Arrábida (Dezembro 2012).
José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
2013 também será para embrulhar peixe
"A dimensão do infinitamente grande e do infinitamente pequeno dá-nos a consciência de que tudo é para embrulhar peixe. (...) A grande dignidade da vida e do jornalismo está em ter a consciência plena de que aquilo acaba a embrulhar peixe, mas fazê-lo o melhor possível em cada momento. Fazer o mais honesto, empenhar-se ao máximo, sabendo que é completamente irrelevante. É essa a grandeza do ser humano", Manuel António Pina.
Estas palavras, devidamente adaptadas, haverá melhor previsão (e desejo) para 2013?
Estas palavras, devidamente adaptadas, haverá melhor previsão (e desejo) para 2013?
Assumir responsabilidades
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, promulgou o Orçamento do Estado (OE) para 2013. Reagindo à notícia, o líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, considerou que o Presidente da República "não assumiu as [suas] responsabilidades" ao promulgar um OE que é "mau e que vai levar a uma destruição ainda maior da Economia".
Dito de outra maneira, o Presidente só teria assumido as suas responsabilidades se tivesse decidido como queria o BE. Vamos lá ver se percebi bem: Sempre que alguém decide de uma forma com a qual o BE não concorda estamos perante uma fuga às responsabilidades?
É, no mínimo, uma interpretação peculiar das regras democráticas...
Adiante. O Presidente deve ter decidido promulgar o OE por uma questão de popularidade, de certeza absoluta. Como é fácil de perceber, é um gesto político que rende popularidade promulgar um OE altamente impopular...
Enfim, há uma explicação mais razoável, ainda que alguns não gostem dela. O Presidente, pura e simplesmente, decidiu tendo em conta os poderes que a Constituição lhe confere, de acordo com a sua consciência e à luz do que entende ser o interesse nacional.
Ao contrário do que parece pensar o líder da bancada parlamentar do BE, ao promulgar o OE o Presidente assumiu as suas responsabilidades e não foi seguramente de ânimo leve.
Dito de outra maneira, o Presidente só teria assumido as suas responsabilidades se tivesse decidido como queria o BE. Vamos lá ver se percebi bem: Sempre que alguém decide de uma forma com a qual o BE não concorda estamos perante uma fuga às responsabilidades?
É, no mínimo, uma interpretação peculiar das regras democráticas...
Adiante. O Presidente deve ter decidido promulgar o OE por uma questão de popularidade, de certeza absoluta. Como é fácil de perceber, é um gesto político que rende popularidade promulgar um OE altamente impopular...
Enfim, há uma explicação mais razoável, ainda que alguns não gostem dela. O Presidente, pura e simplesmente, decidiu tendo em conta os poderes que a Constituição lhe confere, de acordo com a sua consciência e à luz do que entende ser o interesse nacional.
Ao contrário do que parece pensar o líder da bancada parlamentar do BE, ao promulgar o OE o Presidente assumiu as suas responsabilidades e não foi seguramente de ânimo leve.
O circuito da carne assada
Sempre que há eleições para uma liderança partidária, ou eleições nacionais, inevitavelmente surgem as referências, de natureza negativa, ao célebre circuito da carne assada. Ironicamente, muitos dos autores desses comentários são os mesmos que participam num outro circuito que, apesar das diferenças de forma, é igual na substância.
A vidinha custa a todos.
domingo, 30 de dezembro de 2012
A realidade é aquilo que o homem quiser
"[O] memorando já deveria ter desaparecido, e se o Governo quisesse já o podia ter deitado fora com o acordo das instituições internacionais. O memorando teve a evolução que o Governo quis, e se tivéssemos outro governo, o acordo teria seguido outra evolução", salienta Pedro Lains (DN, 30.12.2012: 5).
Quem leu a entrevista poderá ter ficado com a impressão -- errada -- que Pedro Lains, investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS), faz parte da liderança bicéfala do Bloco de Esquerda. Puro engano. Apesar de ultrapassar o PS pela esquerda e de centrar as suas críticas políticas na banca, na troika e no Governo, Lains é entrevistado essencialmente na sua qualidade de académico e de investigador do ICS. Ora, que um investigador sério e com currículo, ao contrário do outro, possa dizer a barbaridade com que começa este texto é realmente espantoso. Acresce que a visão que Lains apresenta é completamente desfasada da realidade. Na sua perspectiva, propositadamente simplista, bastaria ao Governo querer para que as instituições internacionais aceitassem a sua vontade. Era bom, era...
Mais. Uma parte significativa do que diz na citação que aqui faço -- quase tudo, na verdade -- é impossível de refutar e totalmente especulativo. Confesso que pessoalmente, e ao contrário de Lains, não sei o que quer, ou deixa de querer, o Governo. Ao longo dos últimos 18 meses, não estive presente nas reuniões do Conselho de Ministros, ou em outros encontros de natureza informal em que se tenha discutido a estratégia do Governo. Terá Pedro Passos Coelho discutido com Lains a sua estratégia? Ou será que esteve presente nas reuniões com a troika? Como é que Lains sabe que, no essencial, com outro governo o acordo seria diferente?
Na verdade, tudo se resume à sua primeira observação. Lains gostaria de reescrever o memorando de alto a baixo. Curiosamente, ao longo da entrevista, não há um único comentário crítico que seja em relação ao PS. PS que, lembre-se, foi o grande -- não o único, note-se -- responsável pela negociação do conteúdo inicial do memorando. Mas o PS é uma outra conversa e essa, imagino, não era a conversa que Lains queria ter na entrevista.
P.S. -- Faço a justiça a Pedro Lains de lembrar que, em devido tempo, foi muito claro sobre as águas em que anda a navegar.
O tudólogo [2]
Já sabíamos que tanto falava de "Jesus Cristo como dos problemas do financiamento português". Entretanto ficámos a saber que também fala da Casa da Música, da Praça da Alegria e que se for necessário também convoca manifestações. No meio desta azáfama, Paulo Rangel ainda consegue ser eurodeputado e sócio director do escritório da Cuatrecasas, Gonçalves Pereira no Porto. Tudo isto, entre muitas outras actividades, seguramente.
Querem melhor retrato de uma certa casta das nossas elites?
Querem melhor retrato de uma certa casta das nossas elites?
sábado, 29 de dezembro de 2012
Baptista da Silva...
...era militante do PS e sócio do Grémio Literário. Em tempos terá sido também sócio do Sporting. Pelos vistos, a única institução que lhe escapou -- escapou mesmo? -- foi a Maçonaria. Ser ignorada desta forma por Baptista da Silva é um factor de currículo ou cadastro?
Um resposta aos primários
"Em momento algum o Expresso deu mais importância a algum tipo de opinião sobre a situação económica do país, em qualquer dos seus cadernos ou no Expresso da Meia-Noite.
Na mesma edição em que infelizmente demos voz a Artur Batista da Silva publicámos uma entrevista exclusiva com Carlos Moedas, o secretário de Estado responsável pela execução do memorando de entendimento."
Esta observação surge na nota da direcção do Expresso em resposta às "leituras políticas" que surgiram de "forma primária". Uma resposta aos primários, portanto.
Ainda envoltos na atmosfera do espírito natalício, vamos aceitar sem questionar que o Expresso não dá mais importância a uma determinada linha de opinião, ou a uma determinada pessoa. Porém, Artur Baptista da Silva teve amplo destaque no Expresso a 15 de Dezembro, na SICN a 21 e de novo no Expresso a 22. A minha pergunta, desculpem ser primário, é a seguinte: Se o Expresso não dá importância a um determinado tipo de opinião, ou uma determinada pessoa, então quem mais mereceu nesse período igual relevo? Não foi seguramente Carlos Moedas, apesar de ser utilizado como exemplo da igualdade de tratamento. Quem foi que, tal como Baptista da Silva, fez o pleno a 15, 21 e 22?
Esta observação surge na nota da direcção do Expresso em resposta às "leituras políticas" que surgiram de "forma primária". Uma resposta aos primários, portanto.
Ainda envoltos na atmosfera do espírito natalício, vamos aceitar sem questionar que o Expresso não dá mais importância a uma determinada linha de opinião, ou a uma determinada pessoa. Porém, Artur Baptista da Silva teve amplo destaque no Expresso a 15 de Dezembro, na SICN a 21 e de novo no Expresso a 22. A minha pergunta, desculpem ser primário, é a seguinte: Se o Expresso não dá importância a um determinado tipo de opinião, ou uma determinada pessoa, então quem mais mereceu nesse período igual relevo? Não foi seguramente Carlos Moedas, apesar de ser utilizado como exemplo da igualdade de tratamento. Quem foi que, tal como Baptista da Silva, fez o pleno a 15, 21 e 22?
A esponja é igual para todos
Cá estaremos para conversar na próxima vez que leia ou escute um jornalista a exigir a demissão de alguém. É que comem todos pelo mesmo prato. A partir de agora não há ninguém no pedestal do quarto poder a mandar postas de pescada sobre aquilo que os outros lá em baixo têm obrigatoriamente de fazer. A coisa resolve-se com um simples pedido de desculpas, com uns inevitáveis 'mas' pelo meio, e umas promessas vagas de que nos vamos portar melhor daqui para a frente.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Acabei de ir à página...
...de Pedro Passos Coelho no Facebook. Quatro meses depois da última mensagem, tudo continua na mesma. A todos os níveis, aparentemente. Costuma dizer-se que errar é humano. Certo. Mas insistir no erro é péssimo e em regra dá maus resultados.
Listen very carefully, I shall say this only once! [6]
Paulo Gorjão, "Portugal and Ghana: The Gateway to West Africa?" (IPRIS Viewpoints, No. 112, January 2013).
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