José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Eleições autárquicas de 2013
Ao ritmo de um conta-gotas, vão sendo conhecidos os nomes dos candidatos às eleições autárquicas no próximo ano. Não sei quem serão os candidatos que o PS e o PSD vão apresentar em Setúbal, a cidade que directamente me interessa. Isto dito, o PSD não tem a mais pequena hipótese de ganhar as eleições em Setúbal. Se não o conseguiu no passado em contextos mais fáceis, não será agora que o conseguirá numa conjuntura muito mais adversa. A única dúvida é se o PS apresentará uma candidatura com capacidade para derrotar o PCP, partido que actualmente detém a presidência da Câmara Municipal de Setúbal (CMS), e se o PSD, formal ou informalmente, estará disponível para contribuir para essa batalha. De certo modo, pouco importa o que fará o PSD, na medida em que os partidos não são proprietários dos votos dos seus militantes e simpatizantes. No meu caso, por exemplo, a minha predisposição vai no sentido de votar no PS. Refira-se, no entanto, que o sentido do meu voto não terá qualquer tipo de leitura que não seja de natureza local. Será um voto útil, de modo a desalojar o PCP da CMS. Mas, claro, tudo dependerá do PS. Se o PS apresentar um candidato sem currículo, ou se quiser fazer leituras nacionais abusivas dos resultados das eleições autárquicas, nesse caso terei de repensar a minha intenção de voto. Veremos.
sábado, 8 de dezembro de 2012
No melhor pano cai a nódoa
Estando em termos gerais de acordo com o que escreve Filipe Santos Costa (FSC), infelizmente a fotografia que acompanha o post é desnecessariamente insultuosa. Aposto que ele não colocaria uma fotografia semelhante para acompanhar uma crítica que fizesse a Paulo Portas, assumindo que mais tarde ou mais cedo fará uma crítica a Paulo Portas no blogue, ao mesmo tempo que acompanha o CDS e escreve sobre o partido no Expresso.
Não sei se FSC lê o meu blogue e, no fundo, isso pouco interessa. Mas ao leitor esclareço que não há no que aqui escrevo qualquer má-fé ou má vontade em relação a FSC, antes pelo contrário. Trata-se de um jornalista cujos artigos leio há muito tempo e que me merece todo o respeito. O facto de valorizar o seu trabalho levou-me, aliás, a comprar em 2006 o seu livro sobre a campanha presidencial de Mário Soares. Um bom livro, refira-se.
Isto dito, e regressando ao início, a fotografia é profundamente infeliz e, na minha modesta opinião, faltou um pouco de bom senso. Acontece.
Não sei se FSC lê o meu blogue e, no fundo, isso pouco interessa. Mas ao leitor esclareço que não há no que aqui escrevo qualquer má-fé ou má vontade em relação a FSC, antes pelo contrário. Trata-se de um jornalista cujos artigos leio há muito tempo e que me merece todo o respeito. O facto de valorizar o seu trabalho levou-me, aliás, a comprar em 2006 o seu livro sobre a campanha presidencial de Mário Soares. Um bom livro, refira-se.
Isto dito, e regressando ao início, a fotografia é profundamente infeliz e, na minha modesta opinião, faltou um pouco de bom senso. Acontece.
Santa paciência
"Há, pois, uma clara clivagem entre Belém e São Bento quanto aos caminhos a seguir para combater a crise. E como o Governo não vai mudar, a pergunta que se coloca é: e agora, sr. Presidente? Falou apenas ou pensa agir?" (Expresso/Economia, 8.12.2012: 3).
Nicolau Santos, desta vez, poupou-nos ao número do menino que Vítor Gaspar não conhece. Mas a sua parcialidade e o registo militante contra o Governo é indisfarçável. O trecho que citei é apenas mais um exemplo. O último. Isto dito, o que é que o director-adjunto do Expresso quer que o Presidente faça? O que é que propõe? O Presidente deve demitir o Governo? Apenas porque discorda dele? Com base em que mandato popular ou em que poderes constitucionais? Se não quer que demita o Governo, quer o quê? O Presidente deve agir como? Fazendo de Belém uma fonte de guerrilha contra o Governo?
É fácil escrever uma coluna a mandar umas bocas. Mais difícil é escrever algo que tenha o mínimo de utilidade e que, mesmo num estilo comprometido, forneça pistas de leitura ou de acção. Nessa batalha Nicolau Santos prima pela falta de comparência.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Coscuvelhice
Para além da irreprimível vontade de espreitar pelo buraco da fechadura, o que explica esta notícia? Bisbilhotice, pura e dura, alimentada por uma imprensa que não tem nada de mais útil para fazer?
Pinto Monteiro não pagou os seus impostos? O valor não está de acordo com os seus descontos? Cometeu alguma ilegalidade para receber o montante em causa? Se não cometeu, o assunto é notícia à luz de que critério?
Mistérios do Triângulo das Bermudas [2]
Curioso. Há mais notícias sobre os desentendimentos e as divergências entre PSD e CDS, parceiros de coligação, do que entre CDS e PS, um no Governo e outro na oposição. Entre CDS e PS parece existir uma espécie de pacto de não agressão. Será o resultado prático de almoços de natureza estratégica?
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Más notícias
Não é uma má notícia inesperada, mas em todo o caso reforça um quadro adverso para a economia portuguesa (doc. original). Não é por aqui que surgirão boas notícias para as exportações portuguesas. E por falar em exportações, lembrei-me da diplomacia económica. Por alguma razão, apesar da sua economia andar a crescer 8% ao ano, o Gana não entra na equação portuguesa relativa aos mercados a procurar desenvolver. As relações bilaterais, refira-se, são virtualmente inexistentes, o que é tanto mais curioso porque o Gana, juntamente com Cabo Verde, é considerado um exemplo democrático em África. Começa a ser altura de desenvolver a vertente africana da política externa portuguesa, excessivamente centrada nos PALOP, sem que nenhuma das partes ganhe o que quer que seja com isso. Bem sei, são necessários outros meios.
Nuno Santos: Persona non grata
A RTP, sempre a RTP...
Duas observações muito rápidas sobre as declarações de ontem de Nuno Santos.
Primeira. Não sei se o conteúdo das palavras do ex-director de informação da RTP corresponde aos factos, mas para o caso pouco importa. Seja ou não verdade o que afirma, do meu ponto de vista considero ser perfeitamente compreensível e legítimo que uma nova administração da RTP queira ter em lugares cruciais, como é a direcção de informação, pessoas da sua confiança. Nuno Santos seguramente concorda com isto que acabo de afirmar. A minha dúvida é a seguinte: o ex-director de informação colocou o seu lugar à disposição quando a nova administração da RTP tomou posse?
Segunda observação. Tenho muitas dúvidas se Nuno Santos mediu bem o alcance das suas palavras. O ex-director de informação acusa a actual direcção da RTP de saneamento político. Porém, assumindo que tal é verdade, não vejo nenhuma razão para atribuir determinado tipo de comportamentos à actual equipa de gestão e isentar as anteriores. Se nada mudou na última década (a empresa continua a ser pública e a tutela assegurada por um ministro), nesse caso comem todos do mesmo prato. Afinal, a natureza humana e as lógicas empresariais e políticas são exactamente as mesmas. Consequentemente, a ser persona non grata para o actual Governo, tal significa que Nuno Santos era persona grata para o anterior?
Sejamos claros. Independentemente da veracidade dos factos e da bondade das suas interpretações, é óbvio que Nuno Santos quer abandonar o cargo com algum estrondo e provocar uma certa dose de dano político. As coisas são como são. Naturalmente, Nuno Santos está no seu direito.
Duas observações muito rápidas sobre as declarações de ontem de Nuno Santos.
Primeira. Não sei se o conteúdo das palavras do ex-director de informação da RTP corresponde aos factos, mas para o caso pouco importa. Seja ou não verdade o que afirma, do meu ponto de vista considero ser perfeitamente compreensível e legítimo que uma nova administração da RTP queira ter em lugares cruciais, como é a direcção de informação, pessoas da sua confiança. Nuno Santos seguramente concorda com isto que acabo de afirmar. A minha dúvida é a seguinte: o ex-director de informação colocou o seu lugar à disposição quando a nova administração da RTP tomou posse?
Segunda observação. Tenho muitas dúvidas se Nuno Santos mediu bem o alcance das suas palavras. O ex-director de informação acusa a actual direcção da RTP de saneamento político. Porém, assumindo que tal é verdade, não vejo nenhuma razão para atribuir determinado tipo de comportamentos à actual equipa de gestão e isentar as anteriores. Se nada mudou na última década (a empresa continua a ser pública e a tutela assegurada por um ministro), nesse caso comem todos do mesmo prato. Afinal, a natureza humana e as lógicas empresariais e políticas são exactamente as mesmas. Consequentemente, a ser persona non grata para o actual Governo, tal significa que Nuno Santos era persona grata para o anterior?
Sejamos claros. Independentemente da veracidade dos factos e da bondade das suas interpretações, é óbvio que Nuno Santos quer abandonar o cargo com algum estrondo e provocar uma certa dose de dano político. As coisas são como são. Naturalmente, Nuno Santos está no seu direito.
O pastor e o lobo
Hoje não há Tecnoforma, nem ONGs, nem programa Foral. Não se arranjou nada, nem mesmo mais um enlatado para manter a causa viva, a não ser uma tentativa de "acto de censura" da parte de um segurança do Primeiro-Ministro. O Público, por estes dias, sob a liderança da activista Bárbara Reis, resume-se a isto.
Uma questão de geografia
Se as afirmações eruditas e de fina perspicácia de Marinho Pinto tivessem sido proferidas sobre angolanas e não sobre brasileiras, neste momento já havia tema para mais um editorial do Jornal de Angola.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Negociar as condições do resgate
Algo me diz que o Governo, por esta altura, já percebeu que a negociação do resgaste pode transformar-se numa armadilha, com pouco retorno mas com custos políticos importantes.
Quem piscar os olhos primeiro, perde...
Cândida Almeida: "Digo olhos nos olhos: O nosso país não é corrupto, os nossos políticos não são corruptos, os nossos dirigentes não são corruptos".
Infelizmente, mesmo sem corrupção no país de Cândida Almeida, não conseguimos aparecer nos primeiros dez -- ou vinte -- lugares...
Infelizmente, mesmo sem corrupção no país de Cândida Almeida, não conseguimos aparecer nos primeiros dez -- ou vinte -- lugares...
Liberdade de expressão
Quando se convive saudavelmente com a liberdade de expressão, o que acontece é qualquer coisa como isto. Um dia normal num regime democrático, portanto.
Crónica de um fim anunciado [2]
Como anteriormente referi, a crise política que se está a desenrolar em São Tomé e Príncipe era expectável. Tal como era previsível a decisão tomada pelo Presidente da República. Isto dito, a ADI formará um novo governo? Ainda que o queira, o que não me parece de todo claro, tem condições para isso? Não tendo, o MLSTP estará interessado em formar um governo de coligação que cumpra o resto da legislatura? Ou preferirá eleições legislativas antecipadas, sabendo como sabe que terá sempre um resultado eleitoral melhor do que o actual?
Não tenho informação que me permita responder com segurança a estas perguntas, mas em todo o caso diria que, correndo o risco de poder estar enganado, me parece que há diversos factores que se começam a conjugar no sentido de se realizaram eleições antecipadas. Veremos.
Não tenho informação que me permita responder com segurança a estas perguntas, mas em todo o caso diria que, correndo o risco de poder estar enganado, me parece que há diversos factores que se começam a conjugar no sentido de se realizaram eleições antecipadas. Veremos.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Radio noise
Vítor Gaspar: Portugal quer união bancária "antes do final do ano".
Wolgang Schäuble: Germany puts brake on bank union plan.
Será que amanhã seremos informados que, afinal, Portugal não quer união bancária até ao final do ano e que as palavras foram -- uma vez mais -- mal interpretadas?
Wolgang Schäuble: Germany puts brake on bank union plan.
Será que amanhã seremos informados que, afinal, Portugal não quer união bancária até ao final do ano e que as palavras foram -- uma vez mais -- mal interpretadas?
Portugal inteiro e arredores
Segundo Mário Soares, Pedro Passos Coelho "tem Portugal inteiro contra ele". À luz dessa realidade, o ex-Presidente aconselha que tenha "cuidado com o que lhe possa acontecer", uma vez que "corre imensos riscos". Isto é, no fundo, um conselho generoso de um amigo, preocupado com a integridade física do Primeiro-Ministro. Confesso que fico sensibilizado.
Ironicamente, em 1986, Soares foi alvo de uma agressão que daria um impulso decisivo à sua campanha presidencial. Soares, que tinha Portugal inteiro contra ele, de um dia para o outro viu o jogo político mudar por completo.
Mas aquilo que interessa lembrar é que, antes e depois de 1974, antes e depois de 1986, Soares procurou sempre estar à altura das circunstâncias, independentemente das sondagens e dos riscos.
Passos Coelho, em circunstâncias muito diferentes, segue hoje em dia a mesma forma de estar na política. No fundo, Soares não pode deixar de o admirar, se outra razão não existisse porque sabe que o Primeiro-Ministro é uma pessoa bem-intencionada.
Passos Coelho pode ter Portugal inteiro contra ele, mas como Soares não se cansa de lembrar, "em democracia não há inimigos", apenas "adversários".
Termómetro [10]
1. "Paulo Portas pretende abordar questão das Lajes com Hillary Clinton". 2. "Oliveira Martins defende que Orçamento deve entrar em vigor a 1 de janeiro". 3. "Seguro deve escutar González".
1. "Cofina com grupo angolano na frente da corrida para a privatização da RTP". 2. "São Tomé: Fracassaram as negociações entre os partidos políticos/Patrice Trovoada conversou em privado com Pinto da Costa".
1. "Cofina com grupo angolano na frente da corrida para a privatização da RTP". 2. "São Tomé: Fracassaram as negociações entre os partidos políticos/Patrice Trovoada conversou em privado com Pinto da Costa".
Utopias em Dói Menor
"A vida é uma viagem de barco em que o vamos consertando ao longo da travessia" [Onésimo Teotónio Almeida e João Maurício Brás, Utopias em Dói Menor: Conversas transatlânticas com Onésimo (Lisboa: Gradiva, 2012), p. 172]. Aqui está uma definição possível da vida, com a qual me identifico. Onésimo define-se, citando Romain Rolland, como "um pessimista do intelecto e um optimista da vontade". A vida, tal como a encara, apesar das dificuldades que exigem consertos contínuos, tem um rumo. Há uma travessia que, apesar das tormentas, terá êxito. Onésimo conhece o seu porto -- "há um conjunto de valores e comportamentos que se mantêm constantes na minha vida" [p. 172] -- e não há conserto que não seja exequível para um optimista da vontade como ele. Tudo isto isto, naturalmente, reflecte a sua mundividência e o seu percurso de vida.
Utopias em Dói Menor lê-se num abrir e fechar de olhos. Fiel a si própio e tendo também em conta o público para quem está a escrever, Onésimo procura tratar de forma o mais simples possível temas que são complexos. O livro é uma extensa entrevista de 274 páginas, estrutura que ajuda a que a leitura seja mais fácil, mérito ao que também não será alheia a competência do entrevistador, João Maurício Brás. Tal como acontece de vez em quando a Onésimo, de certa maneira ao leitor também saiu uma terminação choruda. Utopias em Dói Menor é uma leitura estimulante. Estamos perante um livro com diferentes tempos de leitura, a merecer ser lido e relido ao longo da travessia de barco.
P.S. -- Defensor da simplicidade, Onésimo viola a sua regra apenas numa questão: dispensavam-se, na boa tradição portuguesa, os prefácios e os posfácios que, com o devido respeito, nada acrescentam.
Utopias em Dói Menor lê-se num abrir e fechar de olhos. Fiel a si própio e tendo também em conta o público para quem está a escrever, Onésimo procura tratar de forma o mais simples possível temas que são complexos. O livro é uma extensa entrevista de 274 páginas, estrutura que ajuda a que a leitura seja mais fácil, mérito ao que também não será alheia a competência do entrevistador, João Maurício Brás. Tal como acontece de vez em quando a Onésimo, de certa maneira ao leitor também saiu uma terminação choruda. Utopias em Dói Menor é uma leitura estimulante. Estamos perante um livro com diferentes tempos de leitura, a merecer ser lido e relido ao longo da travessia de barco.
P.S. -- Defensor da simplicidade, Onésimo viola a sua regra apenas numa questão: dispensavam-se, na boa tradição portuguesa, os prefácios e os posfácios que, com o devido respeito, nada acrescentam.
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