sábado, 11 de agosto de 2012

Quanto chega? [6]

"For if growth turns out to be sustainable after all, as it well might, then those whose opposition to it was based solely on its unsustainability will have nothing left to say. (...) Extremists have always relied on the exploitation of fear to achieve their ends. Our own aspiration is to persuade by joy, to present a vision of the good life as one to be pursued not from guilt or fear of retribution but in happiness and hope. (...) We agree that, for the affluent world, growth is no longer a sensible goal of long-term policy. But we regard this as an ethical truth, not as a conclusion from scientific fact. The problems of global warming, serious as they are, do not on their own require us to abandon growth. (...) The argument from global warming to growth reduction typically takes a utilitarian form. (...) To sum up: the environmentalist case for growth reduction cannot be explained as a pragmatic response to known facts. It betrays a passion, a will to believe, to which the facts are incidental."

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Pessoa dixit [13]

"Do indivíduo temos que partir, ainda que seja para o abandonar."

Mais reformas estruturais

O Banco Central Europeu (BCE) recomenda aos países da zona euro sob assistência financeira que avancem com mais reformas estruturais para restaurarem a competitividade e sugere, entre outras medidas possíveis, que se baixe o salário mínimo (ver página 62).
Se o BCE não se importar, em nome do bom senso, talvez seja melhor deixar o pobre do salário mínimo sossegado, e concentrarmo-nos nas outras medidas, nomeadamente ao nível da produtividade e da flexibilidade.

Perder o respeito

"[A entrevista de Vital Moreira] veio pôr a nu o discurso oficial do PS para consumo interno.
Quem a leia, fica com a sensação clara de que as posições dos socialistas estão a ser determinadas por mesquinhas razões politiqueiras, sem lógica nem grandeza.
Antonio José Seguro está a ser arrastado pelas franjas mais radicais e demagógicas do seu partido -- e com isso está a perder o respeito das pessoas mais sérias e responsáveis do país. (José António Saraiva, Sol, 10.8.2012: 2)"

Rever a sua posição

O PS exortou o Governo a "rever a sua posição" e a defender um reforço do papel do Banco Central Europeu (BCE) através da compra directa de dívida pública, o que "beneficiaria imediatamente" a situação portuguesa, afirmou João Assunção Ribeiro, membro do secretariado nacional socialista.
Rever a sua posição? Mas o Governo alguma vez afirmou publicamente que era contra o reforço do papel do BCE?
João Assunção Ribeiro sabe muito bem que, na substância, o Governo não diverge do PS nesta matéria. E sabe igualmente que, nas actuais circunstâncias, o Governo entende que não tem nada a ganhar em pressionar publicamente a Alemanha e Angela Merkel em particular.
Alguém acredita que o PS faria algo de muito diferente se estivesse actualmente no Governo?

Quanto chega? [5]

"Generally speaking, happiness is good only where it is due; where sadness is due, it is better to be sad. To make happiness itself, independent of its objects, the chief goal of government is a recipe for infantilization (...). We do not want to banish engineers of growth only to see them replaced by the engineers of bliss. (...) To go from the pursuit of growth to the pursuit of happiness is to turn from one false idol to another. Our proper goal, as individuals and as citizens, is not just to be happy but to have reason to be happy. To have the good things of life -- health, respect, friendship, leisure -- is to have reason to be happy. To be happy without these things is to be in the grip of a delusion: the delusion that life is going well when in fact it is not."

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Uma boa pergunta

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva termina com uma questão: "E por que não pôr o BCE a comprar já títulos de dívida irlandeses e portugueses?"
Ora, nem mais. Como já referi, o Presidente da República percebeu há algum tempo que as questões europeias e a crise do euro são um nicho no qual tem mais espaço para intervir no espaço público. A sua pergunta, aparentemente inocente, tem forte conteúdo político. Uma boa intervenção, em suma.

Vaticínios falhados

Não faltou quem manifestasse os piores receios quanto aos processos de transição para a democracia na Tunísia, Líbia e Egipto. Por razões diversas, a democratização destes três países estava condenada ao fracasso, diziam os mais pessimistas. Porém, ignorando as piores expectativas, a verdade é que com maior ou menor dificuldade a estabilização e a democratização destes países vai fazendo o seu caminho. Em parte, aliás, para minha própria surpresa, constato por exemplo que na Líbia a evolução interna tem sido francamente notável. É claro que nada está garantido e estamos ainda muito longe de ter democracias liberais nestes países. Isto dito, quem diria que na Líbia, por exemplo, as eleições seriam ganhas pelos liberais?
Os acontecimentos no Magrebe lembram-nos uma vez mais, caso fosse necessário, que devemos ter a humildade de reconhecer que a nossa capacidade de prever o futuro tem grandes limitações. Podemos elaborar cenários, traçar opções possíveis, mas a interacção das variáveis e o seu resultado é algo que não controlamos. Podemos tentar influenciar o desfecho, mas não temos garantias nenhumas de que isso funcione como queremos.
Regresso repetidamente a José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.

Pessoa dixit [12]

"Sê plural como o universo!"

Janela Lusófona [7]

1. Vítor Ângelo, antigo secretário-geral adjunto das Nações Unidas para a Paz e Segurança, alertou para a necessidade de se não deixar caír a Guiné-Bissau no esquecimento. O alerta compreende-se, mas não me parece ser o risco principal neste momento. Julgo que foi dito algo mais importante, mas que o entrevistador não deu o devido destaque: "é preciso que o Brasil tenha um papel muito mais activo no quadro da CPLP e também no quadro das Nações Unidas na tentativa de resolução dos problemas da Guiné-Bissau" (Rádio Vaticano, 6.8.2012). Vítor Ângelo toca em algo que tem passado à margem do olhar dos analistas, i.e. o pouco empenho diplomático do Brasil nesta questão, apesar de a embaixadora brasileira, Maria Luiza Viotti, presidir à Comissão de Configuração para a Manutenção da Paz na Guiné-Bissau. Ora, admitindo que Viotti poderá estar de partida de Nova Iorque, o alerta talvez se perceba ainda melhor.
2. A estratégia de penetração política e económica brasileira em África não passa despercebida. Contudo, o Brasil terá que repensar a sua abordagem se quiser ser realmente um parceiro estratégico de países como Angola e Moçambique. Os parceiros estratégicos apoiam-se uns aos outros nos bons e nos maus momentos. A forma como Brasília se tem empenhado, de forma pouco relevante, na gestão da crise na Guiné-Bissau seguramente que não tem sido ignorada em Luanda. Aparentemente, o Brasil procura evitar confrontos diplomáticos com a Nigéria e a CEDEAO/ECOWAS, tendo como pano de fundo a situação na Guiné-Bissau, uma vez que isso colide com a sua estratégia global de penetração no continente africano e na África Ocidental em particular. Acontece que há alturas em que é necessário fazer escolhas. Tão simples como isto.

Quanto chega? [4]

Chapter 3: The Uses of Wealth
"For all its vestigial resonance, the idea of the good life no longer forms part of public discussion in the Western world. Politicians argue their case in terms of choice, efficiency or the protection of rights. (...) The effect of this development has been to release the acquisitive instinct from all fixed bounds. If there is no such thing as the good life, then acquisition has no absolute goal, only the relative one of 'as much as' or 'more than' the others. (...) Positional struggle is our fate. If there is no right place to be, it is best to be ahead. How can we explain the eclipse of the good life? (...) The eclipe of the good life explains the endless expansion of wants. A tendency to insatiability has always been recognized, but was previously held in check by prohibitions and countervailing ideals. Those prohibitions and ideals have now vanished. Detached from any vision of the human good, and fomented by envy and boredom, wants multiply like the heads of the mythical Hydra."

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pessoa dixit [11]

"Ninguém entende ninguém. Tudo é interstício e acaso, mas está tudo certo".

Momento Monty Python

O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, defendeu que o "falhanço" da política energética é "um dos principais factores" que explicam o "aumento desmesurado do desemprego".
Perante a  clara ineficácia e ineficiência do PS no último ano na oposição, aparentemente Zorrinho decidiu adoptar agora uma abordagem com tons surrealistas. E não se riu quando disse o que disse, o que é ainda mais notável.

Quanto chega? [3]

"Keynes was deeply ambivalent about capitalist civilization. It was a civilization which unleashed bad motives for the sake of good results. Morality had to be put in cold storage till abundance was achieved, for abundance would make possible a good life for all. (...) Marx presented a compelling case for why capitalism should come to an end, not why it would. He failed to reckon on the continuing dynamism of the capitalist system, its ability to overcome obstacles. (...) The fear of capitalist crisis disappeared. The problem was no longer one of obstacles to the achievement of abundance, but obstacles to the enjoyment of the abundance achieved. (...) Capitalism, it is now clear, has no spontaneous tendency to evolve into something nobler. Left to itself, the machinery of want-generation will carry on churning, endlessly and pointlessly."

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A fissura filosófica

"The Italian-German conflict has also exposed a deep philosophical fissure at the heart of the euro zone: Are painful reforms and austerity in countries such as Italy and Spain enough to restore confidence in the common currency, as Germany has insisted? Or do they need Europe's collective financial support while they fix their economies, as Mr. Monti argues?"

Janela Lusófona [6]

1. José Luís Guterres é o novo MNE de Timor-Leste, sucedendo a Zacarias da Costa. Trata-se de alguém que nos é familiar, uma figura experiente e com todas as condições para exercer um bom mandato.
2. Manuel Serifo Nhamadjo, o presidente da Guiné-Bissau nomeado pela CEDEAO/ECOWAS, reconhece o óbvio: o país encontra-se em "maus lençóis". De facto, assim é. Faltou acrescentar que a responsabilidade exclusiva pela actual situação é inteiramente sua, entre outros.
3. O porto de águas profundas em São Tomé e Príncipe poderá tornar-se uma realidade, indicou o Primeiro-Ministro Patrice Trovoada.  Nada de concreto ainda, portanto. A concretizar-se, por fim, seria um autêntico game changer para São Tomé e uma vitória política sem igual para Trovoada.
4. Foi confirmada uma nova fonte de gás natural de "grande dimensão" em Moçambique. Por estes dias, não se pode levantar uma pedra, em terra ou no mar, sem que jorre gás natural ou petróleo. Boas notícias, em suma, para Moçambique (e também para a GALP, neste caso).
5. O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, anulou um concurso de fornecimento de armas ligeiras para as Forças Armadas portuguesas evocando o "contexto de grave crise económica e financeira". Mais um sinal claro do impacto da crise em Portugal, neste caso no âmbito da defesa, depois do cancelamento da aquisição de helicópteros. É a vida.

Pessoa dixit [10]

"Duvido, portanto penso".

Quanto chega? [2]

Chapter 1: Keynes's Mistake
"[C]apitalism has inflamed our innate tendency to insatiability by releasing it from the bounds of custom and religion within which it was formerly confined. This inflammation takes four distinct though related forms. First, capitalism's competitive logic drives firms to carve out new markets by (among other things) manipulating wants. (...) Secondly, capitalism greatly broadens the scope of status competition. (...) Thirdly, the ideology of free-market capitalism has been consistently hostile to the idea that a certain sum of money could represent 'enough'. (...) Finally, capitalism enlarges insatiability by increasingly 'monetizing' the economy. (...) Keynes's mistake was to believe that the love of gain released by capitalism could be sated with abundance, leaving people free to enjoy its fruits in civilized living. This is because he thought of people as possessing a fixed stock of natural wants. He did not understand that capitalism would set up a new dynamic of want creation which would overwhelm traditional restraints of custom and good sense. This means that, despite our much greater affluence, our starting position for the realization of the good life is worse than it was in the more traditional society of his day. Capitalism has achieved incomparable progress in the creation of wealth, but has left us incapable of putting that wealth to civilized use. How did we come to set up a system in which the love of gain was released from its moral constraints, and why has it become almost impossible to get it back under control?"

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quanto chega? [1]

Introduction
"This book is not about the principles of justice, but about the constituents of the good life. (...) What is the good life? What is it not? And what changes in our moral and economic system would be needed to realize it? (...) Our book brings together the perspectives of philosophy and economics in the conviction  that the two disciplines need each other, the one for the sake of its practical influence, the other for the sake of its ethical imagination. It aims to revive the old idea of economics as a moral science; a science of human beings in communities, not of interacting robots."

Europa adormecida e austeridade exagerada

O secretário-geral do PS, António José Seguro, considerou "fundamental que a Europa acorde para a situação de crise" e coloque "o emprego e o crescimento económico no topo das prioridades". Para Seguro, a Europa anda "há vários anos a correr atrás do prejuízo e tem estado adormecida sobre as grandes decisões", que passam "por o Banco Central Europeu (BCE) ter um papel mais activo nesta crise". O líder socialista frisou que "é necessário que a Europa acorde e com ela também o Governo português". Para Portugal reiterou que "é preciso mais tempo para consolidar as contas públicas" e é preciso que "a austeridade não seja tão exagerada".
Por razões óbvias, o ataque vai sempre terminar no Governo. Pelos vistos, se a austeridade fosse menos exagerada, o que quer que isso queira dizer, Pedro Passos Coelho estaria absolvido dos seus pecados.
Seguro tenta colar-se ao debate europeu, mas para seu azar o debate europeu não se cola ao secretário-geral do PS. Em Berlim, Bruxelas ou Paris, ninguém considera que Passos Coelho esteja a implementar uma austeridade exagerada. É a necessária, infelizmente, e não mais do que isso.