quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Os maiores investidores

Brasil e Portugal foram os maiores investidores estrangeiros este ano em Moçambique. Naturalmente, uma andorinha, por si só, não faz Verão e, nesse sentido, é preciso ver se o investimento português se mantém nos primeiros lugares nos próximos anos. Há factores que apontam nesse sentido, replicando o processo que se passou com Angola na última década. As realidades angola e moçambicana são distintas, mas em todo o caso a língua e a história comum jogam aqui uma cartada importante a favor de Portugal e dos restantes países de língua portuguesa.
Por mera coincidência, foi igualmente anunciado esta semana o nome do próximo embaixador de Portugal para Moçambique. José Augusto Duarte é um trabalhador incansável, conhece bem a realidade moçambicana, uma vez que recentemente coordenou a direcção de serviços da África Subsariana no MNE. Na parte que lhe diz respeito, as relações bilaterais nos planos político, diplomático, económico e cultural estarão seguramente em boas mãos.

[Adenda]
Tal como referia anteriormente quanto ao facto de se estar a replicar o que se passou com Angola: Portugueses, sul-africanos e chineses lideram 11.800 pedidos para trabalhar em Moçambique.

Sem margem de manobra

O Conselho de Finanças Públicas (CFP), liderado por Teodora Cardoso, considera que não há qualquer margem para aliviar a trajectória de redução de défices acordada entre o Governo e a troika. O facto de ser Teodora Cardoso a afirmá-lo seguramente deixará indisposta muito boa gente no PS. O CFP, porém, dispara em todas as direcções. Não há margem para aliviar a austeridade, mas esta podia e devia ser aplicada de modo diferente, refere também o CFP, neste caso para indisposição do Governo. Executivo que, ainda segundo o CFP, está a estimar um impacto negativo demasiado leve das medidas de austeridade. Pura e simplesmente, estamos tramados e nada há a fazer. Não há um refúgio, por minúsculo que seja, que nos abrigue da catástrofe em curso. É a vida.

Refundação [7]

"Nós aceitamos que o PS não queira comprometer-se com esse exercício, temos pena que seja assim, mas o Governo não deixará até Fevereiro do próximo ano de avançar com as medidas", esclareceu Pedro Passos Coelho.
Naturalmente, o Governo não faz mais do que a sua obrigação. Tudo muito previsível, até agora.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Uma nódoa [2]

Como era inevitável, o Governo português não poderia deixar de tomar uma posição.

Rigor e contenção [2]

Esta notícia é um verdadeiro caso de estudo, pelas piores razões. Afinal, em vez do ministro, o jornalista terá tentado agredir o segurança de Miguel Relvas. As fontes, sempre as fontes... Adiante. Ministro ou segurança, o jornalista desmente qualquer agressão. O Ministério Público, porém, abriu um inquérito. Por outro lado, o jornalista, cuja identidade o Público numa primeira abordagem corporativa procurou proteger, hoje acabou por ser identificado. O que mudou, entretanto? Ontem sabiam quem era, mas não o identificaram. Hoje, fruto das reacções ou de qualquer outra razão, mudaram de abordagem. Por último, mas não em último, a notícia que era inicialmente assinada por Tolentino de Nóbrega e Luciano Alvarez, pelo caminho perdeu a identificação dos seus autores. Confirma-se, portanto, que tanto na política como no jornalismo, muita coisa pode mudar em 24 horas.

Em suma, estamos tramados... [2]

Outra coisa, as previsões da Comissão Europeia sobre o crescimento do PIB em 2014 também são menos optimistas se se comparar com o recente relatório do FMI.

Em suma, estamos tramados...[1]

As novas previsões de Bruxelas não mexem nos números do défice, mas são acompanhadas de fortes advertências de que a crise em Espanha e a consolidação orçamental, agora fortemente assente na receita fiscal, arriscam furar as metas assumidas com a troika (ver original, pp. 97-98).
Portanto, ninguém, absolutamente ninguém, acredita na execução do Orçamento do Estado para 2013. Nem a própria Comissão Europeia.

Rigor e contenção [1]

Infelizmente, o rigor e a contenção, pura e simplesmente, resultam de uma mera reacção corporativa. Se fosse um cidadão anónimo, um político, alguém da maçonaria ou da Opus Dei, neste momento até a cor das cuecas já era do conhecimento público. Sendo um jornalista, bom, nesse caso não se escreve "tentou", mas "terá tentado", e muito menos se refere a identidade do camarada de redacção.

Todas as forças políticas

Um debate aprofundado sobre as funções do Estado, como aquele para que Pedro Passos Coelho desafiou António José Seguro, deve ser feito por todas as forças políticas, defende Aníbal Cavaco Silva.
O Presidente da República, como não poderia deixar de ser, não legitima a posição do líder socialista. Os problemas do Governo são os problemas do país, ao contrário do que pensa o PS.

Os juros

António José Seguro defendeu que caso fosse Primeiro-Ministro, a sua primeira medida seria bater-se por mais um ano e juros mais favoráveis.
Vale a pena confrontar a primeira medida de Seguro, com esta intervenção de Adolfo Mesquita Nunes: Os juros que Portugal paga pelo financiamento dos credores externos representa, neste momento, apenas 30% dos encargos do Estado com a dívida pública. "Os outros 70% são da responsabilidade dos Governos anteriores, que deixaram acumular dívida", lembrou o deputado. "É uma farsa dizer que, com a redução das taxas de juro, seria possível reduzir o problema da despesa", concluiu Adolfo Mesquita Nunes, recordando que os custos que o Estado tem com os empréstimos da troika foram já renegociados pelo actual Governo no ano passado. Mesmo que as taxas de juro dos empréstimos fossem reduzidas para metade, segundo o deputado do CDS-PP, o Estado apenas pouparia mil milhões de euros. Ou seja, um montante insuficiente para compensar os cortes estruturais de quatro mil milhões que o Governo tem de fazer na despesa.
Em suma, a prioridade do líder do PS é uma mão cheia de nada?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Seixas da Costa

Uma excelente notícia.

Miguel Relvas...

...procurando apertar o cerco ao PS.

A prioridade

"A prioridade do país é saír desta crise, promovendo o emprego e o crescimento económico", refere António José Seguro.
Mas de que forma? Como? Com que medidas em concreto?

A diplomacia de Salazar

Não é um período da política externa portuguesa que conheça de forma aprofundada e por isso abstenho-me de fazer muitos comentários. Como leigo e mero leitor posso apenas dizer que me parece um livro de divulgação da História contemporânea portuguesa muito bem conseguido. Leitura recomendada, portanto.

Previsões

"Como num barco no meio duma tempestade, é crucial manter o sentido do rumo, independentemente de a viagem ocorrer [ou não] no calendário previsto", disse Vítor Gaspar. "Nada depende do grau de precisão das previsões. O sucesso do ajustamento não tem a ver com o grau com que as previsões se cumprem", acrescentou o ministro das Finanças.
Perdi-me algures. Qual é, no meio disto, a finalidade e a utilidade das previsões?
Se a precisão e o cumprimento das previsões tem relevância secundária, nesse caso perdemos tempo a elaborar previsões exactamente para quê?

Os portugueses que paguem a crise?

É mais ou menos isto. Daí ter a impressão que António José Seguro poderá ter cometido o seu primeiro grande erro. A dicotomia "Problema do Governo" vs. "Problema do País" é completamente artificial. Os problemas do Governo são também os problemas do país, ponto. Os problemas do Governo, em última instância, são sempre problemas dos portugueses e dos contribuintes.
Aquilo que o líder do PS se propõe fazer é, pura e simplesmente, castigar os portugueses e os contribuintes com o propósito de atingir o Governo. Admito que não fosse essa a intenção original, mas poderá ser esse o resultado final.

Estado high cost

José Ribeiro e Castro disse esperar que "o PS não seja irresponsável e que não seja o destruidor do Estado social como foi o coveiro de facto do Estado social".
"Nos últimos seis anos de Governo do PS a dívida pública duplicou: passámos de uma dívida de um pouco mais de 80.000 milhões de euros para uma dívida acima dos 170.000 milhões de euros em apenas seis anos. Isso dá a dimensão da insustentabilidade em que o PS colocou o país", acusou o deputado do CDS-PP.
António José Seguro, recorde-se, entende que o PS não tem nada a ver com isto e que se trata de um problema do Governo e não do país. Questões de semântica à parte, o problema é nosso que o vamos ter de resolver com os nossos impostos, mas isso interessa pouco, aparentemente, ao líder do PS.

Um erro colossal?

Suspeito, não tenho a certeza, que António José Seguro (AJS) cometeu o primeiro grande erro desde que é líder do PS. Contrariamente ao que possa parecer à primeira vista, a sua recusa em dialogar com o Governo sobre uma refundação do memorando de entendimento tem todos os ingredientes para correr mal. Ao colocar-se à margem das soluções, AJS escolhe para si próprio um papel marginal, com as vantagens e os inconvenientes que daí decorrem. Não me parece nada garantido que os portugueses compreendam esta opção.
O PS, refira-se, tem claramente a noção de que o terreno não lhe é favorável. E é por isso que procura recentrar a agenda.

Um reformista sem propostas reformistas

E assim resta a demagogia e a conversa vazia de conteúdo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Outro tudólogo

Enquanto se bebem duas minis e se comem uns tremoços, mandam-se umas bocas sobre Portugal e o euro e discutem-se os resultados da bola do fim de semana. Excelentes elites.