sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Quando os números também falam por si próprios

Unânime e apenas duas declarações de voto. Nada a acrescentar, portanto.

Remodelação permanente

Não me recordo de outro Governo em que as remodelações fossem em regime contínuo. Poderá ter existido, mas não me lembro de algo parecido. Naturalmente, nada impede o Primeiro-Ministro de remodelar quando entende ser o momento adequado. Se quisesse, Pedro Passos Coelho poderia remodelar um ministro ou secretário de Estado a cada 15 dias, ou todos os meses. Esta é uma matéria da sua exclusiva competência, aliás de acordo com a Constituição. Isto dito, no plano político, este entra e sai revela uma inexplicável falta de planeamento e de gestão da sua equipa governamental. Se assim não é, na verdade parece.
Acresce que nem as circunstâncias verdadeiramente excepcionais dos últimos dois anos e o desgaste que implicou explicam esta remodelação permanente. Estas remodelações aos pingos são puro improviso, sem qualquer tipo de controlo de calendário ou de estratégia política. Um fenómeno negativo, por consequência.

IRC

Afinal, PS e Governo conseguem entender-se e chegar a acordo. Quando existe vontade política, naturalmente.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Propostas politicamente correctas?

Com o intuito de reforçar a sua legitimidade democrática, Paulo Rangel defende a eleição directa do presidente da Comissão Europeia. Na prática, se não existirem mecanismos de correcção (e Rangel não parece ter abordado o assunto), o resultado final poderá ser exactamente o contrário, i.e. uma Comissão ainda menos representativa e menos legítima. Dito ainda de outra maneira, à luz de lindos princípios, Rangel está a condenar sem querer os pequenos Estados a um papel ainda mais subalterno no âmbito dos equilíbrios europeus. Esta insistência numa Europa dos cidadãos no âmbito de uma Europa de Estados é pura engenharia voluntarista. Rangel necessita de ler, ou reler, Edmund Burke...

Evidência zoológica

Certeiro.

Pequenos raios de luz [10]

Outro.

As múltiplas faces da soberania

Paulo Portas entende que estamos sob regime de protectorado. Guilherme d'Oliveira Martins argumenta, em sentido contrário, que mantivemos a soberania plena. Um e outro abordam o conceito de soberania a partir de uma agenda política, necessariamente simplista. Porém, como explicou Stephen Krasner, há múltiplas soberanias na soberania. É por isso que esta discussão, ou dicotomia, entre o protectorado e o Estado plenamente soberano tem pouco sentido e pouco rigor. No fundo tem um interesse diminuto. Pode ser um bom tópico de conversa, ou de escrita, mas não nos resolve um único problema.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Portugal e a República Centro-Africana

Era importante que não se voltasse a repetir os erros cometidos em relação ao Mali. Portugal tem de estar presente na intervenção militar em curso na República Centro-Africana (RCA). Alemanha, Bélgica, Espanha, Polónia e Reino Unido já se comprometeram a prestar auxílio à intervenção militar francesa na RCA que, recorde-se, tem cobertura legal das Nações Unidas.
Há mil e uma razões para Portugal ter uma presença mínima na operação militar liderada pela França, agora ou mais à frente, mas desde já anunciada publicamente. De forma breve e sem grande desenvolvimento: [1] Uma das cartas fortes da nossa diplomacia tem sido o facto de nós sermos um security provider. Que saiba, nada mudou, apesar das nossas dificuldades financeiras. [2] Por uma questão de solidariedade europeia com um parceiro histórico de Portugal. [3] A França fica-nos a dever um 'favor' que posteriormente poderá ser relembrado noutros palcos, como é o caso da Guiné-Bissau. [4] Onde estão os espanhóis nós também temos de estar. [5] Países europeus da nossa dimensão, como é o caso da Bélgica, vão marcar presença. [6] A política externa portuguesa, na sua vertente subsaariana, não se pode circunscrever quase em exclusivo aos países de língua portuguesa. [7] O que se passa na RCA é importante para a UE, mas também para os nossos parceiros da CPLP. Se é importante para eles inevitavelmente também tem de ser para nós.
Tudo somado, custa-me a aceitar que Portugal não possa ter uma forma qualquer de participação. Nem falo de boots on the ground. No mínimo, um C-130, por Toutátis!

Que atire a primeira pedra...

Quem não googlou...

3D 2.0

Há situações de uma ironia involuntária que se fosse propositado ninguém se teria lembrado. A poucos meses de se celebrar os 40 anos do 25 de Abril, um conjunto de pessoas de Esquerda lembra-se de lançar um "Manifesto 3D". A Esquerda, que esteve no poder durante largos períodos dos últimos 40 anos, ainda tem como bandeiras políticas a democracia e o desenvolvimento. Bem sei que esta Esquerda do Manifesto não é exactamente aquela que esteve no poder, mas ainda assim o leitor quer maior admissão de fracasso do que esta?
Para o salto no tempo ser perfeito, como se os últimos 40 anos não tivessem existido, só faltava o Manifesto 3D advogar a descolonização. Bem, Paulo Portas diz que estamos sob protectorado e até tem um relógio em contagem decrescente, sendo que desta vez os descolonizados seremos nós...
Enfim, siga, descontado o buzz mediático de curta duração, nada disto terá qualquer relevância.

Como a nossa classe política ocupa os dias

Mario Draghi faz uma intervenção sobre a situação portuguesa. António José Seguro aproveita para entrar no campo da intrigalhada política, não tendo aliás qualquer problema em arrastar o Presidente para este caldo de trica. A reboque, o PSD acaba por entrar no jogo.
Passamos os dias nisto. Espuma e mais espuma. Canelada e mais canelada por debaixo da mesa. Nada disto resolve os nossos problemas, ou contribui para um debate sério e esclarecedor. Azar o nosso.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sempre ao lado

Pouco me interessa se o cargo foi criado ou não à medida. O PS, como sempre, atira ao lado e Miguel Macedo agradece. O que me parece extraordinário é que alguém que pediu a sua demissão de director da PSP, numa história que conhecemos mal, tenha tido o aval político do ministro para preencher aquela vaga. Este episódio, a somar ao anterior em que o novo director manteve a equipa do seu antecessor, revelam uma história que parece muito mal contada.
Miguel Macedo, para mim, tal como Nuno Crato, passou à história como ministro.

Spin

Havia que destacar uma vitória. A resistência foi heróica e os resultados estão à vista. O Governo conseguiu fazer frente, com sucesso, às intenções da troika. Good cop, bad cop...

O relógio em contagem...

...decrescente para a saída da troika é ridículo e típico do populismo de Paulo Portas. Os bicéfalos devem estar roídos de inveja por não se terem lembrado desta. Afinal, os extremos tocam-se não é verdade?

domingo, 15 de dezembro de 2013

Allez, allez, Sporting allez [16]

A equipa do Sporting mostrou frente ao Belenenses, com uma vitória indiscutível por três golos sem resposta, que a pressão de que se falou ao longo da semana não é um problema. Destaque-se igualmente o facto deste ter sido mais um jogo sem sofrer golos e mais uma partida com uma vitória clara. Perante um estádio cheio e em total sintonia com a equipa, André Martins foi claramente a figura do jogo, numa partida colectivamente bem conseguida e em que Rui Patrício quase que não foi chamado a intervir. Não há muito mais para dizer. O Sporting respira confiança nesta fase. Tudo parece correr bem e jogos potencialmente difíceis acabam por ser resolvidos com alguma facilidade. Sorte? Talvez, mas a sorte conquista-se e é fruto de muito trabalho. Matenha-se, portanto, o rumo que tão bons resultados está a produzir. Allez, allez, Sporting allez.
[Publicado também aqui. Ver igualmente os apontamentos de Pedro Correia.]
Foto: Pedro Rocha (Global Imagens via DN).

sábado, 14 de dezembro de 2013

A ser verdade...

...mais um ministro que para mim deixou de existir. A ser verdade, repito, porque custa a acreditar que Miguel Macedo seja tão pouco sensato. Mas já não digo nada.

Na mouche

Bem resumido por Luís Naves.

O balão de ensaio

Carvalho da Silva, segundo o Público, vai lançar um movimento a pensar nas eleições europeias. Posso estar enganado, mas a coisa tem todo o ar de ser um balão de ensaio tendo como pano de fundo a sua eventual candidatura presidencial.
Carvalho da Silva pretende testar as águas. Ele sabe que sem federar a Esquerda não tem qualquer hipótese e este movimento é um primeiro exercício nesse sentido.
Como é que ele pretende vir a ser o candidato apoiado pelo PS é outra conversa. Uma autêntica quadratura do círculo.

Fantochadas

"Não voto" porque "isto é tudo uma fantochada", diz Joe Berardo. Certo. Nunca esquecer que ele prefere fantochadas de outro tipo. Santa paciência.