José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Uma dúvida
Giuseppe Tomasi di Lampedusa: "é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma". Estaria a pensar na RTP?
domingo, 6 de janeiro de 2013
Um conselho amigo
Excelentíssimo senhor secretário de Estado do Orçamento, Luís Morais Sarmento, um conselho amigo: não se estique na conversa. O senhor não é analista ou comentador; é político e faz parte do Executivo. Portanto, de duas uma: ou sabe o que está a fazer e as suas palavras têm uma finalidade e estão vinculadas a uma estratégia, ou então é preferível estar calado. Se a sua intenção passa por pressionar o Tribunal Constitucional -- e eu tenho dificuldade em ver outra finalidade nas suas palavas -- o meu conselho amigo é que pense primeiro numa estratégia antes de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça.
Mas isto é apenas a opinião de um insignificante cidadão, eleitor e simpatizante do seu Governo. O meu amigo seguramente tem um batalhão de estrategas e de assessores de comunicação, pelo que estou seguro que sabe o caminho que está a trilhar. O meu amigo lá terá as suas razões para levantar a hipótese de incumprimento do programa de assistência económica e financeira. Numa altura em que os juros da dívida alcançaram valores muito animadores, o meu amigo terá as suas razões para assustar os investidores e quem nos empresta dinheiro.
Com os melhores cumprimentos,
Paulo Gorjão
P.S. -- Ex.mo senhor secretário de Estado, na próxima vez diga qualquer coisa ao senhor Primeiro-Ministro. Informe-o do que deve dizer. Está o meu amigo a perorar sobre cenários de risco -- e de potencial crise -- e o senhor Primeiro-Ministro a remar no sentido contrário. Em última instância, se o senhor Primeiro-Ministro não o ouvir, demita-o.
Mas isto é apenas a opinião de um insignificante cidadão, eleitor e simpatizante do seu Governo. O meu amigo seguramente tem um batalhão de estrategas e de assessores de comunicação, pelo que estou seguro que sabe o caminho que está a trilhar. O meu amigo lá terá as suas razões para levantar a hipótese de incumprimento do programa de assistência económica e financeira. Numa altura em que os juros da dívida alcançaram valores muito animadores, o meu amigo terá as suas razões para assustar os investidores e quem nos empresta dinheiro.
Com os melhores cumprimentos,
Paulo Gorjão
P.S. -- Ex.mo senhor secretário de Estado, na próxima vez diga qualquer coisa ao senhor Primeiro-Ministro. Informe-o do que deve dizer. Está o meu amigo a perorar sobre cenários de risco -- e de potencial crise -- e o senhor Primeiro-Ministro a remar no sentido contrário. Em última instância, se o senhor Primeiro-Ministro não o ouvir, demita-o.
Um democrata de cuspo
O mundo está perigoso. Longe vão os tempos em que se podia folhear tranquilamente um jornal desportivo, sem se correr o risco de se dar de caras com os disparates de Vasco Lourenço (A Bola, 5.1.2013: 12-13). Desde que o actual Governo tomou posse, Vasco Lourenço anda muito preocupado com a governação. Estamos a falar do mesmo Vasco Lourenço que com José Sócrates era um homem absolutamente tranquilo. A vida tem destas coisas...
Vasco Lourenço por estes dias é um homem muito pouco interessado no respeito pelo lado formal da democracia. Não é o único. PCP e BE também navegam por essas águas. Pela minha parte, não vejo futuro para uma democracia em que se desrespeite as suas regras, os seus princípios formais e, em última instância, as suas instituições.
Vasco Lourenço por estes dias é um homem muito pouco interessado no respeito pelo lado formal da democracia. Não é o único. PCP e BE também navegam por essas águas. Pela minha parte, não vejo futuro para uma democracia em que se desrespeite as suas regras, os seus princípios formais e, em última instância, as suas instituições.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Para que todos possamos ser bons
"A mesma oligarquia que tentou convencer-nos de que com o euro tudo seria fácil, parece agora determinada em fazer-nos acreditar que tudo é difícil exclusivamente por capricho deste Governo. (…)
Nenhum governo, nas actuais circunstâncias, escapará a este destino. Não haja ilusões. Será sempre fácil apresentar qualquer política que não seja repor subsídios e baixar impostos como a "continuação da austeridade que nos trouxe até aqui". Para a oligarquia, a missão dos governos no actual contexto é só uma: salvar o regime carregando sozinhos com as culpas. Compete ao Governo ser mau para que todos possamos ser bons", Rui Ramos (Expresso, 5.1.2013: 51).
Momento Monty Python
"A mensagem de ano novo (...) revela um Presidente da República cada vez mais afastado do primeiro-ministro – e cada vez mais próximo de António José Seguro e de Paulo Portas", escreve Luís Rosa, director-adjunto do jornal i.
Eu até iria mais longe do que Luís Claro. Perante tanta 'proximidade', se houvesse eleições legislativas nos próximos dias, arriscava dizer que Cavaco Silva era capaz de participar na campanha eleitoral do PS, lado a lado com Pedro Silva Pereira. Aliás, estar mais próximo de Seguro ou de Portas é exactamente a mesma coisa. Uma autêntica quadratura do círculo, esta análise de Luís Claro.
Eu até iria mais longe do que Luís Claro. Perante tanta 'proximidade', se houvesse eleições legislativas nos próximos dias, arriscava dizer que Cavaco Silva era capaz de participar na campanha eleitoral do PS, lado a lado com Pedro Silva Pereira. Aliás, estar mais próximo de Seguro ou de Portas é exactamente a mesma coisa. Uma autêntica quadratura do círculo, esta análise de Luís Claro.
A coerência política é muito incómoda
António Capucho já disse deste Governo aquilo que Maomé não disse do toucinho. Contudo, tal não o impediu de pedir uma audiência ao ministro da Defesa para tratar da sua vida. Talvez estejamos perante um caso, digamos, de excessivo pragmatismo, para não dizer outra coisa?
As Idades do Mar
A decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, termina no próximo dia 27 de Janeiro a exposição "As Idades do Mar". Recomendo.
Mais outro artista com muitas opiniões [2]
Muito claramente, Alberto da Ponte está a ter dificuldade em se adaptar ao seu novo papel. Desautorizado, uma vez mais (como também se nota aqui). Já se percebeu que convive bem com a situação. É a vida.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Os caçadores de escalpes do Bloco [1]
O Bloco de Esquerda não se limita a denunciar um eventual conflito de interesses. Vai mais longe e acusa António Lobo Xavier de "representar os interesses que não são os do país, os de todos os contribuintes, os interesses do Estado". Em suma, acusa-o -- existe outra interpretação? -- de falta de seriedade. Eis um julgamento sumário, sem direito a defesa, na praça pública. O Bloco não esperou para ver os resultados do futuro estudo. Muito antes ainda de existir um estudo, Lobo Xavier foi imediatamente condenado assim que se soube que seria o coordenador dos trabalhos. De nada interessa se Lobo Xavier é um especialista na matéria em causa. Aquilo que interessa é que Lobo Xavier está ao serviço do grande capital. E quem está nos conselhos de administração das grandes empresas, já se sabe, na perspectiva do Bloco é gente que em circunstância alguma defenderá os interesses do Estado e o bem comum.
O Bloco, evidentemente, está também a criticar o Governo pela sua escolha. Mais. Está a partir do pressuposto de que o Governo receberia o estudo das mãos de Lobo Xavier sem qualquer capacidade crítica ou de escrutínio. No fundo, no fundo, o Governo também estará feito com o grande capital.
No meio disto, surge-me uma dúvida: se o objectivo consistia, por acção ou por omissão, em beneficiar os "grandes grupos empresariais", não teria sido mais inteligente fazer a coisa de forma discreta?
O Bloco, evidentemente, está também a criticar o Governo pela sua escolha. Mais. Está a partir do pressuposto de que o Governo receberia o estudo das mãos de Lobo Xavier sem qualquer capacidade crítica ou de escrutínio. No fundo, no fundo, o Governo também estará feito com o grande capital.
No meio disto, surge-me uma dúvida: se o objectivo consistia, por acção ou por omissão, em beneficiar os "grandes grupos empresariais", não teria sido mais inteligente fazer a coisa de forma discreta?
Queda do Governo?
A declaração de inconstitucionalidade do Orçamento do Estado para 2013 pode levar à "queda do Executivo", refere o Sol. Bom, hipoteticamente tal poderá acontecer, mas só se o Governo quiser. Ora, Pedro Passos Coelho sabe que, nesta fase, em circunstância alguma ganharia eleições legislativas antecipadas. Logo, o Primeiro-Ministro não tem interesse eleitoral em provocar a sua própria queda. A não ser que queira deitar a toalha ao chão, o que também não me parece muito provável. Sejamos claros. Há sempre alternativas políticas. Umas melhores do que as outras, é certo, mas há sempre alternativas. Por isso, não há razão nenhuma para temer a queda do Governo.
Isto dito, é óbvio que pode haver interesse em colocar esta possibilidade em discussão no espaço público, por mais remota que seja. Meros jogos de bastidores, inevitáveis no palco da política. Mas, repito, sem novos desenvolvimentos, sem que Passos Coelho suba a fasquia, tudo não passa de fumaça.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Conselho de Segurança: nova candidatura
Paulo Portas revelou hoje que Portugal vai apresentar uma nova candidatura ao Conselho de Segurança (CS) da ONU para o biénio de 2027/2028. Sim, leram bem, em 2013 os países lançam candidaturas para o CS da ONU a 15/20 anos de distância, o que revela bem como são apetecidos aqueles lugares.
José Amaral, Sara Martins e Rui Macieira, diplomatas do MNE, diziam em 2010 o seguinte sobre esta matéria (no caso ainda sobre a candidatura de 2011/2012) e que vale a pena recuperar:
"A country now looking for a totally empty term would need to submit an application for 2029-2030, almost 18 years before the voting.
Portugal officially launched its candidature early in 2000, 10 years before voting. As we have seen, small and medium countries need to be particularly careful in looking for an empty biennium, to maximize their chances of being elected.
The paradox is that the further in advance a candidature is submitted, the longer the necessary campaign will be. Longer campaigns present greater challenges for small and medium countries, since they have fewer human and material resources at their disposal.
A very long lag between launching and actual voting means that several political cycles may take place, both in the UN electorate in general and in one's competitors. Changes in government pose particular challenges. A change in government is one of the very few (somehow) respectable ways for a country to change its given support. A candidate therefore needs to be particularly aware of changes in government all over the world, both in its own supporters (risk) and non-supporters (opportunity).
But changes in the government of one's competitors also need to be carefully evaluated. Indeed, it is not just foreign policy options and alignments that may change, but also internal policies relevant to the way others see that country (for instance in energy or migration).
These factors tend to benefit big countries. They are better prepared to sustain long term campaigns, based on their superior financial capabilities and vast diplomatic network, which may guarantee first hand information on changes in government and their options all over the world.
Fortunately for small and medium sized countries, there are other trends that counteract these big countries' advantages. As (at least some) big countries try to muster their way into the Security Council with increased frequency, there is an "underdog" factor that benefits small and medium countries.
Smaller countries are also more accustomed to seeking alliances, which they see as an enabling instrument of their external assertiveness, rather than proof of weakness. Bigger countries also tend to be remarkably competitive with each other.
Smaller countries can often count on a measure of support from one or another big country unhappy with overly visible fellow big countries.
If one combines all these factors and adds existing European fault lines, the result is an increased, and increasing, role for allies in these long campaigns."
Recordo que neste momento está em curso a campanha portuguesa para garantir um lugar no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU para o triénio de 2014/2017. Portugal já perdeu uma eleição anterior e desta vez não quer falhar (e aparentemente a campanha está a correr bem). Regra geral, depois de uma presença no CS da ONU, os países aproveitam para de seguida marcar presença no CDH. Veremos.
Regressando ainda ao texto acima citado, 2027/2028 será seguramente nesta fase (ainda) uma clean slot. Isto dito, aparentemente já existe pelo menos um candidato no terreno.
José Amaral, Sara Martins e Rui Macieira, diplomatas do MNE, diziam em 2010 o seguinte sobre esta matéria (no caso ainda sobre a candidatura de 2011/2012) e que vale a pena recuperar:
"A country now looking for a totally empty term would need to submit an application for 2029-2030, almost 18 years before the voting.
Portugal officially launched its candidature early in 2000, 10 years before voting. As we have seen, small and medium countries need to be particularly careful in looking for an empty biennium, to maximize their chances of being elected.
The paradox is that the further in advance a candidature is submitted, the longer the necessary campaign will be. Longer campaigns present greater challenges for small and medium countries, since they have fewer human and material resources at their disposal.
A very long lag between launching and actual voting means that several political cycles may take place, both in the UN electorate in general and in one's competitors. Changes in government pose particular challenges. A change in government is one of the very few (somehow) respectable ways for a country to change its given support. A candidate therefore needs to be particularly aware of changes in government all over the world, both in its own supporters (risk) and non-supporters (opportunity).
But changes in the government of one's competitors also need to be carefully evaluated. Indeed, it is not just foreign policy options and alignments that may change, but also internal policies relevant to the way others see that country (for instance in energy or migration).
These factors tend to benefit big countries. They are better prepared to sustain long term campaigns, based on their superior financial capabilities and vast diplomatic network, which may guarantee first hand information on changes in government and their options all over the world.
Fortunately for small and medium sized countries, there are other trends that counteract these big countries' advantages. As (at least some) big countries try to muster their way into the Security Council with increased frequency, there is an "underdog" factor that benefits small and medium countries.
Smaller countries are also more accustomed to seeking alliances, which they see as an enabling instrument of their external assertiveness, rather than proof of weakness. Bigger countries also tend to be remarkably competitive with each other.
Smaller countries can often count on a measure of support from one or another big country unhappy with overly visible fellow big countries.
If one combines all these factors and adds existing European fault lines, the result is an increased, and increasing, role for allies in these long campaigns."
Recordo que neste momento está em curso a campanha portuguesa para garantir um lugar no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU para o triénio de 2014/2017. Portugal já perdeu uma eleição anterior e desta vez não quer falhar (e aparentemente a campanha está a correr bem). Regra geral, depois de uma presença no CS da ONU, os países aproveitam para de seguida marcar presença no CDH. Veremos.
Regressando ainda ao texto acima citado, 2027/2028 será seguramente nesta fase (ainda) uma clean slot. Isto dito, aparentemente já existe pelo menos um candidato no terreno.
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