quarta-feira, 31 de julho de 2013

Moção de confiança: um bom augúrio?

"Esta foi a 11 moção de confiança da nossa democracia; as dez que a antecederam não foram em geral um bom augúrio em termos de estabilidade governativa. Com efeito, se apenas a primeira destas moções levou à queda de um Governo, a verdade é que nenhum dos outros governos que apresentou moções de confiança conseguiu concluir uma legislatura."
Carlos Jalali (Público, 31.7.2013: 4).
Carlos Jalali, professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro, não vai ao ponto de estabelecer uma relação de causalidade entre a apresentação de uma moção de confiança e o destino dos governos, mas em todo o caso parece julgar estar perante algo de considera relevante destacar, caso contrário não o faria.
Ora, na verdade, o que destaca é uma mão cheia de nada. Pior. Compara o que não pode ser comparado, por exemplo governos minoritários com governos com maioria absoluta. Nem me parece que do universo de dez moções se possa inferir muita coisa, ainda que tudo fosse constante (e não é). Em suma, no que toca a moções de confiança, o passado tem pouco que nos possa servir de lição. O Governo até pode não terminar a legislatura, mas o augúrio de Jalali não tem qualquer valor.

Nada menos correcto [2]

Evidentemente.

Santander Totta

Vieira Monteiro lá vai procurando defender os swap do Santander Totta. Faz o seu papel. Eu, como simples cidadão, também faço o meu à minha escala. Depois de transferir o dinheiro para outra instituição, nos próximos dias há uma conta bancária no Santander Totta que vai ser encerrada. Vai uma aposta que se muitos clientes do banco seguissem o meu exemplo o Santander Totta chegava rapidamente a um acordo com o Estado português?
P.S. -- A minha decisão é irrevogável. No sentido clássico, i.e. antes de Portas.

Nada menos correcto

"Eu falo directamente com o primeiro-ministro que continua a reafirmar seguramente, sem a mínima dúvida, eu não posso deixar de acreditar no primeiro-ministro", afirmou [o Presidente da República], lembrando que, quando o nome lhe foi proposto, Pedro Passos Coelho lhe deu "garantias absolutas de que nada menos correcto pesava" sobre a ministra [Maria Luís Albuquerque].
Cavaco Silva, bem ao seu estilo, o que dá com uma mão tira com a outra. Por um lado recusa entrar na polémica sobre a idoneidade da ministra das Finanças, mas por outro deixa bem claro que a sua posição resulta exclusivamente da informação que lhe foi transmitida pelo primeiro-ministro. O que, em bom rigor, nem é institucionalmente incorrecto.
Maria Luís Albuquerque não teria sido a minha escolha para ministra das Finanças, ainda que tenha percebido a intenção do primeiro-ministro. Isto dito, até prova em contrário e no que se refere à sua idoneidade, Maria Luís Albuquerque tem todas as condições para desempenhar o cargo de ministra das Finanças. A suposta polémica sobre as suas declarações no Parlamento, em que alegadamente teria mentido, é pura chicana político-partidária. Espuma, portanto.

Pequenos raios de luz

Não são mais do que isso, mas sempre é melhor do que nada.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Sempre a aprender

Tomando como boa a palavra de Mário Soares, aparentemente Álvaro Santos Pereira andou a pedir conselhos aqui e ali. Soares, em tempo de guerra, não limpa armas e Álvaro recebe mais uma lição. Póstuma, neste caso. Santos Pereira queria conselhos de Soares sobre economia. Fico esclarecido. Afinal, o chuto que levou só pecou por tardio.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A sua falta...

...foi sentida. A falta que nos fizeram. Era quase como se nos faltasse o oxigénio. Felizmente estão de volta.

Esclarecimento tardio

Silva Peneda esclarece hoje em entrevista publicada pelo Diário Económico que rejeita a ideia de participação num Governo de iniciativa presidencial. Muito bem. Fica feito o esclarecimento. Só há um pormenor. Trata-se de um esclarecimento totalmente irrelevante no actual contexto. Teria sido uma clarificação relevante se a tivesse feito publicamente entre a primeira e a segunda intervenção do Presidente da República. Nessa altura poderia ter esclarecido, como fez agora, que não contavam consigo para aventuras políticas dessa natureza. Curiosamente, Silva Peneda, alguém cujo acesso à comunicação social não é um problema, permaneceu em silêncio.

domingo, 28 de julho de 2013

A traição das palavras

O líder do PS, o actual ou outro, pode dizer que "ninguém leva a sério" o primeiro-ministro, o actual ou outro, e ninguém questiona a dureza das suas palavras. Em contrapartida, se fosse ao contrário, não faltaria quem criticasse a dureza e o tipo de linguagem utilizada pelo primeiro-ministro.
Como explicar esta aparente duplicidade de critérios?
Julgo que ao líder de um Governo não toleramos uma liberdade na linguagem, digamos, pouco institucional. Em contrapartida, ao líder do principal partido da oposição, consoante os ciclos políticos, toleramos uma linguagem mais agressiva e menos cordial. No fundo, incorporamos na nossa duplicidade de critérios o desequilíbrio de poder que percepcionamos existir entre o primeiro-ministro e o líder do principal partido da oposição.
Mas não somos só nós que o fazemos. Curiosamente, os próprios actores políticos também incorporam essa assimetria. O primeiro-ministro tem a noção de que não deve e não precisa de ser excessivamente agressivo com o líder do principal partido da oposição, comportamento que muito provavelmente se altera com o aproximar de novos ciclos eleitorais. E o líder do principal partido da oposição, em contrapartida, tendo por base a sua fraqueza política, sente a necessidade de utilizar uma agressividade política que não utilizaria se fosse primeiro-ministro.
No fundo, António José Seguro acusa o primeiro-ministro de ninguém o levar a sério porque é ele e não Pedro Passos Coelho quem tem um défice de credibilidade. A ironia é que, ao criticar o primeiro-ministros nesses termos, na prática está a chamar a atenção para o facto de ser a si que ninguém leva muito a sério.

Verdades indesmentíveis

Ao que o meio de comunicação social A, B ou C apurou a figura D, E ou F foi um dos nomes na short-list para o cargo X, Y ou Z.
Este tipo de afirmação, por regra, é impossível de confirmar. Quem o pode confirmar não o faz. Quem lança os nomes -- muitas vezes o próprio -- fá-lo sempre sob anonimato e por regra tem uma agenda política própria.
O leitor acreditará ou não, consoante a credibilidade que atribui ao meio de comunicação social e/ou ao jornalista em particular.
À medida que o tempo passa por mim, acredito cada vez menos.

Precisa, determinada, grande

"Soares é um homem de poder e não se limita a exercer uma certa influência, quer exercer uma influência precisa, determinada e grande."
Manuel Lucena (Público/2, 28.7.2013: 30).

Devidamente percebidas

Como é óbvio. Espuma, espuma, espuma.

sábado, 27 de julho de 2013

Em destaque [11]

Paul Auster and J. M. Coetzee, Here and Now (Faber and Faber, 2013).

Descubra as diferenças

"Não é prática do PS pedir a demissão de nenhum ministro. O PS contesta as políticas, contesta o Governo e quando entende defende a saída do Governo. A saída de um ou outro ministro é da competência do primeiro-ministro."
Óscar Gaspar, assessor económico de António José Seguro e dirigente do PS (Diário Económico, 26.7.2013: 11).

"[F]ace aos factos já apurados, o Partido Socialista considera que Maria Luís Albuquerque não tem condições de idoneidade política para se manter em funções governativas no alto e exigente cargo de ministra das Finanças."
Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS (Diário Económico online, 26.7.2013).

Vale a pena comentar?

Já começaram...

...as desilusões? E agora quem o ilude?

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Por outras palavras

O PS decidiu actuar politicamente para garantir a manutenção da ministra das Finanças. Quem é amigo, quem é?

Que os deuses a oiçam

"Os indicadores de actividade económica revelam que podemos estar num momento de viragem e que entrámos no ciclo final do ajustamento", afirmou hoje a ministra das Finanças.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A remodelação

Teria sido possível fazer esta remodelação ministerial -- que indiscutivelmente trouxe valor acrescentado ao Governo -- depois das autárquicas, ou no início de 2014, como supostamente quereria o primeiro-ministro?
Não acredito.

Subscrevo...

...grande parte do que destaca Medeiros Ferreira. No meio da tempestade, o desfecho é favorável ao primeiro-ministro. Não vejo, por isso, razão alguma para que a legislatura não faça o seu caminho até 2015.

Momentos Kodak: António Capucho

Declarações recolhidas por Pedro Correia. Capucho é também uma fonte de excelente análise política.