O PS não consegue descolar do PSD num contexto político em que tudo, ou quase tudo, joga a seu favor. O PSD, aliás, para desespero de José Pacheco Pereira, António Capucho e Manuela Ferreira Leite, apesar das circunstâncias adversas consegue a notável proeza de obter 30% das intenções de voto.
Moral da história?
Pedro Passos Coelho está muito menos isolado politicamente do que alguns querem fazer crer. A sua legitimidade, para voltar a um tema que esteve artificialmente em causa há alguns meses atrás, continua intacta e é indiscutível. É a vida.
José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
domingo, 19 de janeiro de 2014
AAVV: Quarto de Hóspedes [2]
POEMA ENCOMENDADA [Rui Caeiro]
No quarto, nem sequer de hóspedes, no quarto
escuro das arrumações, fui dar com a minha
vida, e em que lindo estado. No meio de uma
inqualificável tralha, lá estava ela, ao fundo,
a minha vida, encore bien que je te trouve!,
mas tão desconchavada a pobre, tão anémica
que metia dó. Que situação tão constrangedora,
pensei, sem lho dar a entender. Que posso
eu fazer por ti que não seja fugir depressa
daqui ou enfiar-me logo pelo chão abaixo?
E tu, minha vida, vá, deixa-te ficar, tant mal
que bien, e olha que o quarto também não é tão
mau assim. E desacompanhada não ficas nunca
(seria aliás difícil, com toda a tralha em volta...)
e olha que nestas coisas é como no demais, é como
em certos casamentos: NÃO DEU NÃO DEU, adiante.
AAVV, Quarto de Hóspedes (Língua Morta, 2013), p. 79.
sábado, 18 de janeiro de 2014
AAVV: Quarto de Hóspedes
CAMEL BLUE [José Carlos Soares]
No pequeno cemitério
comovente
ninguém, a não ser
o latido de algum
cão, o canto
de um galo
vermelho, a tosse
de um pequeno deus
desempregado. Também
pude reparar
como saía
de uma velha campa
abandonada
um exército de formigas
sob um intenso
céu azul
que nada respondia.
AAVV, Quarto de Hóspedes (Língua Morta, 2013), p. 45.
Ongoing vs. Impresa: The End
Sem surpresa. Quando no ano passado a Ongoing desistiu de todos os processos que tinha em curso contra a Impresa tornou-se evidente que se procurava uma solução nos bastidores e que seria uma questão de tempo até que a Ongoing vendesse as acções que detinha da Impresa. Não demorou muito tempo, como agora se constata.
Moral da história?
A Impresa mantém a sua posição dominante no panorama da comunicação social portuguesa e a Ongoing vira-se cada vez mais para o Brasil. Nuno Vasconcellos, aliás, há alguns anos que passa mais tempo no Brasil do que em Portugal. Afinal, salvo algum imprevisto, o futuro da Portugal Telecom -- empresa onde a Ongoing detém uma participação relevante -- está traçado e Lisboa é cada vez mais uma realidade distante.
Moral da história?
A Impresa mantém a sua posição dominante no panorama da comunicação social portuguesa e a Ongoing vira-se cada vez mais para o Brasil. Nuno Vasconcellos, aliás, há alguns anos que passa mais tempo no Brasil do que em Portugal. Afinal, salvo algum imprevisto, o futuro da Portugal Telecom -- empresa onde a Ongoing detém uma participação relevante -- está traçado e Lisboa é cada vez mais uma realidade distante.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
S&P: depois logo se vê...
Sem surpresas, portanto. De forma conservadora, espera-se por decisões sobre o pós-troika.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Allez, allez, Sporting allez [20]
O Sporting quebrou hoje a sequência de três jogos sem marcar golos e manteve o ciclo de jogos sem sofrer qualquer golo. Leonardo Jardim aproveitou a Taça da Liga para rodar alguns jogadores, refrescar a equipa e dar uma oportunidade a jogadores que por regra não são titulares. Boeck, Dier, Mané, Slimani e Vítor alinharam de início e todos responderam muito positivamente à chamada. Boeck foi o homem do jogo, negando ao Marítimo três ou quatro golos, defendeu tudo o que havia para defender, mesmo o que parecia impossível. Se o Marítimo não marcou pelo menos um golo, a ele se deve a inviolabilidade da baliza do Sporting. Mané foi o homem que descobriu o caminho para a baliza do Marítimo, ele que marcou o primeiro golo e que esteve em grande plano, sobretudo na primeira parte. Slimani foi, depois de Boeck, o jogador que mais se destacou nesta partida. O argelino correu quilómetros, foi incansável a ir buscar jogo e a servir os colegas em jogadas ofensivas. No final falhou um golo que bem merecia nesta partida. Dier tremeu num lance ou dois, mas no resto deu boa conta do recado. Vítor marcou o segundo golo -- o terceiro foi de Rojo -- e correu quilómetros em campo. Em suma, quem disse que o Sporting não tinha banco?
Quanto aos restantes, William Carvalho, Rojo, Jefferson, Adrien e Cédric estiveram ao seu nível do costume. Capel foi talvez o jogador menos eficaz na sua posição, ainda que, como sempre, tenha tido um empenho acima de qualquer dúvida.
Esta partida foi importante para restabelecer os níveis de confiança depois de três jogos consecutivos sem marcar. E se Slimani não marcou, em todo o caso o Sporting mostrou ter diversas opções para marcar golos.
Este foi o jogo desta época em que, tanto quanto me recordo, estiveram menos espectadores no Estádio de Alvalade, pouco mais de onze mil. Poucos, mas bons...
Uma última palavra para a arbitragem que, no essencial, mereceu nota positiva.
Segue-se o Arouca. Allez, allez, Sporting allez!
Foto: Manuel de Almeida (Lusa via Correio da Manhã).
Ballon d'Or: Ronaldo
Estava a ver a listagem com as votações e, às tantas, lembrei-me do Festival da Eurovisão. Não é bem a mesma coisa, mas anda lá perto...
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Vítor Gaspar: ser e parecer
Havia apenas duas ou três instituições para as quais, em nome do bom senso, Vítor Gaspar não deveria ter ido depois de ter sido ministro das Finanças. A saber, FMI, BCE e Comissão Europeia.
Vítor Gaspar evitou sempre qualquer conflito com a troika ao ponto de, por vezes, não se perceber qual era o seu lado da barricada. Ele que uma vez chegou a referir-se no Parlamento aos "vossos eleitores" -- não os dele, aos quais aparentemente não tinha de prestar contas -- perante os deputados do PSD e do CDS. Pois bem. É precisamente no FMI que ele aterra menos de um ano depois de ter sido ministro.
Vítor Gaspar evitou sempre qualquer conflito com a troika ao ponto de, por vezes, não se perceber qual era o seu lado da barricada. Ele que uma vez chegou a referir-se no Parlamento aos "vossos eleitores" -- não os dele, aos quais aparentemente não tinha de prestar contas -- perante os deputados do PSD e do CDS. Pois bem. É precisamente no FMI que ele aterra menos de um ano depois de ter sido ministro.
Portugal e o investimento chinês
De acordo. Se é angolano é porque é angolano. Se é chinês é porque é chinês. Pelos vistos, alguns puristas só querem investimento oriundo do Vaticano. E mesmo esse...
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