José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Luz ao fim do túnel
France and Italy sought to boost confidence that Europe can tackle its debt crisis, with Mario Monti saying he sees "light at the end of the tunnel" for the eurozone.
(...) France and Italy "are determined to do everything to protect" the euro, François Hollande and Monti said in a joint statement, praising recent remarks by European Central Bank chief Mario Draghi suggesting ECB intervention. Hollande said the eurozone must be "defended, preserved and consolidated" and hailed "very significant progress in recent weeks".
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As metas que deslizam
O cumprimento dos objetivos orçamentais "para a receita fiscal e para a Segurança Social já não parece possível" tendo em conta os números da execução orçamental, afirma a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).
Nada me leva a pensar que a UTAO está errada. Partindo dessa base, e tendo em conta que aumentar mais ainda a carga fiscal seria suicídio político, temos duas possibilidades. A primeira exige que o Governo aceite aquilo que publicamente tem recusado: mais tempo, i.e. rever as metas calendarizadas com a troika. Se tiver de o fazer -- ainda que formalmente até possa alegar que a iniciativa partiu de Bruxelas -- tal implica riscos políticos muito sérios para Pedro Passos Coelho.
A segunda possibilidade passa por encontrar novas receitas extraordinárias. Onde? Eis a grande questão. Talvez um imposto extraordinário sobre o património/riqueza, defendido por exemplo por Vital Moreira ou Miguel Cadilhe?
Seria, se possível e exequível, a minha primeira opção.
P.S. -- Neste quadro de incerteza, imagine-se como será preparar o Orçamento do Estado para 2013...
Nada me leva a pensar que a UTAO está errada. Partindo dessa base, e tendo em conta que aumentar mais ainda a carga fiscal seria suicídio político, temos duas possibilidades. A primeira exige que o Governo aceite aquilo que publicamente tem recusado: mais tempo, i.e. rever as metas calendarizadas com a troika. Se tiver de o fazer -- ainda que formalmente até possa alegar que a iniciativa partiu de Bruxelas -- tal implica riscos políticos muito sérios para Pedro Passos Coelho.
A segunda possibilidade passa por encontrar novas receitas extraordinárias. Onde? Eis a grande questão. Talvez um imposto extraordinário sobre o património/riqueza, defendido por exemplo por Vital Moreira ou Miguel Cadilhe?
Seria, se possível e exequível, a minha primeira opção.
P.S. -- Neste quadro de incerteza, imagine-se como será preparar o Orçamento do Estado para 2013...
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É a vida
Felizmente, nem tudo são más notícias. No dia em que é anunciado que a taxa de desemprego subiu para 15,4%, sabe-se igualmente que descem as taxas Euribor. A luz ao fim do túnel, infelizmente, ainda é ténue, mas já se sabia aquilo que nos esperava. É a vida, diria António Guterres.
Orçamento do Estado [2]
"Existem já poucas dúvidas no PS de que o Orçamento do Estado para 2013 será o momento que a direcção de António José Seguro aguardava para romper com o consenso político resultante do memorando da troika. O voto contra o exercício orçamental do próximo ano é dado como praticamente incontornável no secretariado nacional, na direcção parlamentar e entre vários deputados" (Diário Económico).
Não sei se "existem já poucas dúvidas", mas percebe-se facilmente o dilema de Seguro. Isto dito, se votar contra, o PS vai ter muito trabalho pela frente para explicar o sentido do seu voto. Como referia ontem Vital Moreira, "só em em condições excepcionais é que o PS deve[ria] equacionar a hipótese de votar contra [o Orçamento do Estado para 2013]" (Jornal de Negócios, 30.7.2012). Não vejo que condições excepcionais justifiquem, neste momento, um voto contra. Vejo razões de ordem táctica para votar contra o Orçamento do Estado para 2013, vejo razões de ordem pessoal relacionadas com a sobrevivência da liderança do PS, mas não vejo nenhum motivo relacionado com o interesse nacional.
Não sei se "existem já poucas dúvidas", mas percebe-se facilmente o dilema de Seguro. Isto dito, se votar contra, o PS vai ter muito trabalho pela frente para explicar o sentido do seu voto. Como referia ontem Vital Moreira, "só em em condições excepcionais é que o PS deve[ria] equacionar a hipótese de votar contra [o Orçamento do Estado para 2013]" (Jornal de Negócios, 30.7.2012). Não vejo que condições excepcionais justifiquem, neste momento, um voto contra. Vejo razões de ordem táctica para votar contra o Orçamento do Estado para 2013, vejo razões de ordem pessoal relacionadas com a sobrevivência da liderança do PS, mas não vejo nenhum motivo relacionado com o interesse nacional.
Unfriendly fire
"Quem vê de fora constata que o PS não tem tido uma prestação que o identifique como alternativa [ao Governo]", disse José Lello (Público).
segunda-feira, 30 de julho de 2012
E se a crise europeia impedisse a reeleição de Obama?
Quentin Peel and James Fontanella-Khan, "Schäuble and Geithner urge reforms" (Financial Times):
"The US Treasury secretary and Germany's finance minister called for continued reform efforts to stabilise the global and European economies (...). Tim Geithner and Wolfgang Schäuble issued a joint statement expressing their confidence in the efforts of the eurozone member states to reform and move towards greater integration (...). (...) Officials in Berlin recognise growing concern in the US administration that any worsening of the eurozone crisis could harm Barack Obama's chances of being re-elected in November".
"The US Treasury secretary and Germany's finance minister called for continued reform efforts to stabilise the global and European economies (...). Tim Geithner and Wolfgang Schäuble issued a joint statement expressing their confidence in the efforts of the eurozone member states to reform and move towards greater integration (...). (...) Officials in Berlin recognise growing concern in the US administration that any worsening of the eurozone crisis could harm Barack Obama's chances of being re-elected in November".
Orçamento do Estado
Carlos Zorrinho: "No ano passado tínhamos vindo de eleições e, portanto, independentemente da qualidade intrínseca do orçamento, achámos que era muito importante a abstenção. Agora, vamos avaliar o orçamento pelo seu valor intrínseco. Ele pode merecer o voto favorável, a abstenção ou o voto contra" (Diário Económico).
Vital Moreira: "A questão é saber se o PS encontra motivos suficientes para votar a favor, contra ou se abster. (...) Um voto contra correria o risco de ser interpretado como um voto contra a consolidação orçamental. (...) Só em em condições excepcionais é que o PS deve equacionar a hipótese de votar contra" (Jornal de Negócios).
Les jeux ne sont pas faits
Olhando para algumas reacções às declarações de António Costa até parece que o presidente da CML será secretário-geral do PS no dia em que assim entender. Não é por nada, mas parece-me precipitado escrever desde já o óbito político de António José Seguro. Igualmente importante: até parece que Francisco Assis ficará impávido e sereno a ver as manobras políticas de terceiros.
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Uma questão de carácter
Carlos Zorrinho entende que é nesse plano que deve ser colocada a polémica que envolve Miguel Relvas, sem entrar em detalhes sobre que polémica em particular se está a referir. Fala mesmo em "entorse de carácter" (Diário Económico).
A referência ao carácter enquanto arma política é algo que me repugna. Não é uma posição de hoje. Lamento que Zorrinho vá por esse caminho.
Sair de rastos
Marcelo Rebelo de Sousa advertiu que o PSD não pode sair de rastos das eleições autárquicas em 2013 e admitiu igualmente a possibilidade de Pedro Passos Coelho não se recandidatar em 2015.
Tudo isto, claro, não passa de especulação, pura e dura. Obviamente, o êxito ou o fracasso do Primeiro-Ministro ditarão em larga medida a sua decisão de se recandidatar. À partida, e a esta distância, não vejo nenhuma razão para que não se recandidate. Mais curiosa é a percepção de que o PSD está condenado a ter um mau resultado autárquico em virtude das medidas impopulares do Governo. Como se as autarquias não tivessem dinâmicas próprias, ou se a escolha dos candidatos fosse irrelevante. Mais. Admitindo a possibilidade de o PSD poder vir a ter um resultado pouco satisfatório, não vejo por que motivo tal tenha de ter implicações ao nível governativo. Não foi assim no passado e não vejo porque tenha de ser assim no futuro.
Tudo isto, claro, não passa de especulação, pura e dura. Obviamente, o êxito ou o fracasso do Primeiro-Ministro ditarão em larga medida a sua decisão de se recandidatar. À partida, e a esta distância, não vejo nenhuma razão para que não se recandidate. Mais curiosa é a percepção de que o PSD está condenado a ter um mau resultado autárquico em virtude das medidas impopulares do Governo. Como se as autarquias não tivessem dinâmicas próprias, ou se a escolha dos candidatos fosse irrelevante. Mais. Admitindo a possibilidade de o PSD poder vir a ter um resultado pouco satisfatório, não vejo por que motivo tal tenha de ter implicações ao nível governativo. Não foi assim no passado e não vejo porque tenha de ser assim no futuro.
domingo, 29 de julho de 2012
Muito feliz, naturalmente
"Sou naturalmente um líder muito feliz porque há muita qualidade em muitos dirigentes do Partido Socialista e também no dr. António Costa, naturalmente, como é normal", respondeu António José Seguro.
O que mais poderia dizer?
O que mais poderia dizer?
Momento crucial
Jean-Claude Juncker (Le Figaro):
"Nous sommes arrivés à un point crucial. Mais il reste à préciser le rythme et la mesure. Nous agirons ensemble avec la BCE, sans toucher à son indépendance. Quand je dis "nous", il s'agit du fonds de sauvetage FESF, c'est-à-dire des dix-sept gouvernements".
"Nous sommes arrivés à un point crucial. Mais il reste à préciser le rythme et la mesure. Nous agirons ensemble avec la BCE, sans toucher à son indépendance. Quand je dis "nous", il s'agit du fonds de sauvetage FESF, c'est-à-dire des dix-sept gouvernements".
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A maior ameaça
Quentin Peel, "Schäuble view on eurozone at odds with US" (Financial Times):
"Wolfgang Schäuble, Germany's finance minister, has dismissed speculation about any Spanish request for eurozone support in buying its sovereign bonds, and ruled out making more concessions to help Greece, on the eve of talks on the eurozone crisis with Tim Geithner, US Treasury secretary.
The tough German resistance to launching any new initiative in the two most embattled member states of the eurozone looks set to clash with Washington's constant appeal for action to stem contagion in the crisis.
In evidence to the US Congress last week, Mr Geithner said the eurozone crisis was the "greatest danger" for the US economy, urging European leaders once again to act swiftly and credibly in dealing with it".
"Wolfgang Schäuble, Germany's finance minister, has dismissed speculation about any Spanish request for eurozone support in buying its sovereign bonds, and ruled out making more concessions to help Greece, on the eve of talks on the eurozone crisis with Tim Geithner, US Treasury secretary.
The tough German resistance to launching any new initiative in the two most embattled member states of the eurozone looks set to clash with Washington's constant appeal for action to stem contagion in the crisis.
In evidence to the US Congress last week, Mr Geithner said the eurozone crisis was the "greatest danger" for the US economy, urging European leaders once again to act swiftly and credibly in dealing with it".
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Incontestável [2]
Carlos Zorrinho afirmou que era incontestável que seria António José Seguro o candidato do PS à liderança do Governo. Ainda não passou uma semana e António Costa relembra que tem qualidades para ser secretário-geral do PS. A lista de militantes socialistas que consideram ter essas qualidades inclui também Francisco Assis, caso contrário não se tinha candidatado anteriormente.
Incontestável, disse Zorrinho?
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sábado, 28 de julho de 2012
Ter que explicar
O líder do PS defendeu que o Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, tem que explicar o que falhou na "receita" da austeridade do Governo para que o "objectivo central" de fixar o défice de 2012 em 4,5% esteja "em risco". Segundo António José Seguro, o "compromisso com a troika compromete todos os portugueses responsáveis e, em particular, o líder do PS com as metas", mas, salientou, "completamente diferentes são os caminhos para lá chegar".
Seguro continua a insistir que, naquilo que é essencial, tem um caminho alternativo. Trata-se de uma ficção política em que ninguém com bom senso acredita, mas em que Seguro tem de insistir por motivos óbvios. Acresce que o líder do PS quer explicações. Na verdade, Seguro não quer explicações, mas sim tentar transmitir que o Governo está em vias de fracassar. Tudo isto não passa de espuma sem substância.
Seguro continua a insistir que, naquilo que é essencial, tem um caminho alternativo. Trata-se de uma ficção política em que ninguém com bom senso acredita, mas em que Seguro tem de insistir por motivos óbvios. Acresce que o líder do PS quer explicações. Na verdade, Seguro não quer explicações, mas sim tentar transmitir que o Governo está em vias de fracassar. Tudo isto não passa de espuma sem substância.
Janela Lusófona [3]
1. Numa altura em que a CPLP e a CEDEAO/ECOWAS se desentenderam no Conselho de Segurança através de Portugal e da Costa do Marfim, a União Africana (UA/AU) reafirma que as sanções relativas aos autores do golpe de Estado na Guiné-Bissau continuam em vigor. A falta de sintonia entre a UA e a CEDEAO/ECOWAS é indisfarçável. Menos visível, mas igualmente presentes, são as fissuras dentro da própria CEDEAO/ECOWAS. O tempo tudo clarificará.
2. O presidente da Assembleia Nacional, Evaristo de Carvalho rejeitou a moção de censura introduzida pelo MLSTP contra o Governo de Patrice Trovoada em São Tomé e Príncipe. The game's isn't over until it's over...
2. O presidente da Assembleia Nacional, Evaristo de Carvalho rejeitou a moção de censura introduzida pelo MLSTP contra o Governo de Patrice Trovoada em São Tomé e Príncipe. The game's isn't over until it's over...
Uns míseros euros
"É por uns míseros euros que vamos extinguir uma freguesia?"
Esta pergunta de António José Seguro ilustra bem uma certa cultura política. Uma certa cultura política e a sua relação com os impostos. São sempre uns míseros euros. Mais impostos ou menos impostos, os euros, os tais míseros euros, são ilimitados. Foi à custa de míseros euros, atrás de míseros euros, que chegámos à actual situação.
Seguro sabe muito bem que se fossem apenas uns míseros euros seguramente que uma freguesia não seria encerrada. O problema é que não são apenas uns míseros euros. Mais. O líder do PS sabe igualmente que a reforma da Administração Local há muito que deveria ter sido feita e que isso não tem que ver apenas, ou sobretudo, com critérios estritamente financeiros. Mas, enfim, há que criar bandeiras políticas. As eleições autárquicas em 2013 podem vir a ser uma questão de vida ou morte política para Seguro. Nessa medida, há que mobilizar todos os votos possíveis, custe o que custar.
Esta pergunta de António José Seguro ilustra bem uma certa cultura política. Uma certa cultura política e a sua relação com os impostos. São sempre uns míseros euros. Mais impostos ou menos impostos, os euros, os tais míseros euros, são ilimitados. Foi à custa de míseros euros, atrás de míseros euros, que chegámos à actual situação.
Seguro sabe muito bem que se fossem apenas uns míseros euros seguramente que uma freguesia não seria encerrada. O problema é que não são apenas uns míseros euros. Mais. O líder do PS sabe igualmente que a reforma da Administração Local há muito que deveria ter sido feita e que isso não tem que ver apenas, ou sobretudo, com critérios estritamente financeiros. Mas, enfim, há que criar bandeiras políticas. As eleições autárquicas em 2013 podem vir a ser uma questão de vida ou morte política para Seguro. Nessa medida, há que mobilizar todos os votos possíveis, custe o que custar.
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