segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Quem será o candidato presidencial do PSD?

Eis como uma moção de candidatura, em poucas linhas, pode condicionar a agenda política e mediática. Segundo a interpretação geral, Passos Coelho recusa apoiar Marcelo Rebelo de Sousa. No perfil que se desenha, o que se critica, no fundo, é a sua suposta falta de credibilidade, mas a discussão posterior tem vindo a abordar também a interpretação dos poderes presidenciais pelo candidato.
Passos Coelho teve muito provavelmente duas, ou mais, intenções. Mostrar, em primeiro lugar, que uma vitória nas legislativas está ao seu alcance, daí a discussão das presidenciais. Em segundo, definir um perfil pessoal de candidato, sobretudo pela negativa, i.e. excluindo, porventura, Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros.
Duvido que, ao contrário do que está a ser dito e escrito, Passos Coelho queira condicionar a escolha do futuro Presidente em função da sua interpretação dos poderes presidenciais. Por uma razão muito simples. Naturalmente, qualquer primeiro-ministro quer um Presidente o menos interventivo possível, mas Passos Coelho sabe também que no dia da eleição o Presidente 'autonomiza-se', por assim dizer, do partido que o apoiou.
Sim, Passos Coelho quererá que o PSD apoie um candidato credível e não apenas com popularidade, mas não creio que o veto a Marcelo Rebelo de Sousa tenha alguma coisa que ver com a sua interpretação dos poderes presidenciais.

Nunes da Rocha: Óculos Sujos, Fígado Gordo

A vida não é mesa posta
Ou lâmpada fundida.
Pode também ser um medo
De vidro, quando
A garrafa retorna sem notícia
E as mãos regressam aos bolsos --
Constelação maior
De uma biografia distraída.

Deixa-me neste cais de nuvens
(Óculos sujos,
Fígado gordo);
Varrendo os barcos de papel,
Cotão dos dias,
No tapete da entrada.

Nunes da Rocha, Óculos Sujos, Fígado Gordo (&etc), p. 37.

Zapping blogosférico

[1] Luís Moreira, e [2] Ana Cristina Leonardo.

domingo, 19 de janeiro de 2014

António José Seguro: perdido e desnorteado

A melhor defesa é o ataque, diz a sabedoria popular. Perdido e sem estratégia, algo absolutamente evidente, o líder do PS inverte a situação e acusa o primeiro-ministro de estar "perdido e desnorteado". Quase que parece um número de stand-up comedy...

Sondagem: mais do mesmo

O PS não consegue descolar do PSD num contexto político em que tudo, ou quase tudo, joga a seu favor. O PSD, aliás, para desespero de José Pacheco Pereira, António Capucho e Manuela Ferreira Leite, apesar das circunstâncias adversas consegue a notável proeza de obter 30% das intenções de voto.
Moral da história?
Pedro Passos Coelho está muito menos isolado politicamente do que alguns querem fazer crer. A sua legitimidade, para voltar a um tema que esteve artificialmente em causa há alguns meses atrás, continua intacta e é indiscutível. É a vida.

AAVV: Quarto de Hóspedes [2]

POEMA ENCOMENDADA [Rui Caeiro]

No quarto, nem sequer de hóspedes, no quarto
escuro das arrumações, fui dar com a minha
vida, e em que lindo estado. No meio de uma
inqualificável tralha, lá estava ela, ao fundo,
a minha vida, encore bien que je te trouve!,
mas tão desconchavada a pobre, tão anémica
que metia dó. Que situação tão constrangedora,
pensei, sem lho dar a entender. Que posso
eu fazer por ti que não seja fugir depressa
daqui ou enfiar-me logo pelo chão abaixo?
E tu, minha vida, vá, deixa-te ficar, tant mal
que bien, e olha que o quarto também não é tão
mau assim. E desacompanhada não ficas nunca
(seria aliás difícil, com toda a tralha em volta...)
e olha que nestas coisas é como no demais, é como
em certos casamentos: NÃO DEU NÃO DEU, adiante.

AAVV, Quarto de Hóspedes (Língua Morta, 2013), p. 79.

Zapping blogosférico

[1] Luís Naves, [2] Vital Moreira, e [3] João Gonçalves.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Allez, allez, Sporting allez [21]

Esforço, dedicação, devoção e glória.
Allez, allez, Sporting allez!
[Publicado também aqui.]

AAVV: Quarto de Hóspedes

CAMEL BLUE [José Carlos Soares]
No pequeno cemitério
comovente

ninguém, a não ser
o latido de algum
cão, o canto

de um galo
vermelho, a tosse
de um pequeno deus

desempregado. Também
pude reparar
como saía

de uma velha campa
abandonada
um exército de formigas

sob um intenso
céu azul
que nada respondia.

AAVV, Quarto de Hóspedes (Língua Morta, 2013), p. 45.

Zapping blogosférico

[1] Vital Moreira, [2] José Medeiros Ferreira, e [3] Filipe Nunes Vicente.

Ongoing vs. Impresa: The End

Sem surpresa. Quando no ano passado a Ongoing desistiu de todos os processos que tinha em curso contra a Impresa tornou-se evidente que se procurava uma solução nos bastidores e que seria uma questão de tempo até que a Ongoing vendesse as acções que detinha da Impresa. Não demorou muito tempo, como agora se constata.
Moral da história?
A Impresa mantém a sua posição dominante no panorama da comunicação social portuguesa e a Ongoing vira-se cada vez mais para o Brasil. Nuno Vasconcellos, aliás, há alguns anos que passa mais tempo no Brasil do que em Portugal. Afinal, salvo algum imprevisto, o futuro da Portugal Telecom -- empresa onde a Ongoing detém uma participação relevante -- está traçado e Lisboa é cada vez mais uma realidade distante.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Teresa Leal Coelho

Grande Teresa, é assim mesmo!

S&P: depois logo se vê...

Sem surpresas, portanto. De forma conservadora, espera-se por decisões sobre o pós-troika.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Quotidiano


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Allez, allez, Sporting allez [20]

O Sporting quebrou hoje a sequência de três jogos sem marcar golos e manteve o ciclo de jogos sem sofrer qualquer golo. Leonardo Jardim aproveitou a Taça da Liga para rodar alguns jogadores, refrescar a equipa e dar uma oportunidade a jogadores que por regra não são titulares. Boeck, Dier, Mané, Slimani e Vítor alinharam de início e todos responderam muito positivamente à chamada. Boeck foi o homem do jogo, negando ao Marítimo três ou quatro golos, defendeu tudo o que havia para defender, mesmo o que parecia impossível. Se o Marítimo não marcou pelo menos um golo, a ele se deve a inviolabilidade da baliza do Sporting. Mané foi o homem que descobriu o caminho para a baliza do Marítimo, ele que marcou o primeiro golo e que esteve em grande plano, sobretudo na primeira parte. Slimani foi, depois de Boeck, o jogador que mais se destacou nesta partida. O argelino correu quilómetros, foi incansável a ir buscar jogo e a servir os colegas em jogadas ofensivas. No final falhou um golo que bem merecia nesta partida. Dier tremeu num lance ou dois, mas no resto deu boa conta do recado. Vítor marcou o segundo golo -- o terceiro foi de Rojo -- e correu quilómetros em campo. Em suma, quem disse que o Sporting não tinha banco?
Quanto aos restantes, William Carvalho, Rojo, Jefferson, Adrien e Cédric estiveram ao seu nível do costume. Capel foi talvez o jogador menos eficaz na sua posição, ainda que, como sempre, tenha tido um empenho acima de qualquer dúvida.
Esta partida foi importante para restabelecer os níveis de confiança depois de três jogos consecutivos sem marcar. E se Slimani não marcou, em todo o caso o Sporting mostrou ter diversas opções para marcar golos.
Este foi o jogo desta época em que, tanto quanto me recordo, estiveram menos espectadores no Estádio de Alvalade, pouco mais de onze mil. Poucos, mas bons...
Uma última palavra para a arbitragem que, no essencial, mereceu nota positiva.
Segue-se o Arouca. Allez, allez, Sporting allez!
Foto: Manuel de Almeida (Lusa via Correio da Manhã).

Zapping blogosférico

[1] Nuno Tiago Pinto, e [2] Maria João Marques.

Ballon d'Or: Ronaldo

Estava a ver a listagem com as votações e, às tantas, lembrei-me do Festival da Eurovisão. Não é bem a mesma coisa, mas anda lá perto...