Evidentemente que não. Um congresso a meio de uma legislatura e quando esse partido está no poder é sempre um acontecimento norte-coreano. Paulo Portas tinha uma obrigação e uma preocupação. A obrigação era ter que regressar à crise de Julho de 2013. Como era esperado, passou pelos pingos da chuva sem se molhar. A sua explicação não convenceu ninguém, evidentemente, mas esta era uma formalidade a cumprir. A preocupação dizia respeito aos equilíbrios de poder e à estabilidade interna. De novo, Portas resolveu a coisa com a maior facilidade.
Quanto à oposição interna, com limitações óbvias, cumpriu o seu papel, restando-lhe aguardar por melhores dias.
A realidade segue dentro de momentos.
José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
domingo, 12 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
Allez, allez, Sporting allez [19]
Infelizmente o Sporting não conseguiu vencer o Estoril e o empate a zero é inteiramente justo. Num jogo sem muitas oportunidades de golo, muito táctico e muito disputado no meio-campo, faltou ao Sporting uma pontinha de sorte para garantir outro resultado. Este era um daqueles jogos em que um lance de inspiração individual faria toda a diferença, mas a verdade é que ele não existiu.
Dito isto, o empate não é propriamente um mau resultado e o Sporting termina a primeira volta muito acima das expectativas de qualquer sportinguista no início da época. Nada a dizer, portanto. Ou melhor, há a dizer: allez, allez, Sporting allez...
Foto: Pedro Rocha (Global Imagens via DN).
Observador [2]
Nicolau Santos, sempre ele. As coisas que ele já sabe de antemão sobre o Observador. De forma resumida, o escriba avança desde já que será um canal de intervenção ideológica que servirá possivelmente para "dar exposição e bons cargos públicos a alguns dos seus membros". Por isso este projecto deve ser, desde já, encarado com a máxima suspeita. Afinal, "tantos investidores privados" dispostos "alegremente a perder dinheiro durante vários anos" é uma coisa nunca vista. O Público, por exemplo, é um jornal que desde a sua fundação está farto de dar lucro à Sonae. A própria Impresa tem resultados financeiros magníficos para mostrar. Seria, naturalmente, um projecto fascinante e sério se fosse dirigido pelos Baptistas da Silva que tanto o encantam. Não sendo o caso, é um projecto com toda a legitimidade -- porra, o que lhe custou admitir isto -- mas seguramente vinculado a agendas obscuras.
Em defesa dos centros de decisão?
Já dei, em tempos, para esse peditório. É um tema para o qual tenho alguma simpatia, cada vez menos, tenho de confessar. Ainda me lembro de Diogo Vaz Guedes defender empenhadamente a manutenção dos centros de decisão nacional e depois vender a Somague à espanhola Sacyr. Nesse dia, a minha simpatia pela 'causa' começou a diminuir significativamente.
No Expresso lamenta-se, com a mais recente vaga de privatizações, a perda de controlo nacional de um conjunto de centros de decisão. Inevitavelmente, a culpa é atribuída ao Estado e a este Governo em particular. Os nossos empresários -- sem estratégia, incapazes de se associar, sempre disponíveis para fazer mais-valias na primeira oportunidade -- são, no essencial, ilibados de qualquer responsabilidade. O Estado tem a 'obrigação' de preservar os centros de decisão nacional. Já as elites empresariais -- por regra apenas interessadas em comprar ao preço da uva mijona -- não têm responsabilidade absolutamente nenhuma. Haja pachorra.
No Expresso lamenta-se, com a mais recente vaga de privatizações, a perda de controlo nacional de um conjunto de centros de decisão. Inevitavelmente, a culpa é atribuída ao Estado e a este Governo em particular. Os nossos empresários -- sem estratégia, incapazes de se associar, sempre disponíveis para fazer mais-valias na primeira oportunidade -- são, no essencial, ilibados de qualquer responsabilidade. O Estado tem a 'obrigação' de preservar os centros de decisão nacional. Já as elites empresariais -- por regra apenas interessadas em comprar ao preço da uva mijona -- não têm responsabilidade absolutamente nenhuma. Haja pachorra.
Moody's: not in the mood for an outlook upgrade?
É impressão minha, ou ontem era suposto ter sido divulgada uma análise da Moody's ao risco de crédito de Portugal? A agência de notação mudou de ideias? O que é que se passou para ter sido adiada, ou cancelada, a sua publicação?
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Vital Moreira dixit
"Depois da crise não voltamos ao estado anterior, em que tínhamos o recurso dos impostos, o endividamento e o dinheiro da União Europeia. O tempo do endividamento acabou. A partir de agora, provavelmente temos é de ter saldos positivos para diminuir a dívida acumulada. Vamos ter de ser muito austeros e imaginativos se quisermos manter o Estado Social. É um desafio para o PS, quando voltar ao Governo. (...) A convenção Novo Rumo será o pontapé de saída e temos um ano e meio para construir essa alternativa, até às legislativas. Ela é necessária e ainda não existe. Eu insisto: um partido de governo não lhe basta fazer boa oposição, tem de dizer porque quer ser Governo. (Sol, 10.1.2014: 6-7.)"
Oliveira Martins: trocando por miúdos
Estamos perante uma intervenção sem qualquer conteúdo, ou trata-se de um recado dirigido sobretudo ao PS?
Como me custa a acreditar que seja o segundo caso, depreendo que o presidente do Tribunal de Contas se limitou a encher chouriços.
Como me custa a acreditar que seja o segundo caso, depreendo que o presidente do Tribunal de Contas se limitou a encher chouriços.
Luís Quintais: Depois da Música
TOTENBUCH
Com horror
haveríamos de encontrar o círculo negro da história,
o arquivo inabitável, irrespirável.
É amoral o gesto de quem regista,
assinala óbitos, assepsias, extermínios.
Um forno não é um forno
e um chuveiro não é mais um chuveiro.
O funcionário que regista tem
por dedos lâminas rombas.
Desenha com método. Anota com desvelo.
Luís Quintais, Depois da Música (Tinta da China, 2013), p. 28.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Fosun: mais um passo na nova geografia estratégica?
O Governo decidiu vender a Caixa Seguros à Fosun. Na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, o secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues, afirmou que os chineses apresentaram a "proposta de maior mérito" do ponto de vista financeiro, estratégico e jurídico.
Depois da EDP e da REN, estamos perante mais uma privatização que consolida a entrada de capitais chineses em Portugal, facto que considero muito positivo e que, como já referi em 2012, está a abrir as portas a uma recomposição potencial, ainda que parcelar, da própria política externa portuguesa.
Depois da EDP e da REN, estamos perante mais uma privatização que consolida a entrada de capitais chineses em Portugal, facto que considero muito positivo e que, como já referi em 2012, está a abrir as portas a uma recomposição potencial, ainda que parcelar, da própria política externa portuguesa.
Euro: crise superada? [2]
Tal com eu, mas seguramente com muito mais conhecimento do que está a falar, Mario Draghi também lhe parece prematuro estar a decretar o fim da crise. Naturalmente, a "confiança regressou", frisou o presidente do BCE, e isso é um facto crucial. Portugal, aliás, tem beneficiado muito deste clima de confiança interno e externo. Hoje, por exemplo, houve uma mão cheia de boas notícias: o regresso aos mercados foi um sucesso, ainda que em ambiente controlado, por assim dizer; as yields continuam a descer; as exportações continuam a crescer; e, last but not the least, mais uma etapa no processo de privatizações que se encerrou com êxito.
Nada disto, todavia, quer dizer que este ano não seja ainda muito difícil. Hoje, por exemplo, na sequência do chumbo do Tribunal Constitucional, o Governo anunciou os novos cortes nas pensões e o novo agravamento das contribuições para a ADSE. Mas, repito, como disse Draghi, a verdade é que apesar das condições difíceis a confiança regressou. Sem ela não há novos investimentos e consequentemente novos empregos. E isso é fundamental para sairmos do buraco em que nos encontramos. Em suma, começa a ver-se uma pequena luz ao fim do túnel. Finalmente.
Nada disto, todavia, quer dizer que este ano não seja ainda muito difícil. Hoje, por exemplo, na sequência do chumbo do Tribunal Constitucional, o Governo anunciou os novos cortes nas pensões e o novo agravamento das contribuições para a ADSE. Mas, repito, como disse Draghi, a verdade é que apesar das condições difíceis a confiança regressou. Sem ela não há novos investimentos e consequentemente novos empregos. E isso é fundamental para sairmos do buraco em que nos encontramos. Em suma, começa a ver-se uma pequena luz ao fim do túnel. Finalmente.
Euro: crise superada?
Ao contrário de Durão Barroso, não sei se a crise do euro está ultrapassada. Talvez. Espero que sim, mas não me parece ainda absolutamente seguro. Adiante. É curioso observar como o debate e a discussão pública em Portugal tem uma faceta aleatória, por vezes difícil de perceber. Um exemplo: Portugal deixou de estar interessado nas famosas OMT de Mario Draghi?
Há alguns meses atrás não se falava de outra coisa. Porém, a crise política originada pela demissão irrevogável de Paulo Portas foi um duro golpe na estratégia do Governo -- em particular das Finanças -- para que Portugal cumprisse os requisitos, pouco claros, que lhe permitiriam beneficiar dessa ajuda do BCE. O assunto, entretanto, quase que desapareceu do radar mediático.
Entretanto, Portugal volta hoje aos mercados. No meio do ruído sobre saídas limpas e programas cautelares, e independentemente da descida das yields, o que aconteceu ao nosso interesse nas OMT? Esfumou-se?
Há alguns meses atrás não se falava de outra coisa. Porém, a crise política originada pela demissão irrevogável de Paulo Portas foi um duro golpe na estratégia do Governo -- em particular das Finanças -- para que Portugal cumprisse os requisitos, pouco claros, que lhe permitiriam beneficiar dessa ajuda do BCE. O assunto, entretanto, quase que desapareceu do radar mediático.
Entretanto, Portugal volta hoje aos mercados. No meio do ruído sobre saídas limpas e programas cautelares, e independentemente da descida das yields, o que aconteceu ao nosso interesse nas OMT? Esfumou-se?
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