domingo, 6 de outubro de 2013

Uma tempestade num copo de água [2]

O Jornal de Angola sai em defesa de Rui Machete?
Não me parece que o Jornal de Angola tenha saído em defesa de Rui Machete. Ainda que tal fosse verdade, há ajudas que desajudam e esta seria uma delas. Mas o Jornal de Angola, não confundamos os factos, não saiu em defesa de Machete. O Jornal de Angola utilizou Machete para atacar a Procuradora-Geral da República, o que são propósitos muito distintos. O Jornal de Angola utiliza Machete, mero peão circunstancial. A linha de continuidade é o ataque à PGR, com ou sem razão.

sábado, 5 de outubro de 2013

Allez, allez, Sporting allez [7]

Mais um jogo, mais uma vitória com nova goleada. Continua a sintonia entre a equipa e o público, com muito mérito de Bruno de Carvalho -- alguém que tenho de confessar que está a ser uma enorme surpresa pela positiva.  De novo casa cheia, com mais de 32 mil espectadores no Estádio de Alvalade. Fui ver o jogo com os meus dois filhos de 7 e 12 anos. O mais pequeno nunca tinha entrado em Alvalade, ou num estádio daquela dimensão. Ficou deliciado com a experiência, ainda por cima com tantos golos. Quanto ao jogo, duas partes distintas, a primeira mais equilibrada, a segunda de claro domínio do Sporting. A vitória é indiscutível, ainda que a goleada talvez seja um pouco pesada para o Vitória de Setúbal.
Mais três pontos, numa altura em que o Sporting atravessa um bom momento, mas em que deve continuar a prevalecer a cabeça fria e o realismo. Quanto ao resto, não há muito mais para acrescentar. Como sempre, allez, allez, Sporting allez...

Descubra as diferenças [2]

"Não é prática do PS pedir a demissão de nenhum ministro. O PS contesta as políticas, contesta o Governo e quando entende defende a saída do Governo. A saída de um ou outro ministro é da competência do primeiro-ministro."
Óscar Gaspar, assessor económico de António José Seguro e dirigente do PS (Diário Económico, 26.7.2013: 11).

O secretário-geral do PS, António José Seguro, pediu na madrugada deste sábado a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, em "nome da dignidade" (Público online, 5.10.2013).

Coerência nas posições e nas práticas. Um partido que contesta políticas e não pessoas. Santa paciência.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Em destaque [32]

Mario Vargas Llosa, O Herói Discreto (Quetzal, 2013).

A estupidez devia pagar impostos

A relevância do assunto é nula e só é notícia porque João Montenegro armado em chico esperto o tentou esconder. Esta rapaziada tem tanta experiência política, comeram tanta carne assada e colaram tantos cartazes, mas não aprenderam uma regra básica em política: esconder é a pior das soluções. Aliás, nem se percebe o motivo que o levou a tentar esconder, uma vez que nunca teve posições de responsabilidade no BPN, ou esteve envolvido em qualquer acto ilícito. Realmente, a estupidez devia ter de pagar impostos. Ou uma coima pesada.
Se eu alguma vez assumisse uma função política até a minha ligação à maçonaria colocava nesse currículo a publicar no Diário da República. É certo e sabido que se não o fizesse mais tarde ou mais cedo haveria seguramente uma jornalista armada em parva e sem nada de útil para fazer que escreveria que eu omitira a minha ligação à maçonaria e à Loja Mozart em particular. Tão certo como 2+2=4.
João Montenegro trabalhou 12 anos no BPN numa banal função administrativa/comercial. Uma dúvida, no entanto: além de ser politicamente burro, qual é o problema?
Haja paciência.

CPLP: indo ao fundo da questão

O primeiro-ministro de Timor-Leste, José Alexandre 'Xanana' Gusmão, afirmou que a CPLP é incapaz de ir além de questões como a história ou a língua, reclamando um "cariz mais económico" para a organização.
Vamos por partes. A ser verdade -- e é... -- tal resulta da própria vontade dos Estados-membros, por acção ou por omissão. A CPLP não tem progredido como se desejaria porque não existe um consenso quanto a isso. Xanana quer um cariz mais económico. Certo. Mas querem todos? Em que termos, com que custos e benefícios, e com que repartição?
Escrevi em Junho de 2012 precisamente sobre o facto de a CPLP não ter uma estratégia global. Não tinha na altura e continua a não ter agora. O maior exemplo actual disso é todo o processo à volta da eventual adesão da Guiné-Equatorial à CPLP. É certo que há responsabilidades partilhadas no arrastar do processo. Mas a ausência de uma estratégia global e de um rumo para a CPLP complica tudo.
Em 2014 Timor-Leste terá no colo a batata quente da Guiné-Equatorial. Será a terceira cimeira consecutiva de chefes de Estado e de governo em que a questão será discutida (Luanda 2010, Maputo, 2012 e Díli 2014). Espera-se que, desta vez, haja maior capacidade política para gerir o assunto. Portugal não pode e não deve ser uma vez mais percepcionado como o grande obstáculo à sua adesão. A Guiné Equatorial não pode ser humilhada diplomaticamente uma terceira vez. E a Guiné Equatorial, já agora e de uma vez por todas, tem de cumprir o caderno de encargos com que se comprometeu.
Regresso às declarações de Xanana. Não basta falar. Que caminho propõe? Por onde se começa? Qual a estratégia a adoptar?
Não basta dizer o que se quer. É preciso actuar de modo a concretizar aquilo que se quer. O que é que Xanana já fez até ao momento para assegurar aquilo que defende?

Expulsão ou sessão de assobiadela? [2]

Dizer que existe um clima de caça às bruxas no interior do PSD é uma completa idiotice. Existem, isso sim, estatutos e com eles direitos e deveres que qualquer militante tem a obrigação de conhecer e respeitar. Arlindo Cunha, tanto quanto sei, não goza de uma espécie de isenção de cumprimento estatutário. Tanto quanto julgo saber, no PSD ainda vigora o princípio da igualdade entre os militantes.
Sejamos claros. Ninguém era obrigado, dentro e fora do PSD, a votar nos candidatos oficiais do partido. Eu, por exemplo, se votasse no Porto não teria votado seguramente em Luís Filipe Menezes. Mas não teria igualmente integrado a comissão de honra de um candidato de uma lista adversária. Teria, porventura, seguido uma posição semelhante à de Rui Rio, ainda que eu não seja militante do PSD e, por isso, não tenha os direitos e deveres associados à militância partidária.
Arlindo Cunha, numa argumentação digna de um chico esperto, diz que houve candidatos que foram mal escolhidos e que a sua selecção obedeceu a lógicas clientelares intra-partidárias. Vamos admitir que sim, para simplificar. Mas foi a primeira vez? Arlindo Cunha insurgiu-se no passado contra isso, ou na altura, talvez porque fossem as suas clientelas, não viu mal algum no fenómeno?
Nenhum militante do PSD é obrigado a apoiar um candidato de quem discorda, por boas ou más razões. Pode até expressar publicamente as vezes que bem entender essa discordância. No PSD vigora a liberdade de expressão e ninguém é punido por delito de opinião. Mas existem estatutos e esses, sim, é preciso respeitar. Aliás se houvesse bom senso nem seriam necessários estatutos. Faz algum sentido militar num partido e apoiar formalmente um candidato que concorre contra o seu partido?

Listen very carefully, I shall say this only once! [24]

Loro Horta, "The Dragon Looks West: China and Central Asia" (IPRIS Viewpoints, No. 135, October 2013).

Uma tempestade num copo de água [1]

Realmente, não há nada mais importante para discutir?
Machete fez o seu papel. Joana Marques Vidal faz o dela. Siga.

Já se notam resultados

Não foi o 'Governo', essa entidade abstracta, que falhou. O Governo é composto por pessoas concretas, com responsabilidades que são públicas e conhecidas. Quem falhou foi Paulo Portas. As negociações com a troika são da sua responsabilidade pessoal. Desta vez não há Vítor Gaspar para culpar. Foi Portas quem definiu uma estratégia para alcançar um objectivo. Fracassou em toda a linha. Ponto.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Uma resposta à dúvida

Perguntava aqui se a história que se contava estaria certa. Custava-me a acreditar que estivesse. Estando ou não, no mínimo era necessário conhecer uma explicação.
Hoje ficou a saber-se que afinal a história estava mesmo mal contada.

Expulsão ou sessão de assobiadela?

Ninguém é obrigado a militar num partido político. A opção pela militância resulta de uma escolha individual. Quem o faz sabe que essa decisão implica direitos e deveres que estão consagrados nos estatutos do partido. Não há, como se percebe, nenhuma razão, nenhuma desculpa, para infringir de forma grosseira os deveres estatutariamente definidos. Quem não se revê nas orientações e nas escolhas do partido em que milita tem de qualquer modo a obrigação e o dever de respeitar os estatutos. Caso contrário tem bom remédio: a porta de entrada é igualmente a porta de saída. Vantagens de viver num regime democrático.
É perfeitamente normal que militantes entrem ocasionalmente em rota de colisão com o seu partido. Já me parece menos normal que não retirem as devidas consequências. Querem o melhor de dois mundos, i.e. as vantagens sem os deveres.
Não. A solução não passa por assobiar para o ar, como aconselha o cada vez mais patético António Capucho. Passa, isso sim, por fazer cumprir as regras estatutárias. Caso contrário, se não têm qualquer utilidade, nesse caso é preferível acabar com os estatutos. Ou será que há uma elite partidária a quem os estatutos não se aplicam, sendo os mesmos apenas aplicáveis no caso do militante anónimo?

As coisas são como são...

Ricardo Salgado foi a Angola. Nada como ir directamente ao ponto central nos processos de decisão. Dito de outra maneira, as questões e os diferendos empresariais resolvem-se -- resolveram-se? -- no plano político e em particular com José Eduardo dos Santos.
Isto dito, lidas as notícias, a verdade é que não sabemos absolutamente nada mais do que sabíamos ontem. Nem uma linha sobre a ESCOM. Espuma sobre o BESA. E, claro, nem uma palavra sobre Álvaro Sobrinho. Informação de excelência, portanto. Até parece que Ricardo Salgado fez uma visita turística a Angola e que pelo meio foi recebido por cortesia por José Eduardo dos Santos, tendo aproveitado a ocasião para trocar impressões sobre os restaurantes na moda e, claro, mandar uns bitaites sobre futebol.

Também já me tinha...

...lembrado dessa possibilidade.

No sofá

Vejo por aí quem manifeste entusiasmo com a vitória de Rui Moreira no Porto, sobretudo com o que ela tem de anti-partidário. Tenho a certeza que muitos destes entusiasmados de ocasião se votassem no Porto na verdade não teriam votado nele. Tinham optado antes pela abstenção. A ironia tem destas coisas.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Ilusões

É extraordinário que António José Seguro manifeste a sua indisponibilidade de forma tão assertiva, nomeadamente porque se trata de processos que ele não controla de forma absoluta. Na verdade, provavelmente até será um bom sinal para o Governo se não houver negociações. Tal quer dizer que não haverá um segundo resgate e que, eventualmente, teremos um programa cautelar numa versão light.
Em todo o caso, é um pouco inacreditável que um partido político do arco governamental se exclua de encontrar as melhores soluções para o país. BE e PCP não fariam melhor...

Em destaque [31]

Caro leitor, já tinha anteriormente avisado que gosto de filminhos da treta. Nesse contexto, tenho de confessar que sou um fan de Riddick e já perdi a conta ao número de vezes que vi Pitch Black (2000) e The Chronicles of Riddick (2004). Enfim, todos temos as nossas fraquezas...
Aguardava com curiosidade por este novo filme e o que há para dizer, muito sumariamente, é que não desilude os seus fans, ainda que possa não acrescentar muito aos filmes anteriores. Valeu a pena ir ver? Caro leitor, mas isso pergunta-se?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Em destaque [30]

Vale a pena ler este artigo de Nouriel Roubini.

Rui Rio...

...seria um excelente cabeça de lista pelo PSD nas próximas eleições europeias, assumindo que pudesse estar interessado. Seria uma patetice não aproveitar o seu capital político.

Condenados

PSD, CDS e PS estão condenados a entenderem-se, afirma Eduardo Catroga. Acredito. Mas antes ou depois das próximas eleições legislativas? Antes ou depois de um novo programa, seja ele de resgate ou cautelar?
É nos detalhes que se esconde o diabo e estes detalhes são muito relevantes, por razões óbvias.