quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Activistas disfarçados de jornalistas [2]

Custa-me muito ver na edição de papel do Público o nome de Luciano Alvarez associado a esta pseudo-notícia numa versão mais alargada. Essencialmente por duas razões. Em primeiro lugar porque acompanho o seu trabalho há cerca de duas décadas e habituei-me a associar o seu nome a trabalho jornalístico com qualidade. E em segundo lugar porque a sua própria experiência pessoal num passado não muito distante lhe deveria ter dado uma perspectiva e sensibilidade diferentes -- não me ocorrem outras palavras -- de modo a não fazer a terceiros aquilo que gostaria que não lhe tivessem feito a si.
Originalmente, o tema da licenciatura de Miguel Relvas era notícia?
Claro. Isso nem se discute. Tal como nem se discute que Miguel Relvas sucumbiu às facilidades que aparentemente lhe foram oferecidas pela Universidade Lusófona. Repito, isto é um ponto consensual que não merece grande discussão. Está noticiado, e bem. Ponto final.
Mas um cartaz na volta a França ou em Timor-Leste a mandar bocas deve ser notícia? E até quando serão notícia cartazes a mandar bocas sobre Miguel Relvas, alguém me sabe dizer?
Evidentemente que nada disso constitui matéria noticiosa, pelo menos para um jornal como o Público, a não ser que exista uma agenda justiceira, política, ou outra que de momento não identifico.
O Público deve estar activa e empenhadamente envolvido em exercícios opacos que apenas visam achincalhar uma pessoa? Isto aprende-se em que curso de jornalismo?