"O PS só pode reafirmar o voto contra o Orçamento. Por aqui não vamos, por aqui votamos contra", afirmou Pedro Marques, ex-secretário de Estado de José Sócrates e actual deputado do PS.
Grande surpresa. Grande novidade. O PS votaria sempre contra e andava há muito à procura de um pretexto para o fazer. O que o PS não diz é como seria o seu OE para 2013. E não diz porque, mais pincelada, menos pincelada, o retrato seria igual.
José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Resumo da palestra de Gaspar
Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos. Mais impostos.
Resgatados
Não se pode dizer que o livro de David Dinis e Hugo Filipe Coelho apresente informação que contrarie, no essencial, aquilo que já se sabia. Isto dito, os autores recolhem muita informação adicional, factos que até agora a maioria da população não conhecia, sobre um período crítico da democracia portuguesa e que possibilita uma visão mais profunda e mais completa da evolução da situação que levou ao resgate. Importa, porventura, realçar que os autores evitam fazer juízos de valor sobre o comportamento político dos intervenientes, dando ao leitor os factos que lhe permitam por si fazer a sua própria avaliação. Não há, entre nós, o hábito de se fazer trabalhos deste género, infelizmente. Mas independentemente das eventuais falhas que possa conter, factuais ou de análise, este livro merece ser lido por quem se interessa por estas matérias. Com uma escrita escorreita e de leitura fácil, diria que valeu bem a pena as centenas de horas que David Dinis e Hugo Filipe Coelho dedicaram à sua elaboração.
Uma dúvida
Se foi Pedro Passos Coelho quem anunciou a 7 de Setembro as alterações à TSU, porque motivo será agora Vítor Gaspar a revelar as novas medidas e não o Primeiro-Ministro? Não deveria ser Passos Coelho a dar a cara -- tal como prometera -- pelas medidas difíceis a anunciar?
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Uma vez mais...
...Aníbal Cavaco Silva diz em matérias europeias aquilo que o Governo não quer, ou não pode, dizer publicamente. Posição que, aqui faça-se parcialmente justiça a António José Seguro, não anda muito longe da posição pública do PS (e que no fundo o PSD muito gostaria também que fosse adoptada pela UE). O problema com a posição do PS é que ela se define 'contra' a Alemanha e não 'com' a Alemanha, armadilha que o Presidente da República evita deliberadamente.
Leituras
1. António Costa, "O que é que o Governo quer?" (Diário Económico, 2.10.2012).
2. Pedro Santos Guerreiro, "Sitiados" (Jornal de Negócios, 2.10.2012).
2. Pedro Santos Guerreiro, "Sitiados" (Jornal de Negócios, 2.10.2012).
Movimento de rebeldia
Carlos Zorrinho disse não esperar nenhum "movimento de rebeldia" na bancada socialista relativamente ao sentido de voto das moções de censura do PCP e BE, sublinhando não estar "preocupado" com isso.
Enfim, o que poderia dizer Zorrinho? Admitir que a actual liderança do PS caminha sobre uma fina camada de gelo e que qualquer movimento político brusco pode ditar um mergulho sem regresso? Reconhecer que António José Seguro está refém de uma coligação interna que abrange a ala esquerda do PS e os órfãos de José Sócrates?
Há factos que não se reconhecem publicamente, por mais verdadeiros que sejam.
Enfim, o que poderia dizer Zorrinho? Admitir que a actual liderança do PS caminha sobre uma fina camada de gelo e que qualquer movimento político brusco pode ditar um mergulho sem regresso? Reconhecer que António José Seguro está refém de uma coligação interna que abrange a ala esquerda do PS e os órfãos de José Sócrates?
Há factos que não se reconhecem publicamente, por mais verdadeiros que sejam.
O lado positivo...
...da intervenção de Durão Barroso é que nos lembra o que quer dizer estar sob soberania financeira condicionada.
Dois pesos, duas medidas
António José Seguro não necessitou de uma reunião da Comissão Política para nos dizer, há cerca de 15 dias, que se o Governo não recuasse em relação à TSU o PS apresentaria uma moção de censura. Passados alguns dias, o Governo acabou por recuar na TSU. Curiosamente, confrontado agora com as moções de censura apresentadas pelo PCP e pelo BE -- repito, não existindo neste momento alterações à TSU em cima da mesa -- mesmo assim Seguro necessita de ouvir a Comissão Política do PS para definir o sentido de voto do partido...
É confrangedor que o PS, um partido do arco de poder, necessite de ouvir a Comissão Política para decidir o seu sentido de voto em relação às moções de censura apresentadas pelo PCP e pelo BE. Mais. É constrangedor ver o PS, que negociou e assinou o acordo com a troika, demorar mais do que três segundos a demarcar-se do PCP e do BE.
António José Seguro necessita de ouvir a Comissão Política? Não sabe imediatamente, em nome do sentido de Estado, qual é o seu lado da barricada?
O PS agora é um partido anti-europeísta? Quer a troika fora de Portugal? Se não é anti-europeísta e não quer a troika fora de Portugal, como pode ter dúvidas sobre o seu sentido de voto? O bom senso está a ser corroído pela táctica política?
É confrangedor que o PS, um partido do arco de poder, necessite de ouvir a Comissão Política para decidir o seu sentido de voto em relação às moções de censura apresentadas pelo PCP e pelo BE. Mais. É constrangedor ver o PS, que negociou e assinou o acordo com a troika, demorar mais do que três segundos a demarcar-se do PCP e do BE.
António José Seguro necessita de ouvir a Comissão Política? Não sabe imediatamente, em nome do sentido de Estado, qual é o seu lado da barricada?
O PS agora é um partido anti-europeísta? Quer a troika fora de Portugal? Se não é anti-europeísta e não quer a troika fora de Portugal, como pode ter dúvidas sobre o seu sentido de voto? O bom senso está a ser corroído pela táctica política?
Ainda estou a tentar...
...perceber qual foi a intenção de Durão Barroso quando revelou que a Comissão Europeia já tinha aprovado as medidas alternativas que o Governo apresentou para compensar o recuo nas alterações à TSU. Um político com a sua experiência sabia que essa revelação causaria dificuldades ao Governo. Acresce que não se tratou propriamente de um lapso. Portanto, qual foi a intenção?
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Condicionar
O PS não se deixa condicionar pelas estratégias do BE e do PCP, garante António José Seguro. Veremos. Registo, todavia, a ausência de um comentário imediato à moção de censura.
Nada se aprende em definitivo
Pedro Passos Coelho não teve seguramente qualquer influência nesta decisão. Mas será sobre si que os holofotes mediáticos se irão concentrar. Manuel Meirinho já deveria saber que há assuntos em que a melhor abordagem consiste em colocar uma pedra sobre o tema. Anda a faltar muito bom senso em Portugal.
Sem munições
"A Esquerda e o PS estão desmuniciados de ideias para pensar a crise", disse Manuel Maria Carrilho (Público, 1.10.2012: 8).
Pensamento europeu
"Não merece governar Portugal um Governo que não tenha pensamento europeu", afirmou António José Seguro.
Certo. E qual é o pensamento europeu do PS? Onde está a alternativa que propõe?
António José Seguro tinha enormes expectativas em relação ao novo Presidente francês. Talvez valesse a pena revisitar algumas das suas declarações sobre François Hollande. O PS via na sua eleição a emergência de um aliado privilegiado e, porventura, a imposição de uma estratégia alternativa à linha imposta pela Alemanha. Hoje é visível como eram ilusórias essas esperanças.
Sejamos claros. O Governo tem uma estratégia europeia, porventura errada e minimalista, mas ela existe. Pessoalmente julgo que valeria a pena discutir se essa estratégia é a mais adequada e se não valeria a pena reflectir sobre correcções de estratégia, mas o contributo do PS tem sido inexistente.
Certo. E qual é o pensamento europeu do PS? Onde está a alternativa que propõe?
António José Seguro tinha enormes expectativas em relação ao novo Presidente francês. Talvez valesse a pena revisitar algumas das suas declarações sobre François Hollande. O PS via na sua eleição a emergência de um aliado privilegiado e, porventura, a imposição de uma estratégia alternativa à linha imposta pela Alemanha. Hoje é visível como eram ilusórias essas esperanças.
Sejamos claros. O Governo tem uma estratégia europeia, porventura errada e minimalista, mas ela existe. Pessoalmente julgo que valeria a pena discutir se essa estratégia é a mais adequada e se não valeria a pena reflectir sobre correcções de estratégia, mas o contributo do PS tem sido inexistente.
domingo, 30 de setembro de 2012
Marcelo Rebelo de Sousa...
...explica aquilo que me parece ser óbvio para qualquer pessoa. O Governo tem de reconquistar a iniciativa política e, nessa medida, a remodelação governamental é uma peça importante nesse puzzle. Mas por si só não chega. É preciso dar primazia à política e ao combate político. Como frisa João Gonçalves, "o Governo tem a obrigação política e moral de redescrever o seu registo de actuação política".
sábado, 29 de setembro de 2012
Regras de convivência
Ao cuidado da Comissão de Coordenação da Coligação:
O CDS, putos traquinas, aproveitam sempre, como quem não quer a coisa, para ir dando umas palmadas nos colegas do PSD. O PSD, meninos bem comportados, que tenha notado nunca pregam umas rasteiras nos colegas do CDS. Mais, de forma incompreensível, comem e calam. Pelos vistos, anda tudo ocupado com assuntos mais importantes do que o dia a dia politico-partidário. Subitamente, os deputados do PSD (e não apenas eles) são todos tecnocratas e ninguém quer sujar os dedos com minudências de natureza politico-partidária.
O alvo desta vez foi António Borges. As palmadas, refira-se, são inteiramente merecidas, mas não é isso que está em causa. O que está aqui em discussão é o facto de o CDS sistematicamente -- repito, sistematicamente -- se sentir livre para criticar em público figuras do PSD. O que está aqui em causa é o facto de o CDS não cumprir um silêncio disciplinado em relação às intervenções de membros do PSD, por mais infelizes que sejam. A leitura alternativa, que não acredito que corresponda à realidade, é que Paulo Portas não controla os seus mais próximos colaboradores. Ora, se não é disso que se trata, o que espera o líder do CDS para exigir contenção verbal às suas tropas? Em sentido contrário, se isso não acontecer, o que espera o PSD para começar a dar uns tiros de dissuasão em algumas figuras do CDS?
É este o caminho que o CDS quer trilhar? Se a resposta for afirmativa, o que espera o PSD para responder?
O CDS, putos traquinas, aproveitam sempre, como quem não quer a coisa, para ir dando umas palmadas nos colegas do PSD. O PSD, meninos bem comportados, que tenha notado nunca pregam umas rasteiras nos colegas do CDS. Mais, de forma incompreensível, comem e calam. Pelos vistos, anda tudo ocupado com assuntos mais importantes do que o dia a dia politico-partidário. Subitamente, os deputados do PSD (e não apenas eles) são todos tecnocratas e ninguém quer sujar os dedos com minudências de natureza politico-partidária.
O alvo desta vez foi António Borges. As palmadas, refira-se, são inteiramente merecidas, mas não é isso que está em causa. O que está aqui em discussão é o facto de o CDS sistematicamente -- repito, sistematicamente -- se sentir livre para criticar em público figuras do PSD. O que está aqui em causa é o facto de o CDS não cumprir um silêncio disciplinado em relação às intervenções de membros do PSD, por mais infelizes que sejam. A leitura alternativa, que não acredito que corresponda à realidade, é que Paulo Portas não controla os seus mais próximos colaboradores. Ora, se não é disso que se trata, o que espera o líder do CDS para exigir contenção verbal às suas tropas? Em sentido contrário, se isso não acontecer, o que espera o PSD para começar a dar uns tiros de dissuasão em algumas figuras do CDS?
É este o caminho que o CDS quer trilhar? Se a resposta for afirmativa, o que espera o PSD para responder?
Problema deontológico
Faria de Oliveira, em entrevista ao Diário de Notícias (supl. Dinheiro Vivo), afirma que por razões de ordem deontológica, enquanto chairman da Caixa Geral de Depósitos, não se deve pronunciar sobre a eventual privatização do banco público. Lidas as suas não-respostas -- repito, por motivos de natureza deontológica -- interrogo-me se ficou alguma coisa por (não) dizer...
Despesa pública vs. dívida
"Nós [Portugal] não temos um problema de despesa. Nem Portugal tem, à entrada da crise e agora, indicadores de nível de despesa pública que sejam maiores do que a generalidade dos países europeus. Portugal tem em 2011 um nível de despesa pública no PIB de 48,9%. A média da União a 27 é 49,1% e da Zona Euro é 49,4%. (Fonte: Eurostat.) (...) É evidente que temos uma crise de endividamento global que atingiu os níveis que atingiu pela forma como o euro foi construído. Em moeda própria, nunca Portugal teria os níveis que tem. O endividamento é muito maior no sector privado que no público. Dois terços da dívida externa é privada", disse Fernando Medina, ex-secretário de Estado no Governo de José Sócrates e actualmente deputado do PS (Jornal de Negócios, supl. Weekend, 28.9.2012: 7).
Estas linhas explicam, em larga medida, a análise e a posição do PS. É por isso que o PS é tão resistente ao corte na despesa. Afinal, Portugal não tem, na sua visão, um problema de despesa. De certo modo contra a sua vontade, Medina apenas está disponível para reconhecer que se tem um problema de dívida, mas também aqui com atenuantes. Em primeiro lugar, o problema de endividamento não é culpa nossa, mas sim do euro. E em segundo, o endividamento é sobretudo privado. Moral da história?
Está tudo bem, portanto...
Estas linhas explicam, em larga medida, a análise e a posição do PS. É por isso que o PS é tão resistente ao corte na despesa. Afinal, Portugal não tem, na sua visão, um problema de despesa. De certo modo contra a sua vontade, Medina apenas está disponível para reconhecer que se tem um problema de dívida, mas também aqui com atenuantes. Em primeiro lugar, o problema de endividamento não é culpa nossa, mas sim do euro. E em segundo, o endividamento é sobretudo privado. Moral da história?
Está tudo bem, portanto...
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