quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Portugal e Angola: condenados a entender-se [10]

"Manuel Vicente não consta como arguido, nem foi suspeito, no inquérito em apreciação". Nova confirmação?
Grande Ministério Público. É um orgulho e uma honra ter uma instituição como esta, que tanto nos prestigia a todos. Cada vez que penso num exemplo de eficácia e eficiência, o Ministério Público é a instituição que me ocorre de imediato. Uma máquina perfeitamente oleada, onde não há uma peça fora do sítio. Tudo, absolutamente tudo, é feito para servir os cidadãos e o Estado em nome dos mais altos princípios. Dá gosto ver esta rapaziada a trabalhar.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Onde anda Rui Machete?

José Cesário é quem dá a cara na questão dos raptos dos portugueses em Moçambique. Paulo Portas vai ao Fórum Macau, mas acompanhado pelo SENEC, Luís Campos Ferreira. Quanto a Rui Machete, pura e simplesmente, quase que não existe política e diplomaticamente. Penoso. Muito penoso.

Vamos a votos? [5]

Leio a entrevista de Pedro Rodrigues, na esperança, porventura, de encontrar alguma coisa que me faça mudar de opinião, ou ter uma leitura mais benévola. Pura ilusão. Sucedem-se os chavões e as frases ocas. Não encontro absolutamente nada de motivante e que justifique o voto na sua candidatura. Pedro Rodrigues ao mesmo tempo que diz que o PSD não foi capaz de "escolher os melhores candidatos" autárquicos afirma igualmente que Fernando Seara teria sido o seu candidato. Reconhece que se enganou em relação a Pedro Passos Coelho. Ainda bem que o faz. Só que há um problema com a sua admissão de erro. Afinal, quem se engana uma vez, seguramente poderá voltar a enganar-se de novo em questões cruciais.
Pedro Rodrigues quer discutir as políticas do Governo. Certo. É um objectivo totalmente legítimo e imagino que Miguel Pinto Luz deseja igualmente, na medida do possível, dar o seu contributo. Há, no entanto, uma diferença estrutural entre a candidatura de um e outro. É que, como demonstra a galeria de notáveis -- e menos notáveis -- que apoia o ex-chefe de gabinete de Miguel Poiares Maduro, a sua candidatura à Distrital de Lisboa do PSD é um tubo de ensaio claramente hostil a Pedro Passos Coelho. Pura e simplesmente, ele nunca será um soldado disciplinado e leal do primeiro-ministro. Propenso a enganos, como vimos, Pedro Rodrigues já terá percebido que esta candidatura foi um erro.

Ter vergonha, tarde de mais

Aparentemente, Silva Lopes recebe quatro pensões, incluindo uma de sobrevivência (ver o jornal i). "Tenho vergonha", diz ele.
Caro leitor, esclareça-me por favor: alguém é obrigado, por lei, a receber uma pensão de sobrevivência? Em alternativa, há algum impedimento a que essa pensão seja doada na íntegra a uma ou várias IPSS?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Europeias: bastidores

Uma breve leitura dos jornais nos últimos dias, bem como algumas referências nas redes sociais, confirmam que começou a guerra pelos lugares nas listas partidárias para o Parlamento Europeu. Não faltarão nomes a partir de agora, alguns para queimar, outros para testar, e outros ainda para pressionar António José Seguro e Pedro Passos Coelho.
Estamos a apenas sete meses das eleições europeias, compreende-se por isso a agitação. Seguro e Passos Coelho não terão seguramente as listas fechadas, mas já terão algumas ideias sobre quem quererão ver a encabeçar as respectivas listas. Porventura até já terão começado a sondar alguns eventuais candidatos a candidatos. Os sinais de fumo que vemos nos jornais são a face visível da crescente agitação subterrânea.

Chega de conversa fiada

António José Seguro tem toda a razão. Chega de conversa fiada. Escutemos, portanto, as alternativas que o PS tem para apresentar.

P.S. -- O silêncio ensurdecedor não se deve a qualquer falha no sistema de som.

Ironias

O soldado disciplinado e leal apela à indisciplina das empresas. Um autêntico revolucionário, não tarda nada.

Devia ser Natal todos os dias

Se hoje fosse 1 de Abril pensaria que era a mentira do dia. Na Venezuela a realidade ultrapassa a ficção. A primeira reacção é um sorriso, porventura até uma certa atitude trocista. Mas depois lê-se a notícia e a realidade vai caindo sobre nós. É muito triste o que está a acontecer aos venezuelanos, aos que votaram em Maduro -- há maduros em todo o lado, pelos vistos -- e aos outros.

Snowden: persona non grata

A Alemanha rejeitou dar asilo político a Edward Snowden. Fez bem. Se o fizesse abriria seguramente uma grave crise nas relações transatlânticas e em particular na relação bilateral entre os EUA e a Alemanha, uma vez que o acto seria sempre lido por Washington como politicamente hostil. É certo que Angela Merkel tem razões de queixa, conhecidas que foram as escutas da NSA. Isto dito, dar asilo político a Snowden nada resolveria, antes pelo contrário.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O regresso de Sócrates?

Elementos próximos do ex-primeiro-ministro não excluem nenhum cenário. Nem a possibilidade de regressar à liderança do PS, refere Luís Claro, no i. Em suma, o que já aqui tinha notado.

Audiência nula?

Quando começaram os monólogos de José Sócrates na RTP1, durante algumas semanas a comunicação social andou entretida a noticiar as audiências da coisa. Como Marcelo Rebelo de Sousa o bateu aos pontos e com distinção, três ou quatro semanas depois essa informação deixou de aparecer no radar. Passados alguns meses desde que começaram os monólogos, além de Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, quem mais vê a coisa? Ainda há audiência, certo? Pouca, mas alguma ou não?

Aceitam-se candidaturas para comissário europeu

Miguel Poiares Maduro será o favorito de Pedro Passos Coelho para comissário europeu, avança hoje o Diário Económico. Se o Diário Económico o diz, quem sou eu para o contestar. Pessoalmente até iria mais longe. Seria um justo prémio, por relevantes serviços prestados nos últimos meses. Acresce que Poiares Maduro poderia sempre levar consigo a sua tropa, ou a tropa de Rangel, se o leitor preferir, toda para Bruxelas. Pedro Lomba incluído. Não esquecer igualmente Pedro Rodrigues.
Esta suposta promoção, por acaso, até soa a despromoção. Numa altura em que o ministro tem o pilim dos fundos comunitários para distribuir, seria precisamente nesse momento que rumaria para Bruxelas, por opção pessoal ou do primeiro-ministro? Quem quer correr com ele: o próprio, Passos Coelho, ou terceiros?
Por último, mas não em último, o que levaria o primeiro-ministro a lançar Poiares Maduro para Bruxelas, consciente de que tal o obrigaria a uma remodelação em altura imprópria?
Poiares Maduro tem o melhor currículo e o melhor perfil para ocupar o cargo, dizem as fontes escutadas pelo Diário Económico. Se o Diário Económico o diz, quem sou eu para o contestar.

domingo, 3 de novembro de 2013

Um Estado melhor

O guião apresentado por Paulo Portas é uma vergonha. Mais uma. Do princípio ao fim, estamos perante uma coisa preguiçosa e amadora, indigna de merecer a chancela governamental. Porventura, a única utilidade daquela porcaria é o contributo que presta para desmascarar a vacuidade e a indigência política de Paulo Portas.

A sociedade civil e a Praia da Figueirinha [3]

Regressando ao que aqui e aqui escrevi, voltei à minha operação pessoal e individual de voluntariado. Constatei, com satisfação, que não era o único. Ainda bem. Hoje somos poucos, mas amanhã seremos mais.

Allez, allez, Sporting allez [11]

O jogo contra o Marítimo foi muito difícil e a vitória foi tirada a ferros. De facto, ao jogo não faltou emoção e pressão, com o marcador a sofrer diversas alterações. Com o Sporting a perder ao intervalo, confesso que cheguei a temer que na segunda parte do jogo o nervosismo tomasse conta da equipa. Não foi o que aconteceu. Com algum sofrimento pelo meio, a equipa teve a maturidade suficiente para dar a volta ao marcador. Não se pode pedir mais, naturalmente.
Sem qualquer margem para dúvidas, Capel foi o herói do jogo. Adrien e Montero rubricaram também boas exibições. Carrillo esteve uns largos furos abaixo e Dier mostrou alguma insegurança. O Sporting tinha um teste difícil depois da derrota com o Porto e acabou por o ultrapassar, com isso carregando as baterias anímicas. Esta vitória acaba por valer cinco pontos, tendo em conta o deslize do Porto. Ultrapassada mais uma jornada, o Sporting continua o seu surpreendente percurso. Nesta maratona, há ainda muito campeonato pela frente, mas pela primeira vez em muitos anos começa a sonhar-se em Alvalade. Allez, allez, Sporting allez...
Foto: Francisco Leong (AFP via Público).

sábado, 2 de novembro de 2013

Casamento ou reunião político-partidária?

Não têm faltado referências na comunicação social ao casamento de Miguel Relvas. A fazer fé no que li, fico na dúvida se se tratava de uma reunião do conselho de ministros, de um encontro dos órgãos do PSD, ou realmente do seu casamento. A comunicação social, claro, centra as suas descrições nas referências aos convidados que são conhecidos do grande público. Talvez esse facto explique uma certa distorção. Fico, por esse motivo, na ignorância: dos seus antigos adjuntos e assessores quem foi convidado?
Isso, sim, confesso que tinha alguma curiosidade em saber.

Vamos a votos? [4]

Segundo o Sol, a intervenção de ontem de Pedro Passos Coelho na Distrital de Lisboa do PSD para explicar o Orçamento do Estado terá causado algum mal-estar. Afinal, diz o anónimo de serviço, o primeiro-ministro "podia ter começado por outro local, deixando passar a data das eleições em Lisboa".
Nada que não se resolva. Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba poderão sempre fazer uma intervenção de teor semelhante numa sessão organizada por Pedro Rodrigues. Convém, no entanto, no caso de Lomba ter a certeza de que ele não se engana no caminho.

Subscrevo

"A crítica também é uma forma de lealdade". Não poderia estar mais de acordo com Ângelo Correia. Naturalmente, também pode ser um acto de deslealdade. Mas essa é outra conversa. No meu caso, por exemplo, apoiarei Pedro Passos Coelho até ao último dia do seu Governo, mas isso não significa que não tenha uma visão crítica -- e que a manifeste -- sobre muito do que aconteceu e do que seguramente virá a acontecer.

P.S. -- Vale a pena ler a entrevista de Ângelo Correia. Não o acompanho na sua vontade de decretar estado de emergência nacional, mas isso fica para outra altura.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Uma espécie de

"Em 2011 vivemos uma espécie de 1580 financeiro. Em Junho de 2014 podemos viver uma espécie de 1640 financeiro", disse Paulo Portas, referindo-se ao período em que Portugal esteve sob domínio espanhol.
Regra geral, tenho uma certa urticária a comparações, porque quase sempre se acaba, de forma simplista e errada, por comparar o que não é comparável. Esta alusão ao domínio espanhol entre 1580 e 1640 é tão sem sentido e tão estúpida que até faz doer os olhos. É que só de forma muito grosseira e muito deturpada se consegue encontrar semelhanças entre uma coisa e a outra. Mas, enfim, aparentemente existe a percepção de que os políticos estão a falar para pessoas com limitaçãoes cognitivas graves e que, como tal, devem simplificar ao máximo a mensagem.

Regimes autoritários na UE?

"Se não tivermos uma solução europeia, arriscamo-nos a ter novamente ditaduras na Europa", afirmou Álvaro Santos Pereira, acrescentando que o caminho da "austeridade cega" vai exaltar "os extremismos" europeus.
Este é um tema que me interessa particularmente e para o qual a União Europeia (UE) não tem, se tal acontecesse, mecanismos institucionais para fazer face. Isto dito, não creio que a UE corra o risco de ver um dos seus Estados-membros transitar de um regime democrático para um autoritário. Pura e simplesmente, não me parece provável, ainda que teoricamente seja possível. O que já me parece mais provável é a erosão e a degradação da qualidade de alguns regimes democráticos no espaço da UE.
Qual a probabilidade?
Não sei. Pouca, porventura, partindo do pressuposto de que no plano europeu o mais difícil do actual ciclo de austeridade já se encontra ultrapassado, ou em vias de ser ultrapassado.
Esta discussão, entre democracia e prosperidade, nas suas diversas mutações, é muito antiga. Em bom rigor, ultrapassa-a. No fundo estamos a falar do potencial declínio, neste caso da Europa, e do seu impacto na ordem política. Uma longa conversa.