Regressando ao que aqui escrevi, hoje voltei à minha operação pessoal e individual de voluntariado. Em menos de uma hora recolhi na Praia da Figueirinha sete sacos de vidro, plástico e metal, que de imediato separei e coloquei nos devidos contentores. Maldita gente javarda. Estupores. Bandalhos. Pulhas.
José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
A linha vermelha
Pessoalmente não depositaria muitas esperanças num eventual código de conduta, se a UE não ameaçar com uma ruptura séria nas relações diplomáticas. Os EUA têm de perceber que a sua conduta é inadmissível entre Estados aliados e que haverá consequências sérias, em diversos planos, se se persistir neste caminho.
Pedro Passos Coelho afirma não ter indicações de que tenha sido alvo de escutas. Se não foi escutado foi porque eventualmente não houve oportunidade ou porque os EUA consideraram o exercício irrelevante. Não foi seguramente por especial atenção ou cortesia. Compreende-se e justifica-se, por isso, que o primeiro-ministro tenha sido solidário com os seus parceiros europeus.
Estas práticas são, repito, inadmissíveis e se não cessarem provavelmente acabarão por ser contraproducentes.
Pedro Passos Coelho afirma não ter indicações de que tenha sido alvo de escutas. Se não foi escutado foi porque eventualmente não houve oportunidade ou porque os EUA consideraram o exercício irrelevante. Não foi seguramente por especial atenção ou cortesia. Compreende-se e justifica-se, por isso, que o primeiro-ministro tenha sido solidário com os seus parceiros europeus.
Estas práticas são, repito, inadmissíveis e se não cessarem provavelmente acabarão por ser contraproducentes.
Num confronto entre a versão...
...de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho, é para mim muito claro quem está a dizer a verdade. Passos Coelho pode ter muitos defeitos, mas ser mentiroso não é um deles.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Sobre o Tribunal Constitucional...
...um artigo muito certeiro de Vítor Bento, na sequência da sua recente entrevista, e cuja leitura me parece obrigatória.
Se não é parvo, imita muito bem
Manuel Alegre considera que a "austeridade também é uma forma de tortura". Ainda que admita uma leitura simbólica das suas palavras, mesmo assim uma comparação tão estúpida como esta é uma falta de respeito para quem sofreu na pele actos de tortura. Comparar a austeridade à tortura é uma imbecilidade, mais inadmissível ainda para quem tem um passado histórico como Manuel Alegre. Anda tudo doido, só pode.
Sócrates, julgado?
Não, não devia. José Sócrates foi 'julgado', por assim dizer, em 2011 pelos eleitores. As eleições são o local por excelência onde se faz a avaliação do desempenho dos governos. Aos tribunais o que é dos tribunais, e à política o que é da política. Tanto cabelo branco e Catroga ainda não aprendeu esta regra básica.
Portugal e Angola: condenados a entender-se [8]
As declarações de Georges Chikoti devem ser lidas com conta, peso e medida. É um segredo público que, naquilo que conta, as grandes decisões de política externa são tomadas por José Eduardo dos Santos e não pelo ministro das Relações Exteriores. Chikoti é, na melhor das hipóteses, uma correia de transmissão com pouca autonomia decisória. Mas, ainda assim, há que ler nas entrelinhas. Por exemplo, aquilo que já tinha referido sobre a cimeira bilateral, i.e. que dificilmente terá lugar em Fevereiro. Na minha modestíssima opinião Portugal deveria tomar a iniciativa de a adiar, de modo a proteger a sua posição.
Um outro ponto interessante é a referência à África do Sul, mas isso fica para outra altura.
Um outro ponto interessante é a referência à África do Sul, mas isso fica para outra altura.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
The show goes on... [2]
António Pires de Lima, 21 de Outubro de 2013:
"Estamos a preparar um programa cautelar".
António Pires de Lima, 22 de Outubro de 2013:
"Programa cautelar não está a ser preparado".
Parece que já estou a ver a nova campanha publicitária da cerveja Sagres:
O programa cautelar
é capaz de te dar azar.
Mas se não bebes uma Sagres
porque esperas milagres?
"Estamos a preparar um programa cautelar".
António Pires de Lima, 22 de Outubro de 2013:
"Programa cautelar não está a ser preparado".
Parece que já estou a ver a nova campanha publicitária da cerveja Sagres:
O programa cautelar
é capaz de te dar azar.
Mas se não bebes uma Sagres
porque esperas milagres?
Se eu tivesse asas voava todos os dias
Se Portugal tivesse um taxa de desemprego de 7% poupava 3,9 mil milhões de euros, salienta Bagão Félix.
O exercício pode ser muito interessante do ponto de vista académico, ou para conversa entre amigos, mas politicamente não tem pés nem cabeça. Se eu tivesse asas voava todos os dias. Se a Lua fosse habitável em condições semelhantes à Terra poderia converter-se numa estância balnear de luxo. A realidade, porém, é outra e é com ela que temos de trabalhar. O valor actual do desemprego não é um capricho, nem resulta seguramente da vontade política do Governo português, do actual, do anterior, ou do próximo. São as circunstâncias que ditam o desemprego, ponto. Circunstâncias que Portugal está longe de controlar. Por isso, a poupança virtual ou hipotética de Bagão Félix faz tanto sentido como eu estar a planear ir passar um fim de semana a Marte.
Sugiro, em todo o caso, que Bagão Félix troque algumas ideias sobre o assunto com o soldado disciplinado e leal. Quem sabe, entre um pires de tremoços e duas Super Bock, no âmbito do novo ciclo, os dois encontrem uma solução real -- e não se limitem a um exercício teórico inconsequente -- que permita reduzir o desemprego.
O exercício pode ser muito interessante do ponto de vista académico, ou para conversa entre amigos, mas politicamente não tem pés nem cabeça. Se eu tivesse asas voava todos os dias. Se a Lua fosse habitável em condições semelhantes à Terra poderia converter-se numa estância balnear de luxo. A realidade, porém, é outra e é com ela que temos de trabalhar. O valor actual do desemprego não é um capricho, nem resulta seguramente da vontade política do Governo português, do actual, do anterior, ou do próximo. São as circunstâncias que ditam o desemprego, ponto. Circunstâncias que Portugal está longe de controlar. Por isso, a poupança virtual ou hipotética de Bagão Félix faz tanto sentido como eu estar a planear ir passar um fim de semana a Marte.
Sugiro, em todo o caso, que Bagão Félix troque algumas ideias sobre o assunto com o soldado disciplinado e leal. Quem sabe, entre um pires de tremoços e duas Super Bock, no âmbito do novo ciclo, os dois encontrem uma solução real -- e não se limitem a um exercício teórico inconsequente -- que permita reduzir o desemprego.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Rui Rio: quo vadis? [2]
Rui Rio não se candidatará, no imediato, à liderança do PSD. Uma entrevista sem novidades, portanto.
Brincadeiras perigosas em Moçambique [1]
Pelos vistos, de parte a parte, há quem não aprecie devidamente os dividendos da paz em Moçambique. RENAMO e FRELIMO recriminam-se mutuamente e, na verdade, as duas forças políticas provavelmente têm motivos para se queixar uma da outra. Raramente a realidade é simplesmente a preto e branco. Em última instância, a decadência política da RENAMO, que se tem vindo a acelerar, é o que mais me preocupa. Pessoas desesperadas cometem actos desesperados. A FRELIMO, dona e senhora do panorama político e por consequência do Estado, não teve até agora o golpe de rins necessário e a magnanimidade dos vencedores para ajudar a RENAMO na sua própria evolução e renovação interna.
A escalada na degradação da situação interna em Moçambique atingiu agora um ponto de alto risco. O regresso à guerra civil não é uma opção racional, mas, repito, pessoas desesperadas cometem actos desesperados. Isto dito, ainda há espaço para que prevaleça o bom senso.
Numa daquelas partidas que a História nos prega, a CPLP não poderia estar em piores condições para mediar o que quer que seja em Moçambique. Actualmente, o secretário-executivo da CPLP é moçambicano. Murade Murargy é um diplomata -- pouco diplomático e um tagarela com propensão a esticar-se na conversa -- que foi durante vários anos secretário-geral da Presidência da República de Moçambique. Pela sua proximidade à FRELIMO, ou pelas declarações críticas que fez em relação à RENAMO, Murargy não tem condições nenhumas para ter um papel relevante. Aos Estados-membros da CPLP resta, se tanto, intervir por canais bilaterais. Com um pouco de sorte, como no passado, será a Igreja quem encontrará a via para uma solução que sirva as duas partes e, sobretudo, os moçambicanos.
A escalada na degradação da situação interna em Moçambique atingiu agora um ponto de alto risco. O regresso à guerra civil não é uma opção racional, mas, repito, pessoas desesperadas cometem actos desesperados. Isto dito, ainda há espaço para que prevaleça o bom senso.
Numa daquelas partidas que a História nos prega, a CPLP não poderia estar em piores condições para mediar o que quer que seja em Moçambique. Actualmente, o secretário-executivo da CPLP é moçambicano. Murade Murargy é um diplomata -- pouco diplomático e um tagarela com propensão a esticar-se na conversa -- que foi durante vários anos secretário-geral da Presidência da República de Moçambique. Pela sua proximidade à FRELIMO, ou pelas declarações críticas que fez em relação à RENAMO, Murargy não tem condições nenhumas para ter um papel relevante. Aos Estados-membros da CPLP resta, se tanto, intervir por canais bilaterais. Com um pouco de sorte, como no passado, será a Igreja quem encontrará a via para uma solução que sirva as duas partes e, sobretudo, os moçambicanos.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Portugal e Angola: condenados a entender-se [7]
Mais um editorial da treta do Jornal de Angola. O estilo do costume, com algumas verdades pelo meio. O nosso Ministério Público é uma instituição deliciosa. Cito o Expresso: "Como o processo não tem arguidos, não tem prazo para estar concluído". Fantástico, não acha, caro leitor?
Os nomes, alguns nomes cirurgicamente seleccionados, entretanto, já saltaram para a comunicação social. O costume, infelizmente. Mas, repito, como o processo não tem arguidos, não tem prazo para estar concluído.
Fazendo minhas as palavras de Vítor Bento, tal como os juízes do Tribunal Constitucional, seguramente que o Ministério Público não é composto por sacerdotes. Aliás, a tropinha do Ministério Público de sacerdotes não tem nada.
Enquanto as fugas de informação e a demora na evolução dos processos tinha consequências meramente internas era uma coisa. Porém, quando essa conduta totalmente irresponsável põe em causa as relações entre dois Estados o caso muda de figura.
É verdade que os angolanos persistem no erro propositado de querer que o Governo português mande no Ministério Público. Não manda. Em Portugal vigora, de acordo com a Constituição, o princípio da separação de poderes e o Ministério Público goza de autonomia. Mas o que não está constitucionalmente consagrado é o que tem acontecido repetidamente, i.e. uma espécie de princípio da inimputabilidade e da mais completa irresponsabilidade. O nosso Ministério Público é uma nódoa que temo que nem com benzina se resolva. Entretanto, as fugas de informação seguem dentro de momentos e o processo não se sabe porque não tem prazo.
P.S. -- A cimeira luso-angolana poderá ser adiada. Não me surpreenderia, como referi anteriormente. O adiamento permitira ganhar tempo. Com um pouco de sorte aconteceriam duas coisas. Primeiro, Rui Machete era substituído. Segundo, os processos, os tais sem prazos, conheciam progressos significativos.
Os nomes, alguns nomes cirurgicamente seleccionados, entretanto, já saltaram para a comunicação social. O costume, infelizmente. Mas, repito, como o processo não tem arguidos, não tem prazo para estar concluído.
Fazendo minhas as palavras de Vítor Bento, tal como os juízes do Tribunal Constitucional, seguramente que o Ministério Público não é composto por sacerdotes. Aliás, a tropinha do Ministério Público de sacerdotes não tem nada.
Enquanto as fugas de informação e a demora na evolução dos processos tinha consequências meramente internas era uma coisa. Porém, quando essa conduta totalmente irresponsável põe em causa as relações entre dois Estados o caso muda de figura.
É verdade que os angolanos persistem no erro propositado de querer que o Governo português mande no Ministério Público. Não manda. Em Portugal vigora, de acordo com a Constituição, o princípio da separação de poderes e o Ministério Público goza de autonomia. Mas o que não está constitucionalmente consagrado é o que tem acontecido repetidamente, i.e. uma espécie de princípio da inimputabilidade e da mais completa irresponsabilidade. O nosso Ministério Público é uma nódoa que temo que nem com benzina se resolva. Entretanto, as fugas de informação seguem dentro de momentos e o processo não se sabe porque não tem prazo.
P.S. -- A cimeira luso-angolana poderá ser adiada. Não me surpreenderia, como referi anteriormente. O adiamento permitira ganhar tempo. Com um pouco de sorte aconteceriam duas coisas. Primeiro, Rui Machete era substituído. Segundo, os processos, os tais sem prazos, conheciam progressos significativos.
The show goes on...
Maria Luís Albuquerque, 10 de Outubro de 2013:
"Discutir um programa cautelar ainda é prematuro".
António Pires de Lima, 21 de Outubro de 2013:
"Estamos a preparar um programa cautelar".
Confesso que já desisti de tentar perceber. Não sei se é descoordenação, incompetência, ou outra coisa qualquer. Pouco importa. O resultado final é o mesmo.
"Discutir um programa cautelar ainda é prematuro".
António Pires de Lima, 21 de Outubro de 2013:
"Estamos a preparar um programa cautelar".
Confesso que já desisti de tentar perceber. Não sei se é descoordenação, incompetência, ou outra coisa qualquer. Pouco importa. O resultado final é o mesmo.
Decida-se, carapau de corrida
Basílio Horta tem opiniões que flutuam consoante o vento. Maria Luís Albuquerque tanto representa "mais do mesmo" e "mais desta política de desastre social", em suma, uma linha de continuidade, como subitamente corresponde a uma ruptura dramática. Vítor Gaspar era o demónio em pessoa (valerá a pena consultar os arquivos para ver o que Basílio Horta disse de Gaspar?), mas agora, por puro oportunismo, o antigo ministro das Finanças passou a ser um santo se comparado com a sua horrível sucessora.
E estes caramelos não percebem por que motivo os políticos, em geral, não têm credibilidade. Querem que vos faça a porra de um desenho?
E estes caramelos não percebem por que motivo os políticos, em geral, não têm credibilidade. Querem que vos faça a porra de um desenho?
OE 2014 [2]
Ainda sobre o Orçamento do Estado, vale a pena prestar especial atenção à última parte da declaração de Cavaco Silva anteriormente citada: "nenhum Presidente da República pediu a fiscalização preventiva" do OE. Nenhum. Repita-se as vezes que for necessário: nenhum, nenhum, nenhum.
No entanto, o PS, uma vez mais, faz do Presidente o alvo. Não é a primeira vez que o PS acusa Cavaco Silva de alinhar com o Governo. Nada de novo, portanto. Agora o PS acusa o Presidente de estar alinhado com o Governo na fiscalização do OE (ver Público). Certo. Se as contas não me falham, está tão alinhado como Jorge Sampaio esteve com José Sócrates no OE de 2005, ou Mário Soares com António Guterres no OE de 1995.
O PS insiste em errar o alvo. Pior. Não só erra o alvo, como ainda por cima recorre a uma argumentação sem pés nem cabeça. O Governo agradece, naturalmente.
No entanto, o PS, uma vez mais, faz do Presidente o alvo. Não é a primeira vez que o PS acusa Cavaco Silva de alinhar com o Governo. Nada de novo, portanto. Agora o PS acusa o Presidente de estar alinhado com o Governo na fiscalização do OE (ver Público). Certo. Se as contas não me falham, está tão alinhado como Jorge Sampaio esteve com José Sócrates no OE de 2005, ou Mário Soares com António Guterres no OE de 1995.
O PS insiste em errar o alvo. Pior. Não só erra o alvo, como ainda por cima recorre a uma argumentação sem pés nem cabeça. O Governo agradece, naturalmente.
OE 2014 [1]
Marcelo Rebelo de Sousa fez a previsão mais fácil do mundo e arredores. É claro que o Presidente não vai pedir a fiscalização preventiva do Orçamento do Estado (OE). Recordo as suas palavras sobre a mesma novela, mas em relação ao OE de 2012: "Independente do julgamento que possa ter feito em relação ao orçamento para 2012, imagine o que seria, Portugal, tendo negociado com instituições internacionais um acordo de assistência financeira, se não tivéssemos orçamento, quando o orçamento é a peça central da política económica e financeira do país e essa é a razão por que talvez nunca nenhum Presidente da República pediu fiscalização preventiva".
Em destaque [35]
Na FOX, às 22:15, todas as segundas-feiras. Começou na semana passada a nova temporada de Walking Dead. Para os fans, como eu, era há muito aguardada. Sigamos o cherne, portanto. Peço desculpa, sigamos Rick Grimes...
domingo, 20 de outubro de 2013
Allez, allez, Sporting allez [8]
Seria em princípio um jogo sem história, mas na Taça de Portugal não faltam exemplos de jogos sem história que ficaram para a história do futebol português. O Sporting não facilitou, levou o jogo a sério, e o resultado acaba por espelhar a enorme diferença qualitativa entre as duas equipas. Importa dizer, no entanto, que o Alba contribuiu para a festa da Taça, nunca tendo optado por um jogo faltoso, destrutivo e puramente defensivo. O golo do Alba acaba por ser um justo prémio para uma equipa que procurou também desenvolver o seu próprio futebol. Quanto ao Sporting, Leonardo Jardim optou por fazer algumas alterações na equipa inicial, mas isso não impediu que se jogasse colocando elevada pressão no adversário. Resolvida esta eliminatória da Taça de Portugal, o Sporting prepara-se agora para visitar o FC Porto com os índices de confiança e de motivação em alta. Allez, allez, Sporting allez...
Foto: Gustavo Bom (Global Imagens via DN).
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