José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Qatar: mérito e demérito
"O mérito é da MSF", salientou Paulo Portas. Não tenho dúvida nenhuma de que assim é. Quem não teve mérito nenhum na matéria, seguramente, foi o sempre muito ocupado embaixador de Portugal no Qatar, Fernando Araújo. Assumindo, naturalmente, que teve tempo e disponibilidade para responder a eventuais emails da MSF que lhe possam ter sido dirigidos.
CTT: pequenos detalhes
Imagino que a minha carta foi enviada por correio normal e não por correio azul, uma vez que a recebi apenas na segunda fase da privatização. Se estivesse à espera da carta para comprar acções dos CTT ficava desde logo prejudicado nas condições de rateio. De duas, uma. Ou alguém preparou esta iniciativa tardiamente, ou então é um monumento vivo e a cores à eficiência da empresa. De uma forma ou de outra, queria agradecer publicamente a Francisco de Lacerda a preocupação que colocou em me escrever. Não é todos os dias que se recebe correspondência de um CEO.
Portugal alemão
Esta pseudo-polémica, totalmente artificial, só existe na comunicação social. Admito que Bruno Maçães possa ter sido menos feliz na forma como se expressou. Talvez tenha sido, não sei. Mas ainda que o tenha sido, não vale a pena deturpar a posição portuguesa, que aliás em nada mudou com a sua nomeação. Maçães limita-se a manter a posição anteriormente seguida por Miguel Morais Leitão, que tanto quanto me lembro ninguém criticou por expressar um "Portugal alemão". Obviamente, mais do que as suas palavras, o alvo é o próprio Maçães que alguns querem fragilizar politicamente. Não considero, que isso fique bem claro, que a sua escolha tenha sido particularmente feliz, mas a sua posição é um não-assunto, apenas alimentado pela agenda politico-partidária.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Allez, allez, Sporting allez [14]
A equipa do Sporting é candidata ao título? Não sei. Ainda vai correr muita água por debaixo das pontes e ainda há muito campeonato por jogar. Aquilo que me interessa, neste momento, é que há uma sintonia muito positiva entre a estrutura dirigente, a equipa técnica e os jogadores, os sócios e os adeptos. Isso é que me parece que deve ser destacado neste momento. Quanto aos jogos, um a um, vamos ultrapassando etapas com serenidade. Hoje William Carvalho fez uma grande exibição e até marcou o primeiro golo contra o Paços Ferreira, num jogo que marcou o regresso de Fredy Montero aos golos. Cédric, Capel e André Martins também fizeram um bom jogo, numa partida em que verdadeiramente ninguém destoou pela negativa. Não diria (ainda) que a equipa respira confiança, ou que os jogos são sempre bem jogados, mas nota-se um crescente à vontade entre as diferentes peças. O Sporting ainda pode e deve evoluir muito, mas a verdade é que há uma consistência de resultados que ninguém esperava no início da época. Nesta altura, na verdade, não se pode pedir mais. Allez, allez, Sporting allez...
Foto: Gustavo Bom (Global Imagens via DN).
[Adenda]
Peço desculpa, mas este tenho de reproduzir com a devida permissão de Zélia Parreira (e de caminho, ler os comentários de Pedro Correia):
O meu consumo...
...de televisão -- SICN, TVI24, RTP Informação e restantes canais generalistas -- tem sido muito reduzido, ou praticamente nulo nalguns casos, nos últimos dois ou três anos. O meu exercício de zapping diário, por regra, não vai para além dos canais FOX, Hollywood, AXN e MOV. Esta madrugada, excepcionalmente, passei os olhos pela SICN e encontrei um programa de António José Teixeira que desconhecia, salvo erro intitulado "A Propósito". O facto de Vítor Bento ser o entrevistado prendeu-me a atenção. Ouvi-o, como sempre, com interesse, até porque acabo sempre por aprender qualquer coisa. Perante um palavroso António José Teixeira, Vítor Bento disse sempre apenas aquilo que queria dizer e não aquilo que o entrevistador queria que ele dissesse, sem grandes manifestações de estados de alma, mas sempre de forma equilibrada e ponderada. Se as nossas elites tivessem mais Vítor Bentos e menos, muito menos, elementos dessa fauna que pululula regularmente pela comunicação social, estaríamos certamente todos melhor.
Europa: regras, direitos, favores
Já aqui e aqui tinha feito referência à agitação subterrânea que começa a agitar o PSD -- no PS a situação será igual -- tendo como pano de fundo as próximas eleições europeias. A edição do Expresso desta semana vai mais longe e toca já no dossier relativo à escolha do próximo comissário europeu a designar por Portugal. Como sempre nomes e candidatos não faltam. Na verdade ninguém sabe ainda quem será o escolhido, mas isso pouco importa. Muito possivelmente nem o primeiro-ministro tem ainda a questão resolvida na sua cabeça. Veremos a seu tempo.
Mas a parte mais deliciosa vem na última página do jornal. Para minha surpresa leio que o PS -- sim, caro leitor, leu bem -- quer escolher o próximo comissário europeu. No Governo ou na oposição, o PS mantém a mesma sede em relação a lugares de topo. A argumentação ensaiada é divina. Primeiro, a questão da legislatura. Segundo, o apoio à renovação do mandato de Durão Barroso. Vamos por partes. Alguém em nome do PS, recorrendo ao off do costume, afirma que o próximo comissário europeu ficará no cargo para além desta legislatura e por isso deve ser alguém indicado pelo PS. Naturalmente, primeiro ponto, estamos a partir do pressuposto de que o PS vencerá as próximas eleições legislativas. No fundo, bem vistas as coisas, talvez nem valha a pena perder tempo a consultar os portugueses. Afinal, a vitória do PS são favas contadas. Segundo ponto, não consigo encontrar um argumento válido para sustentar a tese de que um comissário europeu indicado pelo PSD não conseguirá articular com um eventual Governo liderado pelo PS -- e possivelmente em coligação com o PSD -- posições que defendam, na medida do possível, os interesses de Portugal. Por mero acaso António Vitorino apresentou a sua demissão de comissário europeu quando Durão Barroso foi eleito primeiro-ministro por manifesta incapacidade de se articular com um Governo PSD/CDS? Ou será que a incapacidade de articulação diz respeito apenas a comissários indicados pelo PSD? Esta gente acha que os portugueses são todos tolos?
Mas vamos ao segundo argumento. O Governo de José Sócrates apoiou a renovação do mandato de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia e, nessa medida, o PSD deve 'pagar' o favor. Peço desculpa, mas José Sócrates tinha alternativa? Talvez valha a pena lembrar que o PS ainda ensaiou em 2004, sem sucesso, a tentativa de lançar António Vitorino para a Comissão. Falhada essa tentativa, em 2009 o PS não tinha uma alternativa para apresentar. Nessa medida, o apoio de Sócrates era irrelevante. Em suma, cobrar agora esse suposto 'favor' é treta, pura e dura.
Não estão em causa pessoas em concreto. Não faltam destacados militantes do PS que pessoalmente veria com todo o gosto como comissário europeu se o ciclo político fosse outro. Pura e simplesmente, não é, e a regra não escrita define que quem está no Governo escolhe o comissário europeu, ponto final, parágrafo.
Mas a parte mais deliciosa vem na última página do jornal. Para minha surpresa leio que o PS -- sim, caro leitor, leu bem -- quer escolher o próximo comissário europeu. No Governo ou na oposição, o PS mantém a mesma sede em relação a lugares de topo. A argumentação ensaiada é divina. Primeiro, a questão da legislatura. Segundo, o apoio à renovação do mandato de Durão Barroso. Vamos por partes. Alguém em nome do PS, recorrendo ao off do costume, afirma que o próximo comissário europeu ficará no cargo para além desta legislatura e por isso deve ser alguém indicado pelo PS. Naturalmente, primeiro ponto, estamos a partir do pressuposto de que o PS vencerá as próximas eleições legislativas. No fundo, bem vistas as coisas, talvez nem valha a pena perder tempo a consultar os portugueses. Afinal, a vitória do PS são favas contadas. Segundo ponto, não consigo encontrar um argumento válido para sustentar a tese de que um comissário europeu indicado pelo PSD não conseguirá articular com um eventual Governo liderado pelo PS -- e possivelmente em coligação com o PSD -- posições que defendam, na medida do possível, os interesses de Portugal. Por mero acaso António Vitorino apresentou a sua demissão de comissário europeu quando Durão Barroso foi eleito primeiro-ministro por manifesta incapacidade de se articular com um Governo PSD/CDS? Ou será que a incapacidade de articulação diz respeito apenas a comissários indicados pelo PSD? Esta gente acha que os portugueses são todos tolos?
Mas vamos ao segundo argumento. O Governo de José Sócrates apoiou a renovação do mandato de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia e, nessa medida, o PSD deve 'pagar' o favor. Peço desculpa, mas José Sócrates tinha alternativa? Talvez valha a pena lembrar que o PS ainda ensaiou em 2004, sem sucesso, a tentativa de lançar António Vitorino para a Comissão. Falhada essa tentativa, em 2009 o PS não tinha uma alternativa para apresentar. Nessa medida, o apoio de Sócrates era irrelevante. Em suma, cobrar agora esse suposto 'favor' é treta, pura e dura.
Não estão em causa pessoas em concreto. Não faltam destacados militantes do PS que pessoalmente veria com todo o gosto como comissário europeu se o ciclo político fosse outro. Pura e simplesmente, não é, e a regra não escrita define que quem está no Governo escolhe o comissário europeu, ponto final, parágrafo.
sábado, 30 de novembro de 2013
Crise e oportunidade
É indiscutível que a comunicação social portuguesa atravessa um período de crise prolongada. Crise que, no imediato, ainda estará para ficar. No entanto, o próximo ano promete algumas mudanças a seguir com atenção e interesse. Pedro Santos Guerreiro é um dos melhores jornalistas portugueses e vejo por isso com agrado e expectativa a sua nomeação para a edição digital diária do Expresso. A entrada de António Mosquito e de Luís Montez no capital da Controlinveste levará a que seguramente rolem cabeças. Num grupo em crise profunda, João Marcelino é o candidato mais óbvio a deixar o lugar, mas não será seguramente o único.
Adicionalmente poderão existir mais mudanças no panorama mediático, igualmente a prometer ajustes nas placas tectónicas da comunicação social portuguesa e arredores. O Expresso noticia que António Carrapatoso e Alexandre Relvas poderão lançar um novo jornal. Veremos. Pessoalmente interessa-me mais a possibilidade, igualmente noticiada pelo Expresso, de Rodrigo Moita de Deus avançar com uma versão portuguesa do Huffington Post.
Projectos em reestruturação e novos projectos no horizonte. Com o mercado publicitário ainda em fase de contenção, com as vendas em declínio e sem que se tenha ainda encontrado uma alternativa de modelo de negócio viável, a sustentabilidade financeira dos actuais e futuros projectos é uma autêntica incógnita. A não ser, claro, que haja vida para além do negócio da comunicação social no seu perímetro mais imediato.
Adicionalmente poderão existir mais mudanças no panorama mediático, igualmente a prometer ajustes nas placas tectónicas da comunicação social portuguesa e arredores. O Expresso noticia que António Carrapatoso e Alexandre Relvas poderão lançar um novo jornal. Veremos. Pessoalmente interessa-me mais a possibilidade, igualmente noticiada pelo Expresso, de Rodrigo Moita de Deus avançar com uma versão portuguesa do Huffington Post.
Projectos em reestruturação e novos projectos no horizonte. Com o mercado publicitário ainda em fase de contenção, com as vendas em declínio e sem que se tenha ainda encontrado uma alternativa de modelo de negócio viável, a sustentabilidade financeira dos actuais e futuros projectos é uma autêntica incógnita. A não ser, claro, que haja vida para além do negócio da comunicação social no seu perímetro mais imediato.
A recusa
Rui Rio terá recusado o convite do primeiro-ministro para liderar o futuro Banco de Fomento. Algo me diz que esta história é capaz de estar mal contada. Refiro-me à versão que conhecemos neste momento. Adiante. Rui Rio está no seu direito, como é óbvio. Pessoalmente a única coisa que registo como politicamente relevante é o facto de a recusa do convite ter sido tornada pública. Se alguém pensou -- pensou mesmo? -- que tal beneficiava Rui Rio está muito enganado.
Crise de regime
Só na cabeça de Mário Soares, Vítor Ramalho, José Medeiros Ferreira e restante tropa do passado é que haverá amanhã uma crise de regime. No fundo confundem os seus desejos e as suas necessidades políticas com a realidade. São os mesmos que lançaram Soares numa aventura presidencial suicida. Esta tribo em vias de extinção, que anda por aí a pulular há 40 anos, precisa desesperadamente de instabilidade para mascarar a sua irrelevância no seu próprio quadrante político. A luta pela sobrevivência nunca foi um espectáculo bonito de se ver.
A lei da selva [2]
Desta vez não houve ternura e carinho. Sobrou para Eurico Brilhante Dias uma leitura não literal. Eis uma boa metáfora, ainda que involuntária. Este PS também não pode ser levado à letra. Nem a sério, em bom rigor.
O que faz correr António Mosquito?
O que leva António Mosquito a adquirir parte do capital da Controlinveste?
Não é seguramente a expectativa de lucros presentes ou futuros na Controlinveste, de certeza absoluta. Poder e influência, em Portugal e em Angola, que por sua vez permitirá obter resultados noutros tabuleiros, isso sim, como é óbvio.
Não é seguramente a expectativa de lucros presentes ou futuros na Controlinveste, de certeza absoluta. Poder e influência, em Portugal e em Angola, que por sua vez permitirá obter resultados noutros tabuleiros, isso sim, como é óbvio.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
A terceira lição
Ricardo Costa esqueceu-se de tirar uma terceira lição, porventura a mais importante. O acordo alcançado entre a CDU e o SPD, nos termos em que foi formulado, marca a falência total da estratégia europeia de António José Seguro. O líder do PS reclamava que era possível uma abordagem europeia diferente e, nessa medida, apostou muito nas eleições francesas e alemãs. Ora, depois da França, chegou a vez de a Alemanha validar a manutenção do actual rumo europeu. Poderão ocorrer ajustes pontuais, naturalmente, mas no essencial a estratégia que se seguiu nos últimos anos é para manter com o SPD no poder na Alemanha e com Hollande na presidência francesa, por muito que isso custe a António José Seguro.
Sim, "Passos Coelho teve sempre razão", refere Ricardo Costa. "Não lhe vale é de muito", acrescenta.
Não sei. O que sei é que se tivesse estado errado as consequências poderiam ter sido graves. Nessa medida parece-me que valeu alguma coisa a Passos Coelho -- e a todos nós -- estar certo. A quem seguramente não valeu nada estar errado foi a António José Seguro que vê agora a sua abordagem europeia ruir por completo.
Sim, "Passos Coelho teve sempre razão", refere Ricardo Costa. "Não lhe vale é de muito", acrescenta.
Não sei. O que sei é que se tivesse estado errado as consequências poderiam ter sido graves. Nessa medida parece-me que valeu alguma coisa a Passos Coelho -- e a todos nós -- estar certo. A quem seguramente não valeu nada estar errado foi a António José Seguro que vê agora a sua abordagem europeia ruir por completo.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
A lei da selva
Mário Soares considera que o PS sob a liderança de António José Seguro não é suficientemente activo, o que quer que isso queira dizer. Pouco importa. Uma vez mais fica no ar a crítica pública. O secretário-geral do PS lá terá de responder, de novo, que tem "uma imensa ternura e um imenso carinho" por Soares para fugir à questão. Ternura e carinho são conceitos estranhos ao velho político carnívoro. Afinal, se o predador tivesse ternura e carinho pela presa passava fome.
Formas discretas de salvaguardar o interesse comum
Assim, por exemplo. Bem sei que não dá grandes capas de jornais, ou sensacionais abertura de telejornais, mas é eficaz e efectiva.
Programa cautelar [6]
Sem programa cautelar não haverá apoio do BCE através da compra de dívida no mercado secundário. Se alguém tinha essa ilusão, pois bem, assunto esclarecido...
terça-feira, 26 de novembro de 2013
O pensionista Cavaco Silva...
...que por acaso também é Presidente da República enviou para o Tribunal Constitucional (TC) uma decisão do Governo que afecta directamente os seus interesses. Era tão bom se todos nós pudéssemos enviar para o TC decisões governamentais que nos afectam pessoalmente. Infelizmente trata-se de um luxo de que dispõe apenas um pensionista em Portugal. Um pensionista de luxo.
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