a chefiar o Governo durante o descanso do PM, não só não ficou melindrado com o regresso pontual de Passos, como o agradeceu, por considerar que tinha de ser o chefe do Governo a forçar cortes de despesa que alguns ministros resistiam a aceitar (...)."
Delicioso, caro leitor, não acha?
Desengane-se, portanto, quem poderia ter pensado que Portas ficou melindrado. Não ficou. Portas não é homem para se melindrar com tão pouco. Mais. Até ficou extremamente agradecido pelo regresso surpresa do primeiro-ministro. A gratidão de Portas é irrevogável, note-se.
Infelizmente, no melhor spin cai a nódoa. Sem querer, o artigo revela-nos um vice-primeiro-ministro sem força política e sem autoridade sobre parte do Governo, algo que manifestamente não era a intenção da fonte.
Resta-me aguardar pelo artigo de FSC na próxima semana. Estou certo que não me defraudará e que Portas, como sempre, também não ficará melindrado, podendo aliás ficar extremamente agradecido. Uma vez mais.

Iliteracia

Regresso ao Expresso, uma vez mais. Ricardo Costa afirma que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas "parecem sofrer de iliteracia financeira e de gestão". Sofremos todos, uns mais e outros menos, de diferentes formas de iliteracia e de ignorância. A começar por mim, naturalmente, e a terminar em Ricardo Costa. Bem vistas as coisas, quem atira a primeira pedra a Passos e a Portas?

Ainda Pais Jorge

1. Poucas pessoas terão tido conhecimento da presença de Pais Jorge em reuniões a representar o Citigroup em S. Bento.
2. Poucas pessoas terão tido acesso ao documento que foi proposto.
3. Menos ainda serão aquelas que se recordam de factos ocorridos há oito longos anos.
4. Por último mas não em último, contam-se seguramente pelos dedos de uma mão aqueles que, de 1, 2 e 3, teriam politicamente alguma coisa a ganhar com a divulgação dessa informação.

Critérios [3]

Primeira página do Expresso: "Pais Jorge entregou privatização ao Citigroup" e acrescenta ainda na capa "Enquanto presidente da Parpública, o secretário de Estado entregou ao banco onde trabalhou 19 anos a operação de venda da EGF".
Quem leu apenas a primeira página tirará as ilacções que entender com base nesta informação. Não é difícil de antever quais serão...
O leitor que leia o título da notícia na página 5 encontrará o seguinte: "Pais Jorge deu privatização dos resíduos ao Citi". Com o seguinte lead: "O Citigroup foi escolhido para assessorar o Estado na EGF quando Pais Jorge era presidente da Parpública. Receberá um preço mais elevado que o português BIG".
Em suma, as ilacções a tirar estão em linha com a capa..
Isto dito, para a minoria persistente -- e é de uma minoria que estamos a falar -- que leia a notícia na íntegra, o penúltimo parágrafo é aquele que verdadeiramente interessa. Cito: "O Expresso sabe que o Citi se candidatou também a outras operações, como a privatização dos CTT ou a venda de 4% da EDP em bolsa, consideradas 'bem mais interessantes' do que a EGF, mas não foi escolhido".
Não foi escolhido, presume-se, por Pais Jorge. Ou seja, o Citigroup, tanto quanto se percebe da notícia, não foi nem beneficiado nem prejudicado por Pais Jorge. Em suma, qual era mesmo a notícia?
Sejamos muito claros. O Expresso acusa directa e frontalmente Pais Jorge de ter beneficiado o Citigroup? Sim ou não? Em alternativa, o jornal defende que o Citigroup, enquanto Pais Jorge fosse presidente da Parpública, deveria ser objectivamente prejudicado pelo facto de a instituição ser liderada por um seu ex-funcionário? Sim ou não? Qual é, afinal, a posição -- e a notícia -- do jornal?

O abominador selectivo

António José Seguro abomina a baixa política. Compreendo. Excepto se o alvo for o Governo. Nesse caso vale tudo, incluindo arrancar olhos.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Diácono Remédios

Carlos Zorrinho não sabe participar no debate político de outro modo. Ciclicamente regressa ao terreno da ética, do carácter e da moral. O líder da bancada parlamentar do PS, em vez de político, devia ter ido para sacristão.

Critérios [2]

Não digam nada ao Público...

Uma estrada nos dois sentidos [2]

Resposta rápida do PS, mas que está longe de encerrar o assunto.
Imagino que estamos a assistir a uma espécie de olho por olho, dente por dente. O PSD provavelmente acredita que partiu da antiga equipa de Sócrates o ataque a Pais Jorge e decidiu responder na mesma moeda. Seguro, um líder frágil, como se sabe, não tocará nos homens de Sócrates que o rodeiam. Uma vez mais, o partido em primeiro lugar.

Uma estrada nos dois sentidos

Depois da defesa atabalhoada, por fim o ataque. António José Seguro vai ter de meter as mãos na massa.

Critérios

Diário Económico e Jornal de Negócios destacam o crescimento das exportações no segundo trimestre. Percebe-se a lógica, uma vez que os dados costumam ser apresentados trimestralmente e analisados desse modo. O Público, porém, prefere destacar a sua queda em Junho. Compreendo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Rui Machete, a FLAD e os EUA

Não posso deixar de referir o artigo de Fernando Neves sobre Rui Machete e a FLAD que, no essencial, assino por baixo (clicar na imagem para ler). Haverá seguramente críticas que poderão ser feitas ao trabalho de Machete na FLAD. Ninguém está isento de críticas, naturalmente. Mas utilizar como ponto de partida um cable de um embaixador norte-americano é pouco sério e até ridículo.
Que a defesa, por assim dizer, de Rui Machete tenha sido feita por Fernando d'Oliveira Neves é tanto mais significativo porque o antigo embaixador, além de ter sido um peso-pesado da diplomacia portuguesa, foi secretário de Estado de um Governo do PS. Tal como Fernando Neves, também fico satisfeito por saber que o ministro dos Negócios Estrangeiros não hesita em afrontar terceiros, se o interesse nacional o justificar. Há quem, pelos vistos, preferisse o contrário.

Pequenos raios de luz [4]

Mais um.

BANIF: dar o exemplo

Muito interessante. Um número significativo de administradores do BANIF prefere o lucro imediato de curto-prazo em detrimento de uma aposta de longo-prazo na valorização das acções do banco que administram. Parece-me um sinal inequívoco da confiança que depositam no seu próprio trabalho enquanto administradores do BANIF. Por mim, se me chamasse Jorge Tomé ou fosse um dos grandes accionistas do banco, tinham guia de marcha o mais rapidamente possível.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um convite que não deveria ter existido

Ainda que se perceba o intuito básico, o convite constitui um erro. Por uma simples razão. O PSD está a dar o palco mediático ao PS. Ainda que não o tenha feito de forma imediata, é óbvio que António José Seguro não terá problema algum em manifestar satisfação pela descida do desemprego (ao mesmo tempo que retirará mérito ao Governo nesse resultado). Aproveitará de seguida o palco mediático que o PSD lhe deu, por iniciativa própria, para dizer também aquilo que quer. Um convite que é um disparate de principiantes, em suma.

Reparou?

A novela Pais Jorge durou uma semana. Nestes longos sete dias, que tenha reparado, e ao contrário do que sucedeu noutros episódios do passado recente, não houve fontes do CDS a expressar na comunicação social o seu mal-estar. O silêncio foi de ouro...

Joaquim Pais Jorge [5]

O Governo detectou que o documento foi manipulado. E terá descoberto também que no essencial e na substância se confirmava tudo o resto. Com ou sem manipulação grosseira de alguns detalhes, a realidade é que Pais Jorge esteve nas reuniões em que o Citigroup oferecia ao Governo de Portugal um mecanismo para embelezar as contas. Nada a fazer se o actual Governo não percebe o impacto disto na credibilidade do secretário de Estado para desempenhar essa função.
Estamos a começar muito mal o novo ciclo.

[Adenda]
Finalmente, por um lado. Tarde, muito tarde, por outro.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

domingo, 4 de agosto de 2013

Joaquim Pais Jorge [3]

The show goes on. Luís Marques Mendes tem toda a razão quando aponta a porta de saída a Pais Jorge.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Joaquim Pais Jorge [2]

O inevitável desmentido, como não poderia deixar de ser.

Joaquim Pais Jorge [1]

Aguarda-se pelo inevitável desmentido, ou pela obrigatória clarificação, da notícia publicada pela Visão. É que a ser verdade o que vem noticiado, assim sem mais nem menos, Joaquim Pais Jorge ficaria numa posição politicamente insustentável.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

As coisas são...

...o que são.

Subscrevo

Não tiro, nem acrescento, uma vírgula.

Os desígnios insondáveis dos critérios

Na última remodelação governamental, Agostinho Branquinho foi nomeado para a secretaria de Estado da Segurança Social. Sem surpresas, a Ongoing apareceu logo na conversa. Como sempre, julgo. Tenho a impressão que não deve haver notícia sobre Agostinho Branquinho em que não surja logo o nome da Ongoing. Por mim tudo bem. Agostinho Branquinho trabalhou, de facto, na empresa e, nessa medida, a informação pode ser considerada relevante do ponto de vista jornalístico.
O que já me causa alguma confusão é a aparente duplicidadade de critérios, sem que se consiga encontrar uma justificação aceitável. Um exemplo. Carlos Costa Pina, secretário de Estado do Tesouro nos governos de José Sócrates, a determinada altura também foi contratado pela Ongoing. Curiosamente, no seu caso, nesta como noutras notíciasé como se essa passagem pela empresa não existisse.
O que explica a duplicidade de critérios? A filiação partidária? Qualquer outro motivo que não consigo identificar?