segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Programa cautelar [3]

Sobre o eventual recurso, ou não, a um programa cautelar, a Fitch coloca os pontos nos is (versão original). Imagino que a leitura das restantes agências de notação não andará longe desta.

domingo, 17 de novembro de 2013

Sobre o pagamento de conteúdos digitais [2]

Regresso ao que aqui escrevi. O Público quer colocar o leitor a pagar (a) notícias que não são em exclusivo (ver aqui e aqui), bem como (b) notícias feitas com os pés, com duas ou três pesquisas no Google, desequilibradas, incompletas e factualmente erradas*? É assim que o Público nos pretende convencer a pagar conteúdos?

* Vasco Rato nunca foi vice-presidente do PSD. Foi vogal na direcção de Luís Marques Mendes, tendo-se demitido a determinada altura. Mais. A primeira vez que surgiu uma referência ao seu nome para presidente da FLAD, que tenha reparado, foi no Correio da Manhã e não no i.

sábado, 16 de novembro de 2013

A sociedade civil e a Praia da Figueirinha [4]

Estava a ler isto e lembrei-me que ainda aqui não tinha feito referência a mais uma intervenção da minha operação pessoal e individual de voluntariado. Na última sexta-feira, recolhi na Praia da Figueirinha mais dois sacos cheios de plástico, vidro e metal. Hoje somos poucos, mas amanhã seremos mais.

É necessário um novo partido à Esquerda? [3]

Esqueçamos isto, sejamos simpáticos. José Sá Fernandes e Joana Amaral Dias, que também romperam com o Bloco de Esquerda, tal como Rui Tavares, marcaram presença na sessão de trabalho de hoje. O novo partido, se avançar, surge cada vez mais como uma dissidência do Bloco e contra o Bloco. É pouco, muito pouco, para gerar apoio público. Não vai longe.

Moscatel de Setúbal

"O Moscatel continua a ser o grande esquecido da lista espantosamente rica de vinhos generosos portugueses, uma espécie de parente pobre face ao brilho internacional tanto do Vinho do Porto como do Vinho da Madeira. (...) Os grandes Moscatel de Setúbal são vinhos incomparáveis e insubstituíveis, vinhos de vida eterna e de uma complexidade sublime, vinhos que ombreiam com o que de melhor se faz no mundo. Sem qualquer dose de patriotismo bacoco, sem favores ou excessos de linguagem, são vinhos que estão no lote muito restrito dos grandes vinhos do mundo" (Rui Falcão, Público/supl. Fugas, 16.11.2013, p. 28).
Rui Falcão está cheio de razão. Como aperitivo ou como digestivo, o Moscatel de Setúbal é uma maravilha, infelizmente desconhecida de grande parte dos portugueses, por regra mais familiarizados com o Vinho do Porto e o Vinho da Madeira. Tenho pessoal simpatia pelo Moscatel de Setúbal produzido pela Casa Agrícola Horácio Simões. A minha preferência, tendo em conta a relação qualidade/preço, vai para o Moscatel de Setúbal "Superior 10 Anos" -- na fotografia, canto inferior esquerdo (garrafa de 50cl, engarrafado em 2009, custa €30).
Uma sugestão, caro leitor, experimente. Esqueça o Vinho do Porto e o Vinho da Madeira. Verá como tenho razão.

Programa cautelar [2]

António José Seguro trava exigência de eleições antecipadas devido a programa cautelar, noticia o jornal i. A ser verdade, estaremos perante mais um duplo mortal à retaguarda. Repito, a ser verdade. Na sua edição de ontem o jornal Sol apontava no sentido contrário, i.e. que o PS só aceitaria validar um programa cautelar a troco da antecipação das eleições legislativas. Verdade ou não, José António Lima tem muita razão:
(Clicar na imagem.)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ronaldo rules...

Foto: AP.
[Adenda]
Ler seis notas oportunas de Pedro Correia.

Mais rápido do que a sua própria sombra

José Flávio Pimental Teixeira (JPT), rápido a puxar da arma e a disparar, sem contraditório e com base numa entrevista de um tipo sem tino, fica muito chocado com o suposto facto de um conjunto de blogonautas que apoiou Pedro Passos Coelho ter estado envolvido em actos de "falsificação de identidades, anonimatos, contra-informação rasteira, mentiras, boatice". Tal realidade, uma vez mais com mão leve na pistola e no gatilho, leva-o a decretar que estamos perante "um retrato nojento do país, do PSD, da escumalha que governa o país e dos jornalistas e/ou bloguistas que por aí andam e que se prestam a isso". E pronto. Todos julgados e condenados sumariamente na praça pública, sem direito a contraditório, que isso não interessa nada.
Bem sei que não devemos deixar a realidade intrometer-se num bom programa de ficção. Ainda assim, se não fosse muita maçada, seria possível dizer o nome -- só quero um nome apenas -- de um blogonauta que apoiou Pedro Passos Coelho, um nome em concreto, que tenha estado envolvido nessas manobras de falsificação de identidades, anonimatos, contra-informação rasteira, mentiras e boatice?
JPT já esclareceu que não lhe passou pela cabeça que Pedro Correia estivesse envolvido em semelhante coisa. Será Luís Naves? Será António Nogueira Leite? Serei eu? Quem? Quem foram os blogonautas, daqueles que foram explicitamente referidos na entrevista pelo seu nome, o que nem é o meu caso, que estiveram envolvidos nessa grande conspiração que não olhou a meios para atingir os seus fins?
Antecipadamente grato pela resposta.

P.S. -- Não sei se é factualmente preciso, mas julgo que terei estado entre os primeiros apoiantes de Pedro Passos Coelho na blogosfera. Enquanto blogonauta estive apenas num almoço com Passos Coelho, aliás que foi referido na altura na comunicação social, e mais tarde num jantar, se a memória não me falha (ou vice-versa). Nunca ninguém me disse o que escrever ou como escrever. Nunca fiz parte de nenhuma lista de emails, mas mesmo que fizesse não vinha daí mal ao mundo. No máximo, lembro-me de ter recebido uns SMS com os valores das sondagens e não mais do que isso. Nunca recebi informação privilegiada, antes ou depois das eleições internas no PSD, ou depois no ciclo das legislativas. Nada sei sobre falsificação de identidades, anonimatos, contra-informação rasteira, mentiras e boatice.
Já agora, em dez anos de blogosfera, enquanto blogonauta, ou através dos blogues, estive apenas em três ou quatro encontros com pessoas que tinham blogues, ou a quem os blogues interessavam por razões de estratégia política, digamos assim. Uma vez em casa de José Pacheco Pereira, na Marmeleira. No almoço e no jantar que referi anteriormente com Passos Coelho e num encontro com Paulo Rangel no Café Nicola. Não me recordo, se fui convidado para um almoço de blogonautas com José Sócrates. Se fui, recusei, mas confesso que já não me lembro.

Programa cautelar

Maria Luís Albuquerque mantém, formalmente, as suas opções em aberto. Um sinal da esquizofrenia que grassa no Governo. Tanto se acena com um segundo resgate, como se afirma que Portugal pode prescindir de um programa cautelar.
Em todo o caso, já se percebeu que o programa cautelar poderá vir a ser o grande palco de batalha. Marques Guedes afirma que o aval do PS não é obrigatório, o PS responde que um programa cautelar implica novas circunstâncias e por isso a convocação de eleições legislativas antecipadas.
No meio desta cacofonia, enquanto se discute cenários virtuais não se fala do presente. Um alívio para o Governo, mas também, suspeito, para o PS.

Como diria o outro

Les beaux esprits se rencontrent.

Não queria deixar...

...de enviar, a partir daqui, um abraço público ao Pedro Correia. É sempre desagradável ver o nosso nome envolvido em manobras e manipulações no qual não se participou. Sei do que falo porque, noutro contexto, também já o senti na pele. Imagino que a minha sorte foi não conhecer o entrevistado, caso contrário o meu nome também poderia ter sido citado naquela sopa delirante e sem tino. É a vida.

As notícias da minha morte...

Ciclicamente leio referências ao declínio dos blogues. Não sei do que estão a falar. Suspeito que confundem moda com declínio. Talvez se possa dizer que os blogues deixaram de estar na moda. Mas o que não se pode dizer, seguramente, é que estão em declínio. Como se avalia esse declínio é, por sua vez, uma longa conversa.
A tese do declínio, aliás, tem sido colocada em relação às diversas plataformas das redes sociais. E, no entanto, ainda recentemente, o Twitter foi um êxito na sua estreia em bolsa. Adiante. Na verdade, ainda que este texto possa transmitir a impressão contrária, o suposto declínio dos blogues, os que abordam a política nacional e os outros, não me tira o sono, nem me preocupa.
Este blogue, por exemplo, tem actualmente 200 a 300 leitores por dia. Podia ter 100 ou 1500 que para mim era exactamente igual. Os blogues sempre foram um fenómeno de minorias e sempre tiveram públicos limitados, ainda que alguns eventualmente tivessem alguma influência. Nada mudou nesse capítulo. Os blogues continuam a ser um fenómeno de minorias e alguns têm alguma influência.
Actualmente as expectativas e as ambições de alguns bloggers e antigos bloggers serão mais modestas em relação aos blogues. São eles, porventura, os grandes defensores da tese do declínio. Acontece que o problema não está, nem nunca esteve, nos blogues, mas sim nas suas ambições iniciais e no seu desconhecimento da realidade. Esses entusiastas com expectativas desmedidas, entretanto, tiveram uma grande desilusão, mas os blogues nunca saíram do mesmo sítio.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Natureza madrasta

Estou absolutamente convencido de que há pessoas que têm o intestino grosso ligado directamente ao cérebro e que a circulação dos fluidos se faz apenas em sentido ascendente. É isso, e só isso, que explica que, quando abrem a boca, saia tanta merda.

GES: a luta dos deuses [6]

"Recorde-se que na sexta-feira o Negócios noticiou que José Maria Ricciardi tinha entrado em conflito com Ricardo Salgado por causa da sucessão, tendo retirado a confiança ao primo."
Se é para recordar, eu recordo-me muito bem. E aquilo que o Negócios noticiou não foi que Ricciardi tinha entrado em conflito com Salgado, mas sim que fracassara uma tentativa de golpe de Estado e que Ricciardi falhara a destituição de Salgado. O Negócios noticiou muito mais do que um mero conflito. O Negócios foi mais longe. Abdicou da sua posição de neutralidade e imparcialidade. Assumiu as dores de uma das partes e não se limitou a noticiar, de forma neutra e imparcial, como faz agora em regime de limitação de danos, um conflito.

Sobre o pagamento de conteúdos digitais

Posso estar enganado, mas julgo que a opção do Público vai ser um tremendo fiasco. Por várias razões. Em primeiro lugar, uma grande parte dos artigos, a esmagadora maioria, não acrescenta muito valor acrescentado ao leitor. O que significa que muitos migrarão para outras plataformas. É certo que uma parte significativa nunca estaria disposta a pagar os conteúdos aos quais têm acesso. Mas há outros que eventualmente poderiam estar se reconhecessem, de facto, ao jornalismo do Público valor acrescentado, o que em muitas circunstâncias não é o caso. O Público perderá tráfego, receitas e influência, sem que, julgo, o volume de negócio gerado por esta nova estratégia compense o que se perde. Haverá, obviamente, quem adira à nova opção, imagino que em larga maioria quem viva fora de Portugal, mas, repito, parece-me que será uma adesão marginal.
Em segundo lugar, tenho dificuldade em perceber como é que esta nova opção não colide com a estratégia anterior. Mais do que acrescentar receita, esta opção arrisca-se a canibalizar a receita oriunda das assinaturas digitais e em papel, bem como das vendas diárias em papel.
Em terceiro lugar, o Público não é propriamente o New York Times ou o Financial Times. A marca Público não me parece ser suficientemente forte para sustentar uma estratégia desta natureza, nem o universo de potenciais leitores é suficiente vasto para permitir este exercício.
Por tudo isto, julgo que a nova estratégia vai ser um flop. Veremos.

[Adenda]
António Granado manifesta igualmente reticências sobre esta opção.

Irlanda vai a jogo, sozinha

Digno de nos despertar o sentimento de inveja.

Pequenos raios de luz [8]

Mais um.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Capucho: saldos

Esteve disponível para ser presidente da Cruz Vermelha. Esteve disponível para integrar candidaturas autárquicas. E agora está disponível para se candidatar à Presidência da República. Tudo indica que, no futuro próximo, com este track record, ainda estará disponível para muita coisa. Sempre em bicos dos pés. Patético.
Em nome da caridade cristã, por favor, disponibilizem-lhe qualquer coisinha. Talvez, presidente, ou provedor, do canil de Cascais?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Sem remédio [4]

"Não há números mágicos"? Nem como "mera hipótese"?
Não me ocorre como é que a humilhação poderia ser maior, mas de certeza que o problema é meu.

[Adenda]
Erro num dos links, entretanto corrigido.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

GES: a luta dos deuses [5]

1. Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi anunciam a paz no BES. Trata-se de um exercício para inglês ver que imagino que visa essencialmente sossegar clientes e investidores.
2. Com esta declaração conjunta, Ricardo Salgado engole um enorme sapo vivo. Por um lado admite o eventual início do processo de sucessão e, por outro, reconhece que José Maria Ricciardi poderá vir a ser o seu sucessor.
3. Tendo assegurado estes dois pontos cruciais -- nada mau para quem tinha perdido a guerra et cetera e tal... -- Ricciardi fica, aparentemente, próximo de ter feito cheque ao rei.
4. Olhando para a declaração conjunta de outra maneira: percebe-se claramente no que cedeu Salgado e a contrapartida, i.e. tempo e controlo de danos. Percebe-se também o que ganhou Ricciardi, i.e. o estatuto de primus inter pares no processo de sucessão, sem que seja evidente qualquer cedência. O voto de confiança tem poucos ou nenhuns custos.
5. A comunicação social continua a manifestar um enviesamento favorável a Ricardo Salgado. No entanto, o ainda líder do BES, desde a semana passada que não tem feito outra coisa que não seja somar derrotas. O voto de confiança que pediu -- e que obteve no Conselho Superior do GES -- foi lido inicialmente como uma manifestação do seu poder quando, na realidade, não passou de um primeiro sinal de fraqueza. Fragilidade que culmina com a declaração conjunta de hoje, um exercício claramente impensável noutros tempos.
6. Naturalmente, Ricciardi não ganhou a guerra da sucessão e o resultado da disputa em curso é, possivelmente, ainda incerto. No entanto, não me admirava que o acordo entre as partes fosse mais extenso do que aquilo que foi tornado público com a declaração conjunta de hoje.
7. Isto dito, a declaração conjunta não corresponde a um anúncio de paz, como refere o Jornal de Negócios. (Refira-se, numa nota lateral, que o Negócios não consegue acertar um título neste dossier.) É antes um armistício num processo em que o regresso ao statu quo ante é impossível.

Textos anteriores:
GES: a luta dos deuses [4]
GES: a luta dos deuses [3]
GES: a luta dos deuses [2]
GES: a luta dos deuses [1]