José Ortega y Gasset: "Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Trichet: será Portugal a decidir sobre cautelar
Como não poderia deixar de ser. Apesar das evidentes condicionantes existentes à nossa autonomia de decisão, em todo o caso ainda somos um Estado soberano. Nesta matéria Pedro Passos Coelho parece-me ter uma posição inatacável. Como o caso irlandês demonstra, não temos de tomar nenhuma decisão até ao final da semana. Ainda há muito tempo à nossa frente até ao final do programa da troika.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Rehn: "reacção nacional tardia"
Há quem insista desesperadamente em re-escrever a História. José Sócrates, por exemplo, fá-lo todas as semanas no canal público de televisão, ainda que poucos se disponham a ouvir historietas de adormecer. A verdade, porém, por mais que se procure confundir, insiste em vir ao de cima.
Mais uma barreira...
...psicológica que foi ultrapassada. Bem sei, vale o que vale, mas não deixa de ser mais um passo na direcção que nos interessa.
Teixeira da Silva: O Lugar que Muda o Lugar
O LUGAR QUE MUDA O LUGAR
Dias e dias em que olhamos as margens
a simbólica, real escorrência
e trazes no sopro do ar, neste exacto ar
os versos que vêm e vão de oriente a oriente
Assim batam nos olhos as coisas literais
o lugar em que o lugar muda o lugar
e explica o mar maresias de si para si
o peso do sol e o peso da lua
A água na distinta água arrasta
os conhecidos seixinhos, róseos detritos
carcaças de aves e petróleo que cheira
como cheiram alegorias do mal
Dias para alcançar o fim da terra
ver aparecer, ver desaparecer
essa impecável figura peregrina
e os nomes próximos de areias e rochedos
cabedelo, pedra davra, samagaio
perdida evidência entre marés
José Manuel Teixeira da Silva, O Lugar que Muda o Lugar (Língua Morta, 2013), p. 13.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Cali: King of the Dancefloor
Tenho uma enorme admiração por todas as pessoas que se dedicam às diferentes formas de criação artística. Mais ainda no caso de Cali por se tratar de um ex-aluno meu. Não posso, por isso, deixar de fazer referência ao seu CD a solo, King of the Dancefloor, onde ele mistura sonoridades que vão do Hip Hop, House, Kuduro ao R&B.
O resultado final?
Cinco estrelas.
Quem será o candidato presidencial do PSD? [2]
Pedro Passos Coelho afirmou estar surpreendido com a reacção de Marcelo Rebelo de Sousa. Não sei se é o caso, mas a dissimulação faz parte das regras do jogo político. Como era óbvio, o primeiro-ministro dificilmente iria assumir, ou personalizar, o perfil traçado na moção de estratégia. Mas, evidentemente, também não negou que o ex-líder do PSD possa estar no lote dos excluídos.
Adiante. Esta polémica tem muito pouco sentido a esta distância das eleições presidenciais. Como é óbvio, ainda vai correr muita água por debaixo das pontes até 2015.
Adiante. Esta polémica tem muito pouco sentido a esta distância das eleições presidenciais. Como é óbvio, ainda vai correr muita água por debaixo das pontes até 2015.
Quem será o candidato presidencial do PSD?
Eis como uma moção de candidatura, em poucas linhas, pode condicionar a agenda política e mediática. Segundo a interpretação geral, Passos Coelho recusa apoiar Marcelo Rebelo de Sousa. No perfil que se desenha, o que se critica, no fundo, é a sua suposta falta de credibilidade, mas a discussão posterior tem vindo a abordar também a interpretação dos poderes presidenciais pelo candidato.
Passos Coelho teve muito provavelmente duas, ou mais, intenções. Mostrar, em primeiro lugar, que uma vitória nas legislativas está ao seu alcance, daí a discussão das presidenciais. Em segundo, definir um perfil pessoal de candidato, sobretudo pela negativa, i.e. excluindo, porventura, Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros.
Duvido que, ao contrário do que está a ser dito e escrito, Passos Coelho queira condicionar a escolha do futuro Presidente em função da sua interpretação dos poderes presidenciais. Por uma razão muito simples. Naturalmente, qualquer primeiro-ministro quer um Presidente o menos interventivo possível, mas Passos Coelho sabe também que no dia da eleição o Presidente 'autonomiza-se', por assim dizer, do partido que o apoiou.
Sim, Passos Coelho quererá que o PSD apoie um candidato credível e não apenas com popularidade, mas não creio que o veto a Marcelo Rebelo de Sousa tenha alguma coisa que ver com a sua interpretação dos poderes presidenciais.
Passos Coelho teve muito provavelmente duas, ou mais, intenções. Mostrar, em primeiro lugar, que uma vitória nas legislativas está ao seu alcance, daí a discussão das presidenciais. Em segundo, definir um perfil pessoal de candidato, sobretudo pela negativa, i.e. excluindo, porventura, Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros.
Duvido que, ao contrário do que está a ser dito e escrito, Passos Coelho queira condicionar a escolha do futuro Presidente em função da sua interpretação dos poderes presidenciais. Por uma razão muito simples. Naturalmente, qualquer primeiro-ministro quer um Presidente o menos interventivo possível, mas Passos Coelho sabe também que no dia da eleição o Presidente 'autonomiza-se', por assim dizer, do partido que o apoiou.
Sim, Passos Coelho quererá que o PSD apoie um candidato credível e não apenas com popularidade, mas não creio que o veto a Marcelo Rebelo de Sousa tenha alguma coisa que ver com a sua interpretação dos poderes presidenciais.
Nunes da Rocha: Óculos Sujos, Fígado Gordo
A vida não é mesa posta
Ou lâmpada fundida.
Pode também ser um medo
De vidro, quando
A garrafa retorna sem notícia
E as mãos regressam aos bolsos --
Constelação maior
De uma biografia distraída.
Deixa-me neste cais de nuvens
(Óculos sujos,
Fígado gordo);
Varrendo os barcos de papel,
Cotão dos dias,
No tapete da entrada.
Nunes da Rocha, Óculos Sujos, Fígado Gordo (&etc), p. 37.
domingo, 19 de janeiro de 2014
António José Seguro: perdido e desnorteado
A melhor defesa é o ataque, diz a sabedoria popular. Perdido e sem estratégia, algo absolutamente evidente, o líder do PS inverte a situação e acusa o primeiro-ministro de estar "perdido e desnorteado". Quase que parece um número de stand-up comedy...
Sondagem: mais do mesmo
O PS não consegue descolar do PSD num contexto político em que tudo, ou quase tudo, joga a seu favor. O PSD, aliás, para desespero de José Pacheco Pereira, António Capucho e Manuela Ferreira Leite, apesar das circunstâncias adversas consegue a notável proeza de obter 30% das intenções de voto.
Moral da história?
Pedro Passos Coelho está muito menos isolado politicamente do que alguns querem fazer crer. A sua legitimidade, para voltar a um tema que esteve artificialmente em causa há alguns meses atrás, continua intacta e é indiscutível. É a vida.
Moral da história?
Pedro Passos Coelho está muito menos isolado politicamente do que alguns querem fazer crer. A sua legitimidade, para voltar a um tema que esteve artificialmente em causa há alguns meses atrás, continua intacta e é indiscutível. É a vida.
AAVV: Quarto de Hóspedes [2]
POEMA ENCOMENDADA [Rui Caeiro]
No quarto, nem sequer de hóspedes, no quarto
escuro das arrumações, fui dar com a minha
vida, e em que lindo estado. No meio de uma
inqualificável tralha, lá estava ela, ao fundo,
a minha vida, encore bien que je te trouve!,
mas tão desconchavada a pobre, tão anémica
que metia dó. Que situação tão constrangedora,
pensei, sem lho dar a entender. Que posso
eu fazer por ti que não seja fugir depressa
daqui ou enfiar-me logo pelo chão abaixo?
E tu, minha vida, vá, deixa-te ficar, tant mal
que bien, e olha que o quarto também não é tão
mau assim. E desacompanhada não ficas nunca
(seria aliás difícil, com toda a tralha em volta...)
e olha que nestas coisas é como no demais, é como
em certos casamentos: NÃO DEU NÃO DEU, adiante.
AAVV, Quarto de Hóspedes (Língua Morta, 2013), p. 79.
sábado, 18 de janeiro de 2014
AAVV: Quarto de Hóspedes
CAMEL BLUE [José Carlos Soares]
No pequeno cemitério
comovente
ninguém, a não ser
o latido de algum
cão, o canto
de um galo
vermelho, a tosse
de um pequeno deus
desempregado. Também
pude reparar
como saía
de uma velha campa
abandonada
um exército de formigas
sob um intenso
céu azul
que nada respondia.
AAVV, Quarto de Hóspedes (Língua Morta, 2013), p. 45.
Ongoing vs. Impresa: The End
Sem surpresa. Quando no ano passado a Ongoing desistiu de todos os processos que tinha em curso contra a Impresa tornou-se evidente que se procurava uma solução nos bastidores e que seria uma questão de tempo até que a Ongoing vendesse as acções que detinha da Impresa. Não demorou muito tempo, como agora se constata.
Moral da história?
A Impresa mantém a sua posição dominante no panorama da comunicação social portuguesa e a Ongoing vira-se cada vez mais para o Brasil. Nuno Vasconcellos, aliás, há alguns anos que passa mais tempo no Brasil do que em Portugal. Afinal, salvo algum imprevisto, o futuro da Portugal Telecom -- empresa onde a Ongoing detém uma participação relevante -- está traçado e Lisboa é cada vez mais uma realidade distante.
Moral da história?
A Impresa mantém a sua posição dominante no panorama da comunicação social portuguesa e a Ongoing vira-se cada vez mais para o Brasil. Nuno Vasconcellos, aliás, há alguns anos que passa mais tempo no Brasil do que em Portugal. Afinal, salvo algum imprevisto, o futuro da Portugal Telecom -- empresa onde a Ongoing detém uma participação relevante -- está traçado e Lisboa é cada vez mais uma realidade distante.
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