E eis que, finalmente, a guerra é assumida de forma aberta.
Repito, no entanto, o que já escrevi há alguns dias. Os problemas do Grupo Espírito Santo com Angola não se circunscrevem à sua relação com Álvaro Sobrinho. Era relevante, ou interessante do ponto de vista jornalístico, saber o que é que criou, ou tem vindo a criar, problemas na venda da ESCOM.
[Adenda]
Nota da direcção do i, e mais um artigo.
José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Ricardo Salgado
Nova semana, nova notícia sobre Ricardo Salgado, num dos jornais do costume. O assunto, curiosamente, não desperta a atenção da restante imprensa portuguesa, nomeadamente a económica. De duas uma. Ou tudo não passa de uma enorme especulação e, como se sabe, a nossa imprensa mantém uma conduta rigorosa e intransigente contra a especulação jornalística. Ou então o respeitinho é muito bonito, opção que não faz muito sentido porque, como se sabe também, a nossa comunicação social é marcadamente rebelde e gosta de questionar os poderosos. Tudo não passa, no fundo, de um lapso de concentração. A malta está toda a olhar para o bumbum da outra, isso sim um tema a merecer ampla atenção.
Eleições autárquicas
Um enorme bocejo. O meu desinteresse dificilmente poderia ser maior. Hesito entre votar em branco, a minha opção preferencial, ou votar no PSD, neste caso apenas para contrariar a leitura nacional que o PS quer fazer dos resultados eleitorais. Veremos.
Um terceiro balanço
Além de cortes, cortes, cortes, -- e privatizações -- o que é que foi feito nos últimos dois anos nas áreas da Educação? Ciência? Administração Interna? Justiça? Cultura? Saúde? Agricultura? Ambiente? Economia?
Alguém sabe?
Dão-se alvíssaras a quem souber.
Alguém sabe?
Dão-se alvíssaras a quem souber.
Um segundo balanço
Se alguém me perguntar uma medida, um programa, algo que este Governo tenha feito nos últimos dois anos que vá para além do programa em negociação permanente com a troika, confesso que não sou capaz de dar um único exemplo. Nada.
Não quero com isto desvalorizar o que tem sido feito nesse domínio. Fazer regressar Portugal do poço sem fundo em que se encontrava é algo que merece ser reconhecido e elogiado. Mas, caramba, digamos que é curto, muito curto, em termos de um balanço provisório de governação.
Não quero com isto desvalorizar o que tem sido feito nesse domínio. Fazer regressar Portugal do poço sem fundo em que se encontrava é algo que merece ser reconhecido e elogiado. Mas, caramba, digamos que é curto, muito curto, em termos de um balanço provisório de governação.
Um primeiro balanço
Desde que Miguel Poires Maduro e Pedro Lomba entraram para o Governo nota-se uma grande diferença na qualidade da comunicação.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
O que será?
Neste, como noutros textos similares, constato com alguma surpresa que ninguém admite, nem que seja teoricamente, uma possibilidade que não excluo, i.e. o regresso ao local do crime. Aparentemente ninguém parece levar muito a sério a hipótese de José Sócrates querer voltar a ser primeiro-ministro. Bem sei que ser primeiro-ministro mais do que uma vez tem sido a excepção e não a regra. No período pós-1976, apenas Mário Soares foi primeiro-ministro duas vezes e nos dois casos antes da adesão de Portugal à União Europeia em 1986. Mas não sendo a regra esta é uma possibilidade que no caso de Sócrates não excluo, antes pelo contrário.
José Sócrates é ainda muito novo e tem um currículo que seguramente joga a seu favor. Enfim, descontando o facto de ter levado Portugal ao tapete... Adiante. Ele foi o único secretário-geral do PS que conseguiu obter uma maioria absoluta. Acresce que o ex-líder do PS tem um perfil e uma personalidade que se coaduna muito mais com o cargo de primeiro-ministro do que Presidente. (Refira-se que em todo o caso pode sempre ser Presidente mais tarde.) Voltar a ser primeiro-ministro tem dois desafios que me parecem ser interessantes do seu ponto de vista. Primeiro, conseguir igualar e ir mais longe do que Mário Soares na liderança do PS. Segundo, mais importante, ajustar contas com a História, numa espécie de processo de redenção, se possível com algumas bofetadas de luva branca. Recordo que parte das suas tropas continua muito activa nos planos político e mediático. Tropas, lembre-se, com as quais ele não perdeu o contacto. Outros, estando mais adormecidos, continuam em todo o caso em posições partidárias relevantes. Sócrates apenas precisa de dar tempo ao tempo, refazer a sua imagem e esperar pela oportunidade. Oportunidade que no curto-prazo depende em larga medida de António José Seguro. Dito isto, se o momento certo não surgir, Sócrates poderá sempre reajustar os seus planos. Uma coisa é certa. Politicamente morto é que ele não está. Infelizmente, tenho de acrescentar.
José Sócrates é ainda muito novo e tem um currículo que seguramente joga a seu favor. Enfim, descontando o facto de ter levado Portugal ao tapete... Adiante. Ele foi o único secretário-geral do PS que conseguiu obter uma maioria absoluta. Acresce que o ex-líder do PS tem um perfil e uma personalidade que se coaduna muito mais com o cargo de primeiro-ministro do que Presidente. (Refira-se que em todo o caso pode sempre ser Presidente mais tarde.) Voltar a ser primeiro-ministro tem dois desafios que me parecem ser interessantes do seu ponto de vista. Primeiro, conseguir igualar e ir mais longe do que Mário Soares na liderança do PS. Segundo, mais importante, ajustar contas com a História, numa espécie de processo de redenção, se possível com algumas bofetadas de luva branca. Recordo que parte das suas tropas continua muito activa nos planos político e mediático. Tropas, lembre-se, com as quais ele não perdeu o contacto. Outros, estando mais adormecidos, continuam em todo o caso em posições partidárias relevantes. Sócrates apenas precisa de dar tempo ao tempo, refazer a sua imagem e esperar pela oportunidade. Oportunidade que no curto-prazo depende em larga medida de António José Seguro. Dito isto, se o momento certo não surgir, Sócrates poderá sempre reajustar os seus planos. Uma coisa é certa. Politicamente morto é que ele não está. Infelizmente, tenho de acrescentar.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Para memória futura
Sim, se houver um segundo resgate foi porque o Governo falhou. No excuses, please. Se não houver um novo resgate foi porque o Governo teve êxito. Não retirar o mérito, se faz favor. Tão simples como isto.
Os mercados...
...reagiram mal perante a re-eleição de Angela Merkel. Os mercados querem o melhor de dois mundos, i.e. estímulos à economia -- despesa pública, portanto -- e contas públicas controladas. Esquizofrenia, pura e dura.
domingo, 22 de setembro de 2013
Os caça multas
Eis no que está convertida a GNR e a secção de trânsito da PSP. Um autêntico negócio com prémios e dividendos financeiros, e com muita falta de bom senso. Imagino que poucos devem ser hoje os cidadãos que não foram brindados com uma coima, ou mais do que uma, grave ou muito grave. Quem é que considera, como diz o lema, a GNR "uma força humana, próxima e de confiança"? Ou a PSP?
A GNR começou mais uma operação de combate à sinistralidade rodoviária. O excesso de velocidade e a velocidade excessiva serão, como quase sempre acontece, o alvo. É fácil, é barato, e dá literalmente milhões. Pouco importa que excesso de velocidade e velocidade excessiva sejam dois fenómenos muito diferentes. Os radares serão colocados nos sítios do costume, o que significa que apanharão apenas os distraídos ou quem circula pela primeira vez naquele local. Uma coisa, caro leitor, lhe garanto: os radares não serão colocados nos pontos negros de sinistralidade rodoviária, como o bom senso aconselharia. Serão colocados, isso sim, em sítios onde o potencial para facturar é maior. Locais onde facilmente se cai em excesso de velocidade, segundo a sinalização, mas em que a velocidade não é necessariamente excessiva.
Os caça multas da GNR e da PSP estarão apenas a fazer o seu trabalho, alegarão os próprios, não questionando as ordens. Alguns até lhes dará gozo lixar a vida ao cidadão comum. Os agentes da antiga PIDE não fariam melhor.
A GNR começou mais uma operação de combate à sinistralidade rodoviária. O excesso de velocidade e a velocidade excessiva serão, como quase sempre acontece, o alvo. É fácil, é barato, e dá literalmente milhões. Pouco importa que excesso de velocidade e velocidade excessiva sejam dois fenómenos muito diferentes. Os radares serão colocados nos sítios do costume, o que significa que apanharão apenas os distraídos ou quem circula pela primeira vez naquele local. Uma coisa, caro leitor, lhe garanto: os radares não serão colocados nos pontos negros de sinistralidade rodoviária, como o bom senso aconselharia. Serão colocados, isso sim, em sítios onde o potencial para facturar é maior. Locais onde facilmente se cai em excesso de velocidade, segundo a sinalização, mas em que a velocidade não é necessariamente excessiva.
Os caça multas da GNR e da PSP estarão apenas a fazer o seu trabalho, alegarão os próprios, não questionando as ordens. Alguns até lhes dará gozo lixar a vida ao cidadão comum. Os agentes da antiga PIDE não fariam melhor.
Curiosidades (act.)
Quem quiser ler notícias, análises e especulações sobre Ricardo Salgado -- e o Grupo Espírito Santo (GES) -- deve ler a imprensa portuguesa de capitais maioritariamente angolanos, ou cuja gestão é controlada por capitais angolanos, como é o caso dos jornais Sol e i.
Apenas nesta semana, dois exemplos:
Apenas nesta semana, dois exemplos:
Num caso e noutro estamos a falar de jornais controlados pela Newshold de Álvaro Sobrinho que no ano passado foi promovido, salvo seja, de CEO a chairman do BESA, e que agora se prepara, pura e simplesmente, para abandonar o cargo. Apesar das juras mútuas de amor é evidente que a relação entre Ricardo Salgado e Álvaro Sobrinho se deteriorou muito nos últimos anos. Não surpreende, por isso, que a Newshold surja como a ponta da lança mediática que tem dado dores de cabeça ao GES em Portugal.
Não gosto muito de teorias da conspiração, mas o processo que começou com a recomposição da estrutura accionista do BESA está ainda por contar. Situações como esta de "problemas de tesouraria" são apenas uma ponta do véu do pouco que se sabe publicamente da deterioração das relações do GES com Angola. "Dificuldades" que se repetem noutras frentes, como é o caso da ESCOM.
P.S. -- Lembra-se disto, caro leitor?
[Adenda]
As complicações em diferentes frentes, nomeadamente no BESA e na ESCOM, confirmam que os problemas do GES não se limitam à relação com Álvaro Sobrinho. A questão é mais complexa e mais profunda. Mas mesmo que não fosse, é evidente que o antigo homem forte do BESA não declararia guerra a Ricardo Salgado sem a devida cobertura de instâncias superiores.
sábado, 21 de setembro de 2013
Allez, allez, Sporting allez [5]
Este foi o primeiro jogo desta época que fui ver com o meu filho ao Estádio de Alvalade. O resultado lembra aos mais optimistas que em circunstâncias normais o Sporting não é candidato ao título. Na conferência de imprensa, o treinador Leonardo Jardim -- que muito aprecio -- resumiu bem o que se passou em campo, i.e. a equipa do Sporting revelou a sua imaturidade ao baixar excessivamente a pressão sobre o adversário. Sim, a equipa terá sido prejudicada pela arbitragem, mas isso não é desculpa. No jogo anterior aconteceu o contrário. O Sporting apenas se pode queixar de si próprio pelo empate que obteve. É a vida. Allez, allez, Sporting allez...
Foto: Francisco Leong (AFP via Público).
Surpresas de 2013
Percorridos que estão quase três quartos deste ano, confesso a minha surpresa pela diminuta agitação social. No final de 2012, em parte influenciado pelo que acontecera nesse ano, com o desemprego ainda a subir, esperava que o ano seguinte fosse muito difícil. Não foi o que sucedeu, pelo menos até agora. O descontentamento não se evaporou, como é óbvio, mas de forma orgânica ou espontânea, a verdade é que não se repetiram até ao momento as grandes manifestações de 2012, ou os momentos de tensão. Uma explicação?
Não tenho.
Não tenho.
Uma dúvida
Esta história está mesmo bem contada?
Custa-me a acreditar que esteja. Esteja ou não, o Governo tem de a esclarecer. Tal como é narrada, a situação parece demasiado opaca, demasiado anormal. Importa, por isso, clarificar tudo o mais rapidamente possível.
Custa-me a acreditar que esteja. Esteja ou não, o Governo tem de a esclarecer. Tal como é narrada, a situação parece demasiado opaca, demasiado anormal. Importa, por isso, clarificar tudo o mais rapidamente possível.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
A porta das traseiras?
Curiosa, esta notícia. De duas uma. Ou a jornalista está a valorizar algo que é incerto, ou cujo impacto não será tão significativo como dá a entender. Ou então o Governo não sabe o que anda a fazer. Ocorre-me ainda uma terceira hipótese. O Governo quando aponta para um défice de 4.5% em 2014 nas negociações com a troika na verdade sabe que está a negociar uma margem ainda maior. No meio disto, o leitor que escolha...
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Horror ao vazio
Em política nada fica por preencher por muito tempo, incluindo o lugar do morto. Com ou sem razão para isso, Álvaro Santos Pereira e Vítor Gaspar -- e Miguel Relvas noutro plano -- foram durante muito tempo os bombos -- não confundir com os bobos -- da festa. Com a sua saída do Governo, inevitavelmente quem estava protegido da barragem de fogo passou a estar em campo aberto. Maria Luís Albuquerque e Nuno Crato, mal ou bem, são agora os alvos preferenciais.
Moral da história?
Os seus colegas, se eu estivesse no seu lugar, tudo deveriam fazer para os defender. Afinal, nunca se sabe quem será o próximo a ficar com o lugar do morto...
A cereja no topo do bolo
O que agora nos estava a fazer falta era a possibilidade de a ministra das Finanças ter de se demitir. Mas parece-me óbvio e evidente que temos aqui um problema.
O regresso aos mercados [5]
Na linha do que escrevi, veja-se como os juros flutuam em função de variáveis externas e não apenas em resposta a factores de ordem interna. Repito -- repita comigo, caro leitor, mil vezes se necessário -- dívida igual a fragilidade.
A maldita falta de memória
Na passada Primavera a atmosfera que se respirava era francamente optimista. O regresso aos mercados era uma hipótese que se discutia abertamente e a próxima frente de batalha passava por conseguir que o rating de Portugal fosse revisto em alta. Repito o que já escrevi anteriormente. Confesso que pensei que tinha sido demasiado pessimista, que me tinha enganado, ainda que para mim fosse cristalino que haveria crise política da grossa algures em 2013.
Tudo isto são agora memórias, uma nota de rodapé na história futura destes dias. Hoje o regresso aos mercados é uma hipótese remota no curto e médio prazo, e o rating não só não melhorará tão depressa como ainda por cima poderá piorar.
O Governo é a entidade que mais informação possui para decidir qual o melhor caminho a trilhar. Visto de fora, a mim parece-me que ontem, com a decisão da S&P, a tentativa de rever em alta as metas do défice para o próximo ano sofreu um duro e pesado revés. No mínimo talvez fosse melhor ter alguma contenção nas declarações públicas.
Lamento, lamento mesmo muito, que tenhamos uma memória curta e que o tempo dilua a memória dos dias que temos vindo a viver desde que fomos obrigados a pedir auxílio externo. Os portugueses -- por portugueses leia-se opinião pública em geral, mas também políticos, empresários, reguladores, banqueiros -- que tanto gostam de tatuar o corpo deveriam ter obrigatoriamente um tattoo na testa, para que fossem permanentemente confrontados com isso e em momento algum o esquecessem, a dizer que um Estado endividado até ao tutano é um Estado miseravelmente frágil. Um Estado que gasta o que não tem mais tarde ou mais cedo está metido num grande sarilho.
P.S. -- Entretanto, o sujeito que nos enfiou neste buraco sem fim parece que vai lançar um livro. É assim a política. O responsável pelo atoleiro em que nos encontramos faz a sua vidinha na boa como se nada fosse com ele. Isto diz mais sobre nós do que sobre ele.
[Adenda]
Sobre a contenção verbal, eis o pedido de silêncio. Isto dito, não deveria ter sido o líder do PSD e primeiro-ministro a fazer essa intervenção?
Tudo isto são agora memórias, uma nota de rodapé na história futura destes dias. Hoje o regresso aos mercados é uma hipótese remota no curto e médio prazo, e o rating não só não melhorará tão depressa como ainda por cima poderá piorar.
O Governo é a entidade que mais informação possui para decidir qual o melhor caminho a trilhar. Visto de fora, a mim parece-me que ontem, com a decisão da S&P, a tentativa de rever em alta as metas do défice para o próximo ano sofreu um duro e pesado revés. No mínimo talvez fosse melhor ter alguma contenção nas declarações públicas.
Lamento, lamento mesmo muito, que tenhamos uma memória curta e que o tempo dilua a memória dos dias que temos vindo a viver desde que fomos obrigados a pedir auxílio externo. Os portugueses -- por portugueses leia-se opinião pública em geral, mas também políticos, empresários, reguladores, banqueiros -- que tanto gostam de tatuar o corpo deveriam ter obrigatoriamente um tattoo na testa, para que fossem permanentemente confrontados com isso e em momento algum o esquecessem, a dizer que um Estado endividado até ao tutano é um Estado miseravelmente frágil. Um Estado que gasta o que não tem mais tarde ou mais cedo está metido num grande sarilho.
P.S. -- Entretanto, o sujeito que nos enfiou neste buraco sem fim parece que vai lançar um livro. É assim a política. O responsável pelo atoleiro em que nos encontramos faz a sua vidinha na boa como se nada fosse com ele. Isto diz mais sobre nós do que sobre ele.
[Adenda]
Sobre a contenção verbal, eis o pedido de silêncio. Isto dito, não deveria ter sido o líder do PSD e primeiro-ministro a fazer essa intervenção?
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